O governador Ratinho Jr (PSD) negou o convite do PL para ser o candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições deste ano. Com isso, o PL poderá se aproximar da candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao governo do Paraná, já que a legenda precisa de um palanque no Estado para a eleição presidencial.
Ratinho Jr esteve reunido nesta quarta-feira (12 de março) em Brasília com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A reunião para discutir o cenário eleitoral estava marcada para o início do mês, mas acabou adiada. Nesta quarta, Flávio Bolsonaro estava no Chile, para acompanhar a posse do presidente José Antonio Kast.
Líder nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora, Sergio Moro vem tendo dificuldades para convencer o PP a apoiar sua candidatura. O União Brasil estuda a formação de uma federação com o PP, mas as lideranças estaduais do Progressistas rejeitaram por unanimidade o apoio a Moro. Por enquanto, a única prefeita que aderiu à candidatura do senador é Elizabeth Schmidt, de Ponta Grossa, também filiada ao União Brasil.
Ao manter sua pré-candidatura à Presidência, Ratinho Jr corre o risco de afastar o PL de sua base de apoio no Estado. O governador já se comprometeu a apoiar a candidatura do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado, mas poderá ver uma parcela de votos do eleitorado de direita migrarem para Moro na disputa pelo governo.
A indefinição do governador também pode ajudar Moro. A preferência de Ratinho é que o candidato do PSD ao governo seja o secretário das Cidades, Guto Silva. Também disputam a indicação o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, e o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.
Curi já revelou que tem um convite do Republicanos para disputar o governo, caso não seja o escolhido pelo governador. Greca poderia ser o vice. Com essa Chapa, o Republicanos poderia ser a alternativa para Flávio Bolsonaro ter um palanque forte no Estado.
Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quinta-feira (12) mostra que Curi e Greca, caso troquem de partido, teriam mais intenções de votos do que Guto Silva, que é menos conhecido pelo eleitorado. Silva não ultrapassa os 4,5% das intenções de voto em nenhum dos cenários avaliados.

Briga pela vice de Moro
Um dos entraves para Moro conquistar o apoio do PP seria sua recusa em ceder a candidatura a vice para um nome do partido. O objetivo do senador seria garantir a vice para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos.
Na sessão de terça-feira (10) da Alep, o deputado Afonso Rangel (PSD) – que integra a base de apoio a Ratinho e é irmão do secretário estadual da Infraestrutura, Sandro Alex – questionou os gastos da Fiep com jardinagem, publicidade e viagens na gestão. O deputado Adriano José (PP) chegou a sugerir a criação de uma "CPI da Fiep" na Assembleia.
Outro deputado da base de Ratinho Jr, Denian Couto (sem partido), prometeu levantar novas suspeita sobre a gestão da Fiep – o que indica um avanço dos governistas contra a possível chapa de Sergio Moro nas eleições de outubro.
Caso não sejam escolhidos por Ratinho Jr para disputar o governo pelo PSD, Alexandre Curi e Rafael Greca também são citados como possíveis candidatos a vice na chapa do ex-juiz da Lava Jato. Outro nome é o do presidente no PL no Paraná, deputado federal Fernando Giacobo.
