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Mobilidade e desigualdade · Curitiba

Quem mais depende do ônibus em Curitiba é quem mais paga por ele

Um morador de Caximba compromete quase 19% da renda com passagens. No Batel, são 2,6%. Perde duas horas por dia a mais dentro do coletivo que quem mora no centro — o equivalente a 91 dias úteis de trabalho por ano. Tem 61% de chance de pegar um ponto a 500 metros de casa — contra 100% no Bigorrilho. E não tem terminal de integração, então, quando precisa trocar de linha, paga uma segunda passagem. O sistema que Curitiba se orgulha de exportar é, de perto e por dentro, uma máquina de punir os mais pobres.

6,1×
Diferença de peso da tarifa na renda entre os 5 bairros mais pobres e os 5 mais ricos
484 h
Horas/ano no ônibus do terço mais pobre — 45% a mais que o terço mais rico
56
De 75 bairros não têm terminal de integração — e a maioria deles é periférica
R$ 386 mi
Em desonerações fiscais concedidas em 2024 — 17% maior que o subsídio ao transporte

1Duas Curitibas, duas experiências

A geografia do transporte coletivo coloca, lado a lado na mesma cidade, dois mundos. Um onde o ônibus é ferramenta de trabalho, um pedaço importante da renda e uma parte enorme do dia. Outro onde o ônibus é opção entre várias — e, quando usado, é rápido, barato e próximo. Entre eles, uma distância que não é só geográfica.

"Quem ganha menos na cidade, paga mais caro o mesmo ônibus, espera mais, anda mais longe até o ponto — e tem mais chance de precisar pagar duas passagens para uma única viagem."

2A desigualdade no mapa

O mesmo mapa, seis lentes diferentes. Selecione o indicador para ver onde a cidade aperta: tempo de viagem, cobertura da rede, transbordos, peso da tarifa (social ou técnica) ou o subsídio público como % da renda. Passe o mouse sobre um bairro para ver os dados completos.

Carregando mapa dos bairros…
Como ler. Cada polígono é um dos 75 bairros. Quanto mais escuro, pior o indicador (mais tempo, menor cobertura, maior peso da tarifa). Bairros com terminal URBS têm contorno preto mais espesso. O mapa carrega do TopoJSON comunitário gustavokira/geo-curitiba — se o seu navegador não autorizar a conexão, a tabela ao fim do relatório tem os mesmos dados.

3O imposto da tarifa — quanto da renda vai em passagem

Dividindo Curitiba em três grupos de bairros pela renda per capita, o retrato salta aos olhos. O terço mais pobre — 1 milhão de pessoas, com renda média de R$ 2.194/mês — gasta 12,5% da renda com passagens. O terço mais rico — 328 mil pessoas, renda média R$ 7.173 — gasta 3,8%. É o mesmo ônibus, cobrando a mesma tarifa. Mas a conta pesa 3,3 vezes mais para quem tem menos.

No topo do ranking, cinco bairros da periferia sul — Caximba, São Miguel, Tatuquara, Ganchinho e Campo de Santana — comprometem mais de 16% da renda per capita só com passagens. Quatro deles não têm terminal de integração. Nenhum está entre os que a cidade divulga como referência do sistema.

Top 15 — onde a passagem pesa mais

Top 15 — onde a passagem quase não aparece no orçamento

Como calculamos. Impacto (%) = (44 passagens × R$ 6,00) ÷ renda per capita mensal × 100 44 passagens/mês = 2 viagens/dia × 22 dias úteis — trajeto típico casa-trabalho. Renda per capita mensal: Censo IBGE 2010 (Total, incluindo pessoas sem rendimento como zero) corrigida pelo IPCA acumulado até abr/2026 (fator ≈2,5×). A comparação entre bairros é robusta; o valor absoluto é estimativa.

4O imposto do tempo — quem perde 91 dias por ano no ônibus

O morador médio de Campo de Santana passa 83 minutos dentro do coletivo em cada viagem. Multiplicado por duas viagens diárias, 22 dias úteis, 12 meses, dá 730 horas por ano — o equivalente a 91 dias úteis de 8 horas de puro deslocamento. Três meses do ano dentro do ônibus. No Centro, são 46 minutos — 400 horas/ano, ou 50 dias. A diferença, 41 dias úteis, é o imposto-tempo que a geografia cobra de quem mora na periferia.

Pior caso
Campo de Santana
730 h
91 dias úteis de 8h no ônibus/ano

40 mil moradores. Renda média estimada: R$ 1.568. Não tem terminal URBS. Em média, quase 1,6 ônibus por viagem (transbordo é a regra).

Melhor caso
Batel

10 mil moradores. Renda média estimada: R$ 10.352. Centro da cidade. Viagem direta, sem necessidade de terminal.

Top 15 — horas/ano dentro do coletivo

Considerando 2 viagens por dia, 22 dias úteis, 12 meses.

5O desenho do sistema penaliza — terminais e transbordos

Curitiba tem 22 terminais urbanos URBS, distribuídos por 19 dos 75 bairros. Nos demais 56 — onde vivem pessoas — qualquer troca de linha acontece na rua e custa uma segunda passagem. A integração temporal (cartão + janela de tempo) ameniza, mas não vale para todas as linhas. O efeito prático: moradores da periferia, que já têm viagens mais longas e mais transbordos, gastam mais passagens por viagem.

Curiosidade do desenho. O Terminal Metropolitano Guadalupe, no Centro, serve 14 municípios da RMC e é operado pela AMEP. Ele não integra com linhas urbanas da URBS — então, apesar de ser "terminal em Curitiba", não resolve o problema do morador da periferia que precisa de transbordo dentro da cidade.

13 bairros cercados: sem terminal, com viagem longa e transbordo como regra

Bairros onde o desenho força o usuário a pagar duas passagens. São, quase sem exceção, bairros de renda baixa.

Piores coberturas: % da população a 500m de um ponto

6O custo real — e o que o subsídio não cobre

Curitiba paga às empresas concessionárias R$ 8,47 por passageiro — a chamada tarifa técnica, calculada mês a mês pela URBS. Na catraca, o usuário paga R$ 6,00. A diferença de R$ 2,47 é um subsídio público que dobrou em 12 meses: em novembro de 2024 era R$ 1,19 por passageiro; em novembro de 2025, R$ 2,47. Em dinheiro por mês, o aporte saltou de R$ 13,4 milhões para R$ 27,4 milhões. Projetado para o ano, passa dos R$ 328 milhões.

quanto custa de verdade
R$ 8,47
Tarifa técnica
Custo real pago pelas empresas concessionárias. Novembro/2025.
a diferença, bancada por todos
R$ 2,47
Subsídio público
R$ 27,4 milhões/mês em nov/25. Cresceu 104% em um ano.

Mas o subsídio é, por desenho, uniforme. Cobre R$ 2,47 por cada passagem, independentemente de quem a usa. Isso significa que, em valor absoluto, o morador do Batel recebe o mesmo aporte por passagem que o morador da Caximba. Em proporção da renda, o efeito é o oposto do que parece: o subsídio representa 7,8% da renda per capita de Caximba — R$ 108,68 por mês — contra 1% da renda do Batel. Nesse sentido, o aporte é pró-pobre. Mas a tarifa social paga pelos mesmos moradores (R$ 264/mês, ou 18,9% da renda em Caximba contra 2,6% no Batel) é pró-rico — e num patamar três vezes maior.

O aporte público beneficia mais os bairros pobres em proporção. Mas a parte que continua sendo cobrada do usuário — R$ 6,00 na catraca — é três vezes mais pesada em termos proporcionais para esses mesmos bairros. O resultado líquido: o sistema cobra mais, em termos relativos, de quem menos pode pagar.

A composição do custo: cada R$ 14,04 gasto por km rodado

Pessoal e encargos somam 44,5%. Combustível, peças, rodagem e amortização somam outros 34,3%. Rentabilidade justa (o lucro contratado das empresas) é 9,2% — R$ 1,29 por km. Em nov/25, com a frota rodando 6,68 milhões de km no mês, esse lucro contratual chegou a ~R$ 8,6 milhões num só mês.

A variação em 12 meses

IndicadorNov/2025Nov/2024Variação
Tarifa técnicaR$ 8,47R$ 7,19+17,8%
Tarifa socialR$ 6,00R$ 6,000,0%
Subsídio por passageiroR$ 2,47R$ 1,19+107,1%
Subsídio mensalR$ 27,4 miR$ 13,4 mi+104,0%
Custo por kmR$ 14,04R$ 12,56+11,8%
Passageiros PE11,1 mi11,2 mi-1,5%
Frota operante1.1981.166+2,7%
Fonte. Protocolo Administrativo 01-271848/2025 — URBS/URBSATA, Documento Resolução Novembro/2025. Valores pactuados com base nos Termos Aditivos 008 a 012 do contrato de concessão.

7A conta pública — quem Curitiba escolhe subsidiar

O subsídio ao ônibus existe — e é grande: R$ 328 milhões por ano, em ritmo atual. Mas ele não é a única conta que o município paga abrindo mão de receita. Em 2024, Curitiba concedeu R$ 386 milhões em desonerações fiscais (IPTU, ITBI, TCL e ISS) a um conjunto heterogêneo de proprietários, investidores e empresas. Essa conta é 17% maior que o subsídio anual ao transporte — e, diferentemente dele, mira quase sempre em cima de quem tem patrimônio.

R$ 328 mi
Subsídio ao ônibus (projeção anual nov/25)
R$ 386 mi
Desonerações fiscais realizadas em 2024
R$ 6,16 bi
Receita própria do município em 2025

As desonerações realizadas em 2024 — onde a isenção foi maior

Ordenados por valor, os programas que mais renunciaram a arrecadação municipal em 2024. Entre as maiores rubricas estão a isenção para terrenos com áreas verdes (54% do total) e o desconto para pagamento à vista do IPTU (21%). A isenção para imóveis hospitalares conveniados ao SUS somou R$ 1.270. Para habitação popular (COHAB), R$ 346 mil. Para clubes amadores de futebol, R$ 715 mil — o dobro da habitação social.

Comparativo anual: subsídio ao ônibus × desonerações × receitas

O sistema tarifário do ônibus — desenhado como "uma tarifa para todos" — na prática transforma a passagem num imposto regressivo que pesa sete vezes mais sobre os mais pobres. Já o sistema tributário do município, pelo IPTU, começa progressivo — mas abre mão de R$ 386 milhões em renúncia fiscal que, em sua maioria, beneficia quem tem patrimônio. Na conta final, a máquina pública cobra mais de quem tem menos e alivia mais quem tem mais.
O que entra nesta conta. "Desonerações fiscais realizadas" é o valor efetivamente não arrecadado pelo município em 2024 em virtude de isenções, reduções de alíquota e bonificações previstas em lei ou regulamento. São rubricas do próprio município — distintas da renúncia federal (Lei Rouanet, Simples Nacional) e estadual (ICMS). Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento / Departamento de Rendas Imobiliárias e Mobiliárias. "Receitas próprias" somam IPTU, ITBI, ISS, IRRF retido na fonte, Taxas e Contribuição de Melhoria, jan-dez/2025.

Isenções de IPTU/ITBI/TCL 2024 — detalhamento completo

Programa Descrição Valor realizado 2024 (R$) % do total

8E se fosse tarifa zero?

Para cada usuário do ônibus, a tarifa zero representaria R$ 3.168 por ano de volta ao orçamento — o equivalente a cerca de dois salários mínimos. Para um morador de Caximba (renda per capita R$ 1.399/mês), equivale a recuperar 18,9% da renda. Para um morador do Batel (renda R$ 10.352/mês), 2,6%. A seguir, os cenários de quanto custaria ao poder público — e onde esse dinheiro poderia ser encontrado dentro do próprio orçamento municipal.

Como calculamos os cenários. Custo anual = Custo/passageiro × passageiros × 12 meses Com tarifa zero, a prefeitura banca o custo inteiro (hoje R$ 8,47/passageiro). A literatura sobre cidades que adotaram tarifa zero (Maricá/RJ, Cascavel/PR, Caucaia/CE, Tallinn/Estônia) aponta aumentos de demanda entre 20% e 75% no primeiro ano. Adotamos elasticidade de 0,5 para o custo operacional: +30% de demanda = +15% de custo (economia de escala em frota e pessoal).

O simulador — mova o slider

0% (demanda atual)30% (média internacional)75% (cenário maximalista)
Custo anual do sistema
R$ 1,13 bi
18,3% da receita própria municipal
Aporte adicional vs hoje
R$ 798 mi
2,1× as desonerações fiscais de 2024
Passageiros atendidos
133,0 mi
por ano — mesmo volume de hoje
Quanto cada usuário recupera: R$ 3.168/ano — equivale a R$ 14,40 por dia útil (44 passagens × R$ 6,00, considerando 2 viagens/dia × 22 dias × 12 meses).

Quem ganha mais com tarifa zero — em % da renda

Em valores absolutos, tarifa zero devolve o mesmo R$ 3.168 por ano para todos os usuários. Em proporção da renda, devolve muito mais a quem tem menos. No extremo, um morador de Caximba recupera quase um quinto da renda — 7 vezes mais que um morador do Batel.

Comparando o custo com as contas já existentes

Um aporte de R$ 1,13 bilhão por ano equivale a 18,3% da receita própria do município. É grande, mas não é inviável: representa 3× as desonerações que Curitiba já concede em IPTU, ITBI e ISS.

Onde encontrar esse dinheiro

Algumas opções de financiamento, com base em experiências brasileiras e internacionais — e nos próprios números do orçamento de Curitiba:

Cidades brasileiras com tarifa zero

Mais de 100 municípios brasileiros adotaram tarifa zero até 2026 — a maioria pequena. As três referências mais citadas:

  • Maricá (RJ, 170 mil hab) — tarifa zero desde 2014, financiada por royalties do petróleo repassados pela Petrobras.
  • Cascavel (PR, 330 mil hab) — a maior cidade paranaense com tarifa zero integral, desde 2023. Aporte anual da ordem de R$ 90 milhões — ~3% da receita própria.
  • Caucaia (CE, 370 mil hab) — tarifa zero a partir de 2023, com repasse estadual e recursos próprios.

Nenhuma cidade brasileira do porte de Curitiba (1,77 milhão de habitantes) implantou tarifa zero integral até a data desta reportagem. A objeção usual é o custo; o que este simulador mostra é o tamanho exato desse custo — e a ordem de grandeza de onde ele poderia ser extraído.

O que a simulação não calcula. Ganhos indiretos: redução de congestionamento, menos acidentes, queda nos atendimentos de saúde por poluição, mais tempo livre para quem hoje perde 3 meses por ano no ônibus (Campo de Santana). Também não entram os custos de transição: reforço de frota, possível recontratação, redefinição contratual. Na direção contrária, tampouco entram a eventual redução de despesas com o sistema atual (câmeras, catracas, manutenção de bilhetagem eletrônica).

9Tabela completa por bairro

Explore os 75 bairros. Ordene por qualquer indicador ou filtre por distrito. A coluna "Subs/renda" mostra quanto da renda per capita de cada bairro é coberto pelo subsídio público — uma forma de ver, em proporção, quanto o aporte beneficia cada área.

Bairro Distrito Pop. Renda est. Terminal Tempo h/ano Cob 500m Ônibus/viagem Social/renda Técnica/renda Subs/renda

10A vista dos Distritos Sanitários

Agrupando pelos dez Distritos da cidade, Tatuquara, Bairro Novo e CIC concentram os maiores tempos, as menores rendas e os maiores impactos da tarifa. Matriz e Boa Vista, onde estão os centros de emprego, têm o ônibus como parte menor da vida dos moradores.

Metodologia, fontes e limites

Enquadramento. Este relatório olha para o sistema de transporte coletivo de Curitiba pela lente da desigualdade social. Cruza cinco dimensões por bairro: custo em dinheiro (tarifa social vs técnica, subsídio), custo em tempo (horas por ano dentro do coletivo), cobertura (distância ao ponto), integração (existência de terminal URBS no bairro) e renda (do Censo IBGE 2010 corrigida pelo IPCA).

Fonte do custo real. Protocolo Administrativo 01-271848/2025 da Prefeitura de Curitiba, Anexo 2.1 — Documento Resolução Novembro/2025, elaborado pela URBS/URBSATA. Valores referentes a novembro/2025: tarifa técnica R$ 8,4700; tarifa social R$ 6,00; aporte por passageiro R$ 2,4700; custo/km R$ 14,0452; frota 1.198 veículos; passageiros pagantes equivalentes 11.081.419; custo mensal R$ 93.859.682,44; subsídio mensal R$ 27.371.168,44.

Indicadores de rede. Cobertura populacional 250m/500m e tempo médio: IPPUC/URBS. Os números de tempo vêm da Pesquisa Origem-Destino 2016/2017 (a última divulgada publicamente); cobertura, de 2018. Desde 2019, a operação foi reduzida — os indicadores provavelmente pioraram na ponta, sobretudo em bairros periféricos.

22 terminais urbanos URBS. Bairro Alto, Barreirinha, Boa Vista, Boqueirão, Cabral, Caiuá (CIC), Campina do Siqueira, Campo Comprido, Capão da Imbuia, Capão Raso, Carmo (Boqueirão), Centenário (Cajuru), CIC, Fazendinha, Hauer, Oficinas (Cajuru), Pinheirinho, Portão, Santa Cândida, Santa Felicidade, Sítio Cercado e Tatuquara — este último, o mais recente, inaugurado em 2023. Lista validada em abril de 2026. Não entra nesta conta o Terminal Metropolitano Guadalupe, operado pela AMEP, que serve linhas metropolitanas e não oferece integração gratuita com a rede urbana da URBS.

Cálculo do impacto tarifa/renda. Fórmula: (44 passagens × tarifa) ÷ renda per capita mensal × 100. 44 passagens = 2 viagens/dia × 22 dias úteis. Tarifas: social R$ 6,00; técnica R$ 8,47 (nov/2025); subsídio R$ 2,47 = diferença. Renda per capita mensal: rendimento médio das pessoas de 10+ anos ("Total", incluindo sem rendimento como zero) do Censo IBGE 2010, atualizada para abril/2026 por IPCA acumulado (fator ≈2,5). A comparação entre bairros é robusta; o valor absoluto é aproximação.

Cálculo das horas/ano. Tempo médio da viagem × 2 (ida e volta) × 22 (dias úteis/mês) × 12 (meses). O cálculo usa o tempo médio publicado pelo IPPUC — que, conforme já sinalizamos, é subestimado para as condições atuais.

Agrupamento por terço de renda. Os 75 bairros foram ordenados pela renda per capita estimada 2026 e divididos em três grupos de 25 cada. Todos os indicadores do grupo são médias ponderadas pela população de cada bairro. A divisão é um recurso de síntese — não é uma classificação socioeconômica oficial.

Fontes fiscais e desonerações. As receitas próprias do município (jan-dez/2025) e as desonerações fiscais concedidas em 2024 vêm do Demonstrativo das Receitas Próprias e dos demonstrativos de IPTU/ITBI/TCL e ISS "Previsto e Realizado", publicados pela Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento (Departamentos de Rendas Imobiliárias e Mobiliárias). O total de desonerações IPTU/ITBI/TCL realizado em 2024 foi de R$ 374.349.966,67; o de ISS, R$ 11.996.137,22. O subsídio ao transporte é o aporte mensal de R$ 27.371.168,44 (URBS, nov/25) projetado para 12 meses — na prática, o valor efetivo pode variar mês a mês, já que a tarifa técnica é recalculada mensalmente.

O que não medimos. Frequência efetiva das linhas por horário. Efeito do Vale-Transporte pago pelo empregador (reduz o impacto líquido da tarifa no trabalhador formal). Experiência subjetiva (ônibus lotado, atraso). Transferências sociais (passe livre, tarifa zero para idosos). Todos esses fatores modificam, para melhor ou para pior, a conta apresentada aqui — mas não alteram o sentido da desigualdade que os números demonstram.

Contato para checagem. Plural[email protected].

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