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MBL acusa João Bettega de ser conivente com corrupção ao não denunciar Velloso; ouça áudio

Em áudio, vereador diz que seria "cagada" denunciar presidente do Instituto Municipal do Turismo e que preferia ter "carta na manga" contra a Prefeitura

MBL acusa João Bettega de ser conivente com corrupção ao não denunciar Velloso; ouça áudio
O vereador João Bettega, expulso do MBL. Foto: Carlos Costa/CMC
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Os dois principais líderes nacionais do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos e Arthur do Val, acusaram o vereador João Bettega (União Brasil) de ter se negado a denunciar a condenação de José Luiz Gonçalves Velloso, exonerado nesta quarta-feira (7) pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD). Velloso tem uma condenação por improbidade administrativa e ocupava o cargo de presidente do Instituto Municipal de Turismo. Ele foi demitido após questionamento do Plural à Prefeitura.

Bettega foi expulso do MBL na quarta-feira, acusado de traição. Segundo os líderes do movimento, o vereador se aproximou do bolsonarismo e não vinha fiscalizando a Prefeitura, pois teria a intenção de integrar a base de apoio a Eduardo Pimentel na Câmara. Todos os funcionários do seu gabinete na Câmara Municipal de Curitiba, que são filiados ao MBL, pediram exoneração. 

Enquanto a sessão de quarta acontecia na Câmara, Renan Santos e Arthur do Val fizeram uma live, com mais de duas horas de duração, para explicar a expulsão de Bettega. O mau relacionamento entre o vereador e os integrantes do MBL que faziam parte de seu gabinete teria começado no início do mandato, mas o estopim teria sido a recusa de Bettega em tornar pública a condenação de Velloso. 

Estopim

O estopim da crise entre o MBL e o vereador foi a demora de Bettega em aceitar fazer uma denúncia pública contra o presidente do Instituto de Turismo. Um áudio a que o Plural teve acesso mostra o vereador dizendo que sabia da condenação, mas que achava "cagada" fazer a denúncia num momento em que a relação com a Prefeitura ia bem.

No áudio, Bettega diz que Velloso é ligado ao presidente estadual do PL, o deputado federal Fernando Giacobo, e que preferia esperar. "É interessante a gente ter essa carta na manga e a gente usa quando precisar. Mas eu acho que é cagada a gente soltar essa antes de precisar. Eu acho que tem que esperar os caras (a Prefeitura) apertarem a gente. Quando os caras apertarem, a gente tem essa carta na manga", disse o vereador. Ouça:

Os assessores do gabinete, todos ligados ao MBL, pressionaram Bettega a denunciar o caso e acharam que o vereador estava procrastinando o assunto porque havia se aproximado do bolsonarismo e não queria comprar briga com o PL – os integrantes do MBL são de direita, porém críticos ao bolsonarismo.

Na manhã de quarta, segundo os líderes do movimento, funcionários do gabinete de Bettega protocolaram uma moção na Mesa Diretora da Câmara, informando que o ocupante de um cargo de primeiro escalão da gestão Pimentel já havia sido condenado. Em seguida, eles pediram demissão. Na live do MBL, Renan Santos disse que Bettega retirou a moção.

Ao Plural, o vereador negou nesta quinta-feira (8) que tenha retirado a moção. O sistema de proposições legislativas da Câmara confirma que a moção não foi retirada, diferentemente do que afirmou Renan Santos – há duas moções sobre o assunto no nome de Bettega, uma protocolada à 1h da manhã e outra às 8h35. Segundo a assessoria da Câmara, a moção poderá votada na sessão plenária da próxima segunda-feira (12).

Integrantes do MBL, funcionários do gabinete de João Bettega entregaram seus cargos na quarta-feira (Divulgação/MBL)

Fuga

O chefe de gabinete de João Bettega era Willian Pedroso da Rocha, conhecido como Will Rocha, um dos principais líderes do MBL no Paraná e ex-assessor do deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP). Segundo Rocha, depois da sessão de quarta-feira, Bettega se escondeu no gabinete de outro vereador. “A sessão acabou e ele fugiu, e agora está no gabinete de outro vereador que é da base, que é da mesa, com dois seguranças na porta", afirmou Rocha na live do MBL.

O ex-assessor disse que Bettega se recusou a denunciar o caso para não desagradar ao público bolsonarista, já que José Luiz Velloso é filiado ao PL de Jair Bolsonaro. “Ele não denunciou por medo de desagradar o gado do PL. Porque eles não querem que as pessoas chamem o Waldemar da Costa Neto (presidente nacional do PL) de mensaleiro e quadrilheiro. E também não querem que o Bolsonaro seja chamado de vagabundo”.

Velloso e Eder Borges

No dia 1º de janeiro, o site da prefeitura de Curitiba divulgou quem seriam os integrantes do primeiro escalão na gestão de Eduardo Pimentel. “Com uma trajetória política e profissional consolidada, José Luiz Velloso foi secretário de Saúde e Turismo de Antonina, onde desempenhou um papel fundamental para que o município fosse incluído no programa PAC Cidades Históricas, fortalecendo o turismo local e preservando seu rico patrimônio histórico-cultural. Jornalista e publicitário, Zé Luiz preside o PL Jovem Paraná e tem se destacado como uma das principais lideranças emergentes da sigla”, diz o texto sobre o então presidente do Instituto Municipal do Turismo.

Na gestão de José Luiz Velloso o Instituto Municipal de Turismo contratou Andreia Gois Maciel, em fevereiro deste ano. Ela recebia um salário de R$ 7.111,32 no Instituto Municipal do Turismo, mas se apresentava e atuava como assessora jurídica do vereador bolsonarista Eder Borges, outro filiado ao PL. O caso foi revelado pelo site Intercept Brasil e Andreia também foi exonerada.

No Dia dos Namorados de 2022, Eder Borges publicou uma série de fotos ao lado de Andreia. No ano passado, ao registrarem um boletim de ocorrência na Polícia Civil, segundo o Intercept Brasil, ambos informaram que moravam no mesmo endereço, na Rua XV de Novembro. Andreia Gois é mãe de Victoria Lauren Maciel Almeida, chefe de gabinete de Eder Borges na Câmara de Curitiba, o que pode configurar nepotismo.

O que diz Bettega

Procurado pelo Plural sobre o caso, João Bettega negou que tenha havido qualquer pressão da Prefeitura para que retirasse a moção apresentada por seu gabinete sobre o presidente do Instituto de Turismo. "Não sofri pressão da base, mas parabenizo o prefeito e o vice-prefeito pela rápida ação de exoneração nesse caso", afirmou.

Segundo Bettega, a moção foi protocolada de madrugada e não houve tempo para votação. "A moção de repúdio foi protocolada na madrugada de terça para quarta à 01:00 da madrugada. Por causa do protocolo tardio, não foi ao plenário na sessão de quarta", disse.

O que diz Deltan Dallagnol

Para apoiar a candidatura de Pimentel na campanha do ano passado, o ex-deputado federal Deltan Dallagnol firmou um termo de compromisso com o então candidato, a fim de garantir que nenhum condenado teria cargo na Prefeitura. Dallagnol, que atua como porta-voz do Partido Novo, disse que Pimentel cumpriu o acordo ao demitir Velloso. "A Prefeitura exonerou o servidor, cumprindo o compromisso assumido ao assinar a Carta Compromisso do Partido Novo".

Dallagnol disse ainda que não sabia que Joe France Rodrigues de Arrais, que foi seu assessor na Câmara dos Deputados, defendeu Velloso em um processo – além da condenação por improbidade administrativa, o Plural descobriu que Velloso figura como réu ou parte em pelo menos 14 processos no Tribunal de Justiça do Paraná. "Não conhecia nenhum cliente do advogado Joe France, que foi selecionado por processo seletivo, com base em critérios técnicos e competência", afirmou Dallagnol.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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