A bancada do PL na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) entrou em ritmo de campanha após o fim da janela partidária, no sábado (4 de abril). Com a filiação de sete deputados estaduais após a chegada do senador Sergio Moro, a bancada chegou a 12 parlamentares e passou a pressionar o governador Ratinho Jr. Eles deixaram de votar com o governo na Assembleia e passaram a agir em conjunto para evitar críticas a Moro.
Com os 12 filiados ao PL, mais os oito deputados da oposição, a bancada que poderá criar problemas para Ratinho Jr passou a ter 20 parlamentares. Ainda é pouco para barrar a votação de projetos de interesse do governo, mas é mais que o necessário de votos para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A abertura de CPI exige 18 assinaturas, um terço das 54 cadeiras. Ao mesmo tempo, Ratinho exonerou da administração estadual nomes indicados pelo PL e pelo Novo – que também aderiu a campanha de Moro.
Antes limitada aos deputados Tito Barichello e Mauro Moraes (que trocaram o União Brasil pelo PL durante a janela partidária), a defesa incondicional de Sergio Moro também entrou na pauta dos recém-chegados. Na sessão terça (7) os bolsonaristas reagiram duramente a uma crítica feita ao ex-juiz da Lava Jato feita pelo líder da oposição, Arilson Chiorato (PT).
"Picareta"
Em seu pronunciamento, Chiorato citou que Moro, ao ser questionado na segunda-feira (6) sobre a acusação feita por ele mesmo ao presidente Jair Bolsonaro em 2020, disse se tratar de um "factoide". "Agora ele diz que é factóide lembrar da tentativa de interferência na Polícia Federal. Mas foi ele mesmo quem denunciou Jair Bolsonaro, quando era presidente, que queria controlar a Polícia Federal para proteger os seus filhos".
Moro deu a declaração durante entrevista na Assembleia na tarde de segunda, enquanto o plenário votava o projeto que regulamenta a atividade de policial penal no Estado. Os 12 parlamentares do PL acompanharam o senador durante a entrevista e nenhum deles participou da votação.
Chiorato lembrou ainda que Moro planejou se candidatar a senador por São Paulo e que a mulher dele, Rosângela Moro, é deputada pelo Estado vizinho. "Ele diz que o Partido dos Trabalhadores é o partido da corrupção, que rouba velhinhos. Na verdade, o ministro que se omitiu de investigar o INSS é o Sergio Moro. Era ministro da Justiça, recebeu inúmeras denúncias de fatos que vinham acontecendo e não tomou uma providência".
O líder da oposição chamou Moro de "picareta", "juiz ladrão" e "marreco com rabo sujo". "Hoje nós vamos começar a rebater aquele que se ausentou do Paraná. Quando o Sergio Moro veio aqui debater segurança pública nunca com uma audiência? Nunca. Quando o Sergio Moro veio debater a questão da Copel? Nunca. Quando o Sergio Moro veio debater assuntos importantes do Paraná? Nunca. Agora veio aqui na Assembleia criar narrativa política".

Heróis e bandidos
Líder da bancada do PL, o deputado Delegado Jacovós – que não costuma fazer pronunciamentos – ocupou a tribuna para defender Moro na terça-feira. "Nós esperávamos que os ataques aqui na Assembleia Legislativa ao senador Moro começassem a ocorrer, mas o que nós menos esperávamos é que isso partisse de integrantes de um dos partidos mais condenados por corrupção nesse país".
Jacovós disse ainda a operação Lava Jato recuperou "bilhões surrupiados por governos do PT" e chamou o presidente Lula "descondenado", "ladrão", "corrupto" e "Luiz Inácio Viajante da Silva". "Eles adoram idolatrar ladrões, corruptos. Esse país está aí na bancarrota. O PT, durante esses 20 anos que governou esse país, eles se especializaram em roubar, em corromper".
Tito Barichello chamou Arilson Chiorato de "cara de pau" e classificou Sergio Moro como um "herói" do país. O deputado chamou ainda o PT de "partido trapaceiro". "São ladrões, sim. Organização criminosa. Lavagem de dinheiro. O Lulinha é ladrãozinho também". Ricardo Arruda, e os recém-filiados Mauro Moraes e Denian Couto também saíram em defesa de Moro.
Entrevista fora de lugar
Sergio Moro e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), pré-candidato ao Senado, convocaram uma coletiva na segunda-feira para "falar sobre os planos do PL nas eleições de 2026 e o crescimento da bancada do PL". Falaram apenas sobre as novas filiações e atacaram o PT. Moro disse que "a roubalheira do PT" voltou e que "bandidos e petistas" não serão aceitos no PL.
O senador citou o escândalo do INSS – do qual ele tomou conhecimento em 2019, quando era ministro da Justiça – e o escândalo do Banco Master, que segundo ele é responsabilidade do PT – quando Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, doou R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Eleitos para mandatos federais, Moro e Barros convocaram uma coletiva na Alep em plena tarde de segunda-feira, durante uma sessão legislativa, e impediram a que deputados do PL participassem da votação de um projeto relativo à segurança pública – justamente a área que os parlamentares do partido de Jair e Flávio Bolsonaro dizem defender.
