O ex-deputado federal André Vargas (PT) deverá tentar uma vaga na Câmara nas eleições deste ano. Primeiro político condenado no âmbito da operação Lava Jato e cassado em 2014, Vargas voltou a se tornar elegível depois de ter duas condenações contra ele anuladas pela 2ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Essa decisão (de voltar) eu tomei em 2022, quando o Ênio Verri (hoje diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional) informou que não sairia mais para deputado federal. Eu ainda estava lutando com dois processos e tinha situações familiares para resolver, tenho um filho autista. Desde então, tenho me organizado", afirmou Vargas do Plural.
Ele se reaproximou do PT (chegou a se desfiliar em 2014, quando enfrentava o processo de cassação na Câmara) e coordenou a campanha de Arilson Chiorato à presidência estadual do partido, no ano passado. Atualmente, é secretário geral do PT no Estado.
Para Vargas, a eleição deste ano deverá marcar o retorno de nomes do PT que ficaram afastados do cenário político após os processos do mensalão e da Lava Jato – além dele, o ex-ministro José Dirceu (SP) e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) também deverão tentar uma vaga de deputado federal.
"Precisamos de parlamentares com experiência. O campo popular precisa fazer pelo menos 180 deputados, para poder dialogar em termos adequados com o Centrão. Não adianta ficar gritando", diz Vargas. "Infelizmente, não fizemos a reforma política quando tivemos oportunidade. Esse sistema é um fomentador de crises. É uma inversão de valores, o parlamento controla R$ 60 bilhões e o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem R$ 1 bilhão para reforma agrária".
No PT, Carol Dartora, Elton Welter, Tadeu Veneri e Zeca Dirceu, que já estão na Câmara, deverão tentar a reeleição neste ano. Lenir de Assis, vereadora em Londrina e suplente da ministra Gleisi Hoffmann, também deverá concorrer. Entre os deputados estaduais, quatro se candidatarão a federal: Ana Júlia, Arilson Chiorato, Luciana Rafagnin e Renato Freitas. Gleisi já anunciou que vai concorrer ao Senado e Ênio Verri deverá permanecer na Itaipu.
Sergio Moro e Lava Jato
André Vargas foi eleito vereador em Londrina em 2000 e deputado estadual 2002 e 2006. Em 2010, elegeu-se deputado federal e chegou à vice-presidência da Câmara.
Em 2014, em meio ao processo do chamado mensalão, foi criticado por fazer o gesto com o punho cerrado ao lado do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, durante uma sessão da Câmara. O gesto era usado por políticos presos no âmbito do mensalão, como José Dirceu e o ex-deputado José Genoíno.
Em dezembro de 2014, Vargas teve seu mandato cassado por quebra de decoro, por suposto envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Segundo o parecer do relator Júlio Delgado (PSB-MG), o deputado atuou na intermediação, junto ao Ministério da Saúde, em favor do laboratório Labogen, de Youssef, que havia sido preso meses antes suspeito de participação em um esquema de lavagem de dinheiro.
Pouco menos de um ano depois, Vargas se tornou o primeiro político condenado pelo então juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da operação Lava Jato. Em setembro de 2015, foi sentenciado a 14 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber propinas de contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Ministério da Saúde. O irmão dele, Leon Denis Vargas Ilário, foi condenado a 11 anos e 4 meses.
Em abril de 2015, Vargas foi preso na 11ª fase da Lava Jato e transferido para o Complexo-Médico Penal (CMP) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, de onde saiu em outubro de 2018. Naquele ano ele foi novamente condenado por Sergio Moro, desta vez a seis anos de prisão, por lavagem de dinheiro. Ele, o irmão e outras duas pessoas foram consideradas culpadas pela lavagem de R$ 2,3 milhões que, segundo o Ministério Público Federal (PMF), tinha origem em um contrato da CEF com a IT7 Sistemas Ltda.
Os dois processos foram extintos pela 2ª turma do STF, o primeiro em dezembro de 2022 e outro em setembro de 2023. Vargas e o irmão chegaram a responder a outro processo, mas em 2018 a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) absolveu os dois. Eles eram suspeitos de lavagem de dinheiro pela aquisição de um imóvel no bairro Alphaville Jacarandá, em Londrina, em 2011.
"Montaram na 13ª Vara uma arapuca de promoção pessoal focada no Sergio Moro. Ele não começou a ser justiceiro na Lava Jato. Isso vem desde 2004, 2005, prendendo de forma arbitrária. Deixou até agricultores presos", disse Vargas. "Moro já vinha mostrando seu desiderato desde o início, quando se tornou adjunto da (ministra do STF) Rosa Weber e fez o voto do mensalão. Ficou evidente que obteve informações e montou a operação Lava Jato. Nunca foi sobre doleiro, nem mesmo sobre a Petrobras".
Eleição no Paraná
Para André Vargas, Sergio Moro deverá se manter na frente das pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná. "É um bode na sala do Ratinho Júnior", avalia o ex-deputado. "Ele tem índice de aceitação, mas não tem voto consolidado. Vai manter esse índice até a véspera, mas vai ser a Cristina Graeml da eleição".
A indefinição de Ratinho Júnior na escola de seu candidato, afirma Vargas, poderá abrir uma brecha para o candidato da oposição, o deputado estadual Requião Filho, que já tem o apoio do PT. "Ratinho quer a candidatura do (secretário) Guto Silva, mas o mundo político não quer um nem outro. O centro quer o Alexandre Curi. Acho que vai ser eleição muito pareada. Qualquer vacilo e nós chegamos ao segundo turno".