O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) solicitou à Polícia Federal uma investigação sobre ações do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) que teriam beneficiado o Banco Master. Na sexta-feira (12 de junho), o jornal O Globo informou que Barros não se limitou a apresentar um projeto de lei semelhante à chamada “Emenda Master”: nos meses seguintes, o parlamentar paranaense apresentou requerimentos e promoveu audiências com órgãos que analisavam processos centrais para o futuro do Master.
A representação de Chiorato cita o projeto 4.395/2024, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que poderia beneficiar instituições financeiras dependentes desse modelo de captação, como Master. O teor do projeto era o mesmo da emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), no início de maio.

Além de apresentar o projeto (que acabou retirado), Barros realizou audiências públicas e apresentou requerimentos na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (CREDN), presidida por ele. Segundo a denúncia de Chiorato, a comissão passou a concentrar discussões sobre regulação financeira, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), temas que teriam relação direta com disputas envolvendo o Banco Master.
A representação foi protocolada na segunda-feira (15) e pede que o caso seja encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), com a realização de diligências para rastrear eventuais contrapartidas financeiras – caso os órgãos competentes entendam haver elementos suficientes para isso.
"O que está em discussão não é uma divergência política ou ideológica. Estamos falando da suspeita de utilização de instrumentos públicos para atender interesses privados em um setor altamente sensível da economia brasileira", disse Arilson Chiorato que é lider da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná e presidente estadual do PT. "Quando há indícios dessa natureza, a apuração rigorosa é um dever das instituições e uma exigência da sociedade".
Segundo a matéria do jornal O Globo, Barros – que é pré-candidato ao Senado e ligado à família Bolsonaro – acionou a CVM, o Banco Central e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) durante a fase mais crítica da crise enfrentada pelo Banco Master. Em junho de 2025, Barros apresentou requerimentos para ouvir o então presidente da CVM, João Pedro Nascimento, na CREDN.
A audiência ocorreu no mês seguinte, quando a CVN analisava processos relacionados à Ambipar, empresa de saneamento que teria tido suas ações infladas artificialmente em 2024. Segundo a reportagem, técnicos da CVM sustentavam que fundos ligados ao Banco Master, ao empresário Nelson Tanure e ao controlador da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, haviam atuado de forma coordenada em operações que contribuíram para uma valorização de 863% das ações da companhia.
Barros apresentou requerimento ao Ministério da Fazenda com 11 perguntas sobre a atuação da CVM no caso Ambipar – CVM a analisava a adoção de uma oferta pública de aquisição de ações, defendida por sua área técnica.
Em setembro do ano passado, quando o Banco Central rejeitou a operação de compra do Master pelo BRB, Barros apresentou requerimento à Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Diorf), área responsável por processos de intervenção, resolução e liquidação de instituições financeiras. Segundo a reportagem, os questionamentos atingiram a estrutura comandada por Renato Gomes, integrante da ala do BC favorável à liquidação da instituição.
O Globo relacionou ainda a atuação de Barros com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos. Em março de 2025, logo após anunciar seu licenciamento na Câmara, Eduardo Bolsonaro disse em um vídeo que continuaria a influenciar na CREDN por meio de Filipe Barros. “Para quem acha que eu não estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder da CREDN, negativo", disse Eduardo Bolsonaro.
A O Globo, Malu Gaspar, negou ter atuado em favor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ou da instituição financeira. Disse que nunca manteve contato com o banqueiro, afirmou que suas iniciativas decorreram de interesse em temas ligados à regulação financeira e sustentou que exerceu atividade legítima de fiscalização sobre órgãos públicos.
O deputado também declarou ter sido um dos primeiros parlamentares a denunciar irregularidades envolvendo o banco e defendeu a responsabilização dos envolvidos.
