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Arilson Chiorato pede para PF investigar possível ligação de Filipe Barros com o Master

Presidente estadual do PT quer que caso seja encaminhado para a PGR. Bolsonarista nega que tinha objetivo de beneficiar a instituição financeira

Arilson Chiorato pede para PF investigar possível ligação de Filipe Barros com o Master
O deputado federal Filipe Barros. Foto: Lula Marques/Agência Câmara

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) solicitou à Polícia Federal uma investigação sobre ações do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) que teriam beneficiado o Banco Master. Na sexta-feira (12 de junho), o jornal O Globo informou que Barros não se limitou a apresentar um projeto de lei semelhante à chamada “Emenda Master”: nos meses seguintes, o parlamentar paranaense apresentou requerimentos e promoveu audiências com órgãos que analisavam processos centrais para o futuro do Master.

A representação de Chiorato cita o projeto 4.395/2024, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que poderia beneficiar instituições financeiras dependentes desse modelo de captação, como Master. O teor do projeto era o mesmo da emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), no início de maio.

Filipe Barros usou mandato para pressionar órgãos que contrariavam interesses de Daniel Vorcaro
Reportagem de Malu Gaspar, de O Globo, mostra atuação do deputado paranaense sobre CVM, Banco Central e Previc durante a crise do Banco Master

Além de apresentar o projeto (que acabou retirado), Barros realizou audiências públicas e apresentou requerimentos na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (CREDN), presidida por ele. Segundo a denúncia de Chiorato, a comissão passou a concentrar discussões sobre regulação financeira, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), temas que teriam relação direta com disputas envolvendo o Banco Master.

A representação foi protocolada na segunda-feira (15) e pede que o caso seja encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), com a realização de diligências para rastrear eventuais contrapartidas financeiras – caso os órgãos competentes entendam haver elementos suficientes para isso.

"O que está em discussão não é uma divergência política ou ideológica. Estamos falando da suspeita de utilização de instrumentos públicos para atender interesses privados em um setor altamente sensível da economia brasileira", disse Arilson Chiorato que é lider da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná e presidente estadual do PT. "Quando há indícios dessa natureza, a apuração rigorosa é um dever das instituições e uma exigência da sociedade".

Segundo a matéria do jornal O Globo, Barros – que é pré-candidato ao Senado e ligado à família Bolsonaro – acionou a CVM, o Banco Central e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) durante a fase mais crítica da crise enfrentada pelo Banco Master. Em junho de 2025, Barros apresentou requerimentos para ouvir o então presidente da CVM, João Pedro Nascimento, na CREDN.

A audiência ocorreu no mês seguinte, quando a CVN analisava processos relacionados à Ambipar, empresa de saneamento que teria tido suas ações infladas artificialmente em 2024. Segundo a reportagem, técnicos da CVM sustentavam que fundos ligados ao Banco Master, ao empresário Nelson Tanure e ao controlador da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, haviam atuado de forma coordenada em operações que contribuíram para uma valorização de 863% das ações da companhia.

Barros apresentou requerimento ao Ministério da Fazenda com 11 perguntas sobre a atuação da CVM no caso Ambipar – CVM a analisava a adoção de uma oferta pública de aquisição de ações, defendida por sua área técnica.

Em setembro do ano passado, quando o Banco Central rejeitou a operação de compra do Master pelo BRB, Barros apresentou requerimento à Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Diorf), área responsável por processos de intervenção, resolução e liquidação de instituições financeiras. Segundo a reportagem, os questionamentos atingiram a estrutura comandada por Renato Gomes, integrante da ala do BC favorável à liquidação da instituição.

O Globo relacionou ainda a atuação de Barros com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos. Em março de 2025, logo após anunciar seu licenciamento na Câmara, Eduardo Bolsonaro disse em um vídeo que continuaria a influenciar na CREDN por meio de Filipe Barros. “Para quem acha que eu não estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder da CREDN, negativo", disse Eduardo Bolsonaro.

A O Globo, Malu Gaspar, negou ter atuado em favor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ou da instituição financeira. Disse que nunca manteve contato com o banqueiro, afirmou que suas iniciativas decorreram de interesse em temas ligados à regulação financeira e sustentou que exerceu atividade legítima de fiscalização sobre órgãos públicos.

O deputado também declarou ter sido um dos primeiros parlamentares a denunciar irregularidades envolvendo o banco e defendeu a responsabilização dos envolvidos.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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