O líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Arilson Chiorato (PT) cobrou decoro e medidas mais enérgicas da Mesa Diretoria após mais uma fala considerada ofensiva do bolsonarista Ricardo Arruda (PL), na sessão desta segunda-feira (2 de fevereiro).
Em pouco mais de nove minutos, Arruda ameaçou os deputados da oposição de prisão – segundo ele, serão todos presos se Flávio Bolsonaro (PL) for eleito presidente – e disse que os parlamentares fazem parte de uma gangue. Afirmou que o Supremo Tribunal Federal "pode roubar, prender e rasgar a Constituição" e preferiu suas já conhecidas ofensas contra o presidente Lula (PT).
O bolsonarista aproveitou para elogiar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por atacar países (sem autorização do próprio Congresso, como determina a lei do país) e prender ou matar seus líderes – "lixo da esquerda", segundo o parlamentar. E sugeriu que isso pode ser repetir. "Tantos outros cairão".
Para Chiorato, a fala de Arruda denota "falta de elegância, decoro e capacidade cognitiva". "O deputado Arruda é um parlapatão aqui nessa Casa. E essa Casa não toma providências. Aqui só tomam providências contra uma única pessoa, o deputado Renato (Freitas). Tirou o Renato, não tem providência aqui. Tirou o Renato, é ataque aqui e ninguém faz nada. Ou essa Casa dá o tratamento igual, ou aqui a gente vai ter problema aqui dentro".

"Nós não podemos ter um nível baixo e uma agressão desse tipo. Mas esperar o que de uma pessoa que comemora a morte de crianças, de meninas em uma escola? Como que a gente pode ter sobriedade de uma figura que cultua a guerra, que parabeniza um Estado que mata crianças?
Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Alep
“Existe um limite ético entre o que é crítica e o que é mentira. Falar mentiras naquela tribuna não muda a vida das pessoas”, disse a deputada Ana Júlia, que já foi atacada por Arruda. “É uma tristeza saber que alguém que está aqui para representar o povo do Paraná não tem honestidade intelectual e transforma tudo em circo, teatro e falas falaciosas”.
Renato Freitas enfrenta pelo menos oito pedidos de cassação no Conselho de Ética da Alep. O Conselho se reuniu nesta segunda-feira para analisar o processo que pede a cassação do petista por se envolver em uma briga de rua em setembro do ano passado em Curitiba. O relator Marcio Pacheco (PP) leu seu parecer e a partir de agora serão ouvidas testemunhas.
Ricardo Arruda é réu sob suspeita de associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Ele é suspeito de usar seu poder político para ajudar a reintegrar policiais militares excluídos da corporação em troca de dinheiro e de intermediar o pagamento de um contrato do governo com um empresário. Em outro processo, o bolsonarista foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público do Paraná acusado da prática de rachadinha.
