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PMs são investigados por agredir alunos em banheiro de escola estadual no Paraná

Caso ocorreu em outubro, em Cruzeiro do Iguaçu, no sudoeste do Paraná. Policiais e diretor seguem em seus cargos

PMs são investigados por agredir alunos em banheiro de escola estadual no Paraná
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Dois policiais militares estão sob investigação acusados de agredir fisicamente dois alunos, de 14 e 15 anos, dentro do banheiro da Colégio Estadual Arnaldo Busato, em Cruzeiro do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. Segundo a família de uma das vítimas, os policiais foram chamados pelo diretor da escola, Éberson Luiz Fadanelli, para “dar um susto” nos adolescentes. O diretor e os policiais continuam em suas funções, de acordo com as assessorias da Polícia Militar (PM) e da Secretaria de Estado da Educação (Seed).

As agressões teriam ocorrido no dia 28 de outubro. Segundo a denúncia feita ao Ministério Público do Paraná (MPPR), por volta das 15h45, depois do intervalo, três alunos entraram no banheiro, entre eles as duas vítimas. Um dos policiais teria permanecido na porta, para impedir a entrada de outro estudantes. O segundo policial, identificado como Cleverson por uma das vítimas, teria entrado e passado a agredir os alunos.

O PM teria dado tapas no rosto dos adolescentes e socos na altura da costela. O terceiro aluno que estava no banheiro também teria sido agredido com um tapa no rosto. Ao tentar escapar, o adolescente de 15 anos teria sido puxado pelo pescoço pelo policial militar e batido com a cabeça na pia de mármore. Ele ficou ferido no supercílio, como mostrou o laudo feito emitido pela Polícia Científica. 

Leia mais: Colégios Cívico-Militares do Paraná tiveram sete denúncias de abuso sexual desde 2020

Depois disso, o aluno teria sido levado até o posto de saúde, que estava fechado. De acordo com a denúncia, o motorista da ambulância deu um esparadrapo para ele colocar no ferimento e em seguida o policial Cleverson teria desferido outro tapa sobre a região.

Os laudos da Polícia Científica, feitos no dia 31 de outubro, confirmaram as agressões. O adolescente de 15 anos sofreu uma “escoriação de supercílio direito medindo 2,0 x 1,0 cm”, de acordo com o documento. Uma foto do ferimento foi anexada à denúncia. O exame do outro aluno registra “equimose esverdeada e amarelada medindo 6,0 x 4,0 cm, na face medial do joelho” e “equimose esverdeada e amarelada medindo 3,0 x 3,0 cm, na face medial da perna esquerda”.

Perseguição e trauma

Na denúncia, os pais do aluno de 14 anos ainda disseram que, depois da aula, o estudante e outro colega foram abordados pelos mesmos policiais quando voltavam para casa. “Ele estava voltando para casa com um amigo e a polícia abordou eles como se fossem marginais. Jogaram as mochilas no chão e humilharam eles. Ele chorou muito e outro foi correndo para casa”, disse a mãe do estudante, Andreia Pavin, ao Plural.

Segundo Andreia, o desentendimento começou entre março e abril, quando foi chamada na escola. “O diretor falou que meu filho estava próximo de um menino com histórico de acompanhamento pelo Conselho Tutelar. Meu filho disse que o colega era agitado, mas que não ia deixar de ser amigo dele. Depois disso, o diretor começou a pegar no pé dele”.

No dia da ocorrência, de acordo com Andreia, o diretor teria dito que chamaria a polícia para “dar um corretivo” nos alunos. “Ele pediu que a polícia estivesse na escola para dar um corretivo nos alunos, para dar um ar de susto neles. A polícia estava indo toda semana na escola”, contou. “Acredito que foi premeditado, porque pouco antes eles (os policiais) estavam conversando com o diretor na secretaria. Depois do intervalo eles ficaram na frente do banheiro”. A movimentação foi registrada em vídeo pela câmera da escola.

Os alunos relataram que, já no banheiro, o policial mandou um deles tirar a camisa. “Ele ordenou que um deles tirasse a camisa, enrolou na mão e começou a esbofetear, encher de socos na região do abdômen, na costela e na barriga. O outro menino, que é mais ágil, tentou sair do banheiro, o policial puxou ele pelo pescoço e ele bateu no mármore da pia. Foi feito o exame no IML e o médico atestou as agressões”.

De acordo com ela, depois disso o adolescente não quer ir mais para a escola tem pesadelos durante a noite. 

“Meu filho não está querendo ir para a escola, vai um dia e dois não quer ir. Está isolado, depressivo, à noite a gente escuta falas e gritos no quarto, vamos ver ele e está sonhando. Estamos sofrendo com tudo isso, foram danos psicológicos. Não desejo para ninguém o que a gente está passando.”

Andréia Pavin, mãe do adolescente de 14 anos agredido no banheiro da escola

Segundo ela, durante as agressões o policial chegou a ameaçar seu filho de morte. "O policial falou que já foi de outra corporação, que já tinha matado sete pessoas e que se ele não entrasse na linha, poderia ser o oitavo". Andreia disse que também ficou doente depois da agressão. "Estou tendo crises de ansiedade, com enxaqueca crônica, tenho que ir para o hospital, porque não tem comprimido que passe a dor. Ando com os braços roxos de tanto soro. Tudo reflexo do que tem acontecido".

O advogado da família, Willian Benini, disse ao Plural que a Corregedoria da Polícia Militar já foi informada. “A família espera que se sensibilizem e deem prioridade, que o caso não seja colocado na gaveta ou que haja prescrição. Existe um corporativismo muito grande entre militares, mas queremos que isso não aconteça mais em lugar nenhum. Não é algo que a gente aceite", afirmou Benini. "Embora não tenha uma câmera que mostre o policial batendo nos alunos, na imagem dá para ver o policial bloqueando a porta do banheiro. É algo muito claro”.

Respostas

A assessoria da Polícia Militar afirmou na quinta-feira (28) que entraria em contato com a Corregedoria da PM para se manifestar sobre o assunto, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. 

Em nota, a assessoria da Seed afirmou que o caso está sendo investigado pelo Núcleo de Regional de Educação de Dois Vizinhos. Confira a nota da Secretaria: 

“Em relação à denúncia de que dois alunos teriam sido agredidos por policiais dentro do banheiro do Colégio Estadual Arnaldo Busato, em Cruzeiro do Iguaçu, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Dois Vizinhos informa que constituiu uma Comissão de Verificação, formada por integrantes da Ouvidoria, que instaurou uma sindicância para apurar os fatos.”

O Plural entrou em contato com o diretor da escola, Éberson Luiz Fadanelli, na tarde desta sexta-feira (29), mas ele informou que não comentaria o assunto.

A família dos dois adolescentes autorizaram o uso de imagens e das identidades das vítimas, mas o Plural optou por não divulgar os nomes dos dois alunos.

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