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Carnaval de Curitiba 2026: guia completo dos desfiles das escolas de samba

Centro da cidade reúne escolas do Grupo Especial e Acesso em duas noites

Carnaval de Curitiba 2026: guia completo dos desfiles das escolas de samba
Nas estimativas da Prefeitura, mais de 50 mil pessoas devem passar pelo evento. Foto: Luiz Pacheco/SMCS.
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Seguindo um legado cinquentenário, a Avenida Marechal Deodoro recebe, neste fim de semana, a partir das 21h, o desfile das escolas de samba de Curitiba. Divididas em duas noites, agremiações do Grupo Especial e Acesso trazem carros alegóricos, samba e multidões para o centro da cidade. Nas estimativas da Prefeitura, mais de 50 mil pessoas devem passar pelo evento. O acesso ao público, seja pelas arquibancadas ou grades, é gratuito.

A programação oficial tem início no sábado, 14, a partir das 21h, com as escolas do Grupo Especial. A Imperatriz da Liberdade abre os desfiles às 21h20, seguida pela Acadêmicos da Realeza (22h35), Enamorados do Samba (23h50) e Deixa Falar (1h05). O fechamento da primeira noite será a Mocidade Azul, prevista para às 2h20.

Já no domingo, 15, também a partir das 21h, será a vez do Grupo de Acesso. A sequência de apresentações começa com a Rosa do Povo às 21h45, seguida pela Asas de Prata (22h40), Vai na Fé (23h35) e Embaixadores da Alegria (0h30). Às 1h25, a Leões da Mocidade encerram o cronograma curitibano.

Na organização do Carnaval curitibano, o Grupo Especial reúne as cinco principais agremiações da cidade; o Grupo de Acesso é composto por outras cinco escolas recém-criadas ou que buscam retornar à primeira divisão. 

Na apuração dos votos, marcado para a tarde desta segunda-feira, 16, no Memorial de Curitiba, serão definidas as classificações, títulos e descensos. A edição de 2025, por exemplo, contou com a Mocidade Azul como campeã do Grupo Especial, enquanto a Imperatriz da Liberdade foi a grande vencedora no Acesso. A Leões da Mocidade ficou na lanterna da elite e rebaixada.

As cinco escolas do Grupo Especial

Imperatriz da Liberdade

Fundada em 2013 por Jefferson Pires, no bairro Sítio Cercado, a Imperatriz da Liberdade chega ao Grupo Especial embalada pela vitória no acesso de 2025 com o enredo "Yabás, Mulheres Guerreiras", de Alex de Souza e Panela, que celebrou os orixás das religiões de matriz africana . A escola mantém no bairro o projeto "Centro Cultural Imperatriz da Liberdade", que desenvolve atividades carnavalescas voltadas à comunidade.

Para sua estreia na elite, a Imperatriz fará uma releitura de um enredo autoral de 2016: “Sou flecha, sou a força do teu arco, Senhor da floresta, Rei Caçador”. A composição de Jefferson Pires, Franco Cava, Heitor Hedeke e Marcos Mano é dedicada a Oxóssi, orixá da caça, das matas e padroeiro da bateria da escola.

Acadêmicos da Realeza

Fundada em março de 1997 e batizada por Neguinho da Beija-Flor, a Acadêmicos da Realeza completa 27 anos de desfiles ininterruptos em 2026. Com 11 títulos de campeã — o último em 2024 —, a escola ostenta o posto de única agremiação do Grupo Especial que jamais retornou ao acesso.

Neste ano, a Realeza aposta no enredo “Entre o Preto e o Branco… tudo é dois, tudo é um", uma proposta poética e reflexiva sobre as dualidades que estruturam a existência humana. “Mais do que contrários em conflito, essas forças se complementam, criando movimento, transformação e sentido”, descreve a sinopse da escola. 

Enamorados do Samba

Nascida como bloco em 1993, tornou-se escola em 2017 e já no ano seguinte conquistou o acesso. Em 2020, veio o primeiro título do Grupo Especial. Com sede no Água Verde, a escola é comandada pelas experientes carnavalescas Marlene Monte Carmelo (fundadora) e Marise Fernandes (presidente).

Para 2026, a Enamorados trará um pedacinho da Amazônia para a capital paranaense com o enredo “Dois Bois e um Sonho: Parintins e Enamorados em uma só festa”. O samba-enredo de Alexandre Fortes e Renato Demétrio conta a história centenária do Festival de Parintins e a rivalidade entre os bois Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho). 

Deixa Falar

A mais jovem do grupo, fundada em 20 de novembro de 2020 (Dia da Consciência Negra), a Deixa Falar já chega ao seu quarto desfile com história de superação: conquistou o acesso logo na estreia.

O enredo deste ano é “Tambores, Herança Ancestral, Essência da Vida”, que percorre a história da percussão desde os povos primitivos até ritmos modernos como axé e afroreggae. Serão 15 alas e mais de 500 componentes, destacando as heranças africanas e indígenas ligadas ao instrumento. 

Mocidade Azul

Fundada em 10 de janeiro de 1972, a Mocidade Azul é a escola mais antiga do Grupo Especial e a maior vencedora da história do Carnaval de Curitiba, com 24 títulos — o último conquistado em 2025.

A Mocidade será a última escola a desfilar, na madrugada de domingo, 15, com o enredo “Dormimos Só Para Descansar, Sonhar Sonhamos Acordados!”. A proposta é uma reflexão poética sobre o poder transformador do sonho consciente, homenageando grandes sonhadores da história e movimentos sociais. 

O acesso ao público, seja pelas arquibancadas ou grades, é gratuito. Foto: Isabella Mayer/SMCS

As cinco escolas do Grupo de Acesso

Rosas do Povo

Fundada em agosto de 2025, é a escola mais nova do carnaval curitibano. A agremiação surgiu do resgate da cultura negra e popular, atuando como movimento comunitário que se estende para além de Curitiba, com núcleos em Araucária, CIC e Campo Magro.

Com o enredo“Nasce uma Rosa na Curitiba de Todos os Povos”, a escola propõe um passeio histórico pela formação da cidade, destacando os povos originários, a presença africana, os colonizadores e os imigrantes que compõem a diversidade étnico-racial da capital. Serão 350 integrantes, entre comissão de frente, bateria, alas e passistas, que darão vida a essa celebração da identidade curitibana.

Asas de Prata

A Associação Cultural Recreativa Asas de Prata nasceu em 7 de agosto de 2021, em pleno período pandêmico. Em 2025, realizou seu primeiro desfile. Seu propósito é fomentar a cultura do samba e inseri-la no cotidiano das comunidades e periferias.

Em 2026, a escola vem Com o enredo“Era Uma Vez… Brincar, Sonhar e Voar em Asas de Prata”, e propõe um mergulho no universo mágico da infância, valorizando a arte, a criatividade e a memória afetiva das brincadeiras que marcam gerações. Reflete sobre os desafios da proteção infantil na era digital, destacando a importância de preservar o direito de sonhar, brincar e se desenvolver com dignidade. 

Vai na Fé

Fundada em 2023, a Academia do Samba Vai na Fé, sediada no bairro Vila Sandra, aposta no apelo identitário para revisitar a história, questionar narrativas oficiais e celebrar a ancestralidade. A escola mergulha no ciclo do ouro no Paraná e na figura do cacique Tindiquera, líder indígena que indicou o local propício para fundar a vila que se tornaria Curitiba.

O enredo “Tindiquera: A Kur'yr'tyba da tribo Vai Na Fé” propõe uma reflexão sobre os impactos culturais da busca pelo ouro, valorizando a memória dos povos originários e apresentando uma Curitiba diferente do lugar-comum.

Embaixadores da Alegria

Fundada em 1948 por José Cadilhe de Oliveira e amigos no tradicional Bar Stuart, a Embaixadores da Alegria é a escola de samba em atividade mais antiga de Curitiba. Com sede no bairro Santa Quitéria, a agremiação carrega décadas de história e tradição, e para 2026 prepara uma verdadeira epopeia mitológica.

O enredo escolhido é a Titanomaquia, a guerra ancestral que dividiu Titãs e Deuses pelo comando do universo. Do Caos primordial, a escola narrará a criação que dá forma ao tempo, à luz e aos primeiros seres divinos. Entre alianças, rupturas e batalhas colossais, o desfile acompanhará a ascensão de Zeus e a queda dos antigos governantes, até o triunfo do Olimpo e o início de uma nova era. 

Leões da Mocidade

Fundada em 2007 como uma agremiação vinculada à Mocidade Azul, a Leões da Mocidade se solidificou no cenário carnavalesco de Curitiba e mantém um centro cultural na Vila Hauer, com oficinas de costura, música e dança para moradores da região. 

Em 2026, a agremiação vai homenagear as mães atípicas — mulheres que têm filhos com deficiências e doenças raras e que se desdobram para prover o desenvolvimento e o bem-estar de suas crianças. Será uma celebração da força, da resiliência e do amor incondicional dessas verdadeiras “leoas” que lutam diariamente por inclusão e dignidade. 

Eric Rodrigues

Eric Rodrigues

Repórter, fotojornalista e documentarista. Mestrando em comunicação pela UFPR. Participante do 15º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Autor de "Comadre São".

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