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Parem de nos matar, dizem mulheres contra onda de feminicídios

Por Admin
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No dia 14 de fevereiro, comemora-se em diversos países o Dia de São Valentim e o Dia dos Namorados. Em Portugal a data foi marcada por protestos nas cidades de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Aveiro, motivada pelos crimes cometidos somente nesse ano de 2019 que já totalizam dez feminicídios.

“Parem de nos matar”, “Agora estamos juntas”, “Justiça machista e resistência feminista!” foram algumas das frases proferidas pelo grupo que se uniu em uma das principais ruas do Porto, a rua de Santa Catarina - que reúne turistas do mundo todo - com apitos, megafone e tambores para chamar atenção para a causa das mulheres.

A multidão percorreu as ruas da cidade passando pela Igreja dos Clérigos até os Jardins da Cordoaria e parando em frente ao Tribunal de Relação do Porto, onde protestaram contra decisões machistas dos juízes, como a que ficou conhecido como o da “sedução mútua” em que foi suspensa a pena de dois homens acusados de violarem uma mulher de 26 anos, alegando que ela seduziu ambos e culpabilizando a vítima.

Fizeram parte da manifestação mulheres das mais diversasfaixas etárias, que frisavam a necessidade de resistência e de mudança econscientização da sociedade. Helena Ferreira, investigadora e doutoranda emEstudos Culturais, ressaltou que a violência de gênero deve ser tratada comofeminicídio. “Estamos preocupadas com a porcentagem em relação à população,somos um país pequeno”, diz fazendo a comparação com o tamanho do Brasil, jáque Portugal tem uma população de 5% da população do Brasil, segundo o censo de2017.

Violênciano Namoro

O governo de Portugal lançou uma campanha contra violência no namoro, a #NamorarMemeASério para a eliminação da violência no namoro, ajudando a identificar alguns dos comportamentos que são demonstrativos de situações de violência tanto física, psicológica ou sexual.

A União deMulheres Alternativa e Resposta (UMAR) apresentou o estudo "Violência noNamoro 2019" que teve a participação de 4.938 jovens de todos os distritosportugueses, que revelou que houve um aumento da violência psicológica nosrelacionamentos afetivos. A pesquisa também mostrou que 58% dos jovens quenamoram ou namoraram dizem já ter sofrido qualquer forma de violência por partedo companheiro e que 67% acham isso natural.

A musicista ClaudiaAlves que participou da mobilização diz que está preocupada já que não percebeuma educação social e de gênero efetiva. “Fico contente de ver essa gente todana manifestação, porque é assim que a gente educa. Estamos em frente aotribunal porque teve um juiz que usou uma justificativa de adultériobaseando-se em citações bíblicas para baixar a pena de um indivíduo que matou suamulher”, explica.

GreveInternacional Feminista

O objetivo da manifestação que não estava prevista no calendário dos coletivos feministas foi quebrar o silêncio das mulheres e convidar mais adeptos para a Greve Internacional Feminista do dia 8 de março, movimento que teve origem na Espanha no ano passado. “Fomos todas atropeladas neste início do ano com as notícias de muitos feminicídios de maneira que não podíamos ficar caladas”, explica Andrea Peniche, que é coordenadora editorial e ativista da A Coletiva. Andrea destaca a preocupação com o resultado dos estudos que apontam uma naturalização da violência nos relacionamentos entre os jovens o que nos preocupa muito, ao mostrar que nas novas gerações o problema da violência não estará resolvido.

A volta das manifestações do movimento feminista e adivulgação mostra que o feminismo é muito transformador na causa que traz que éum movimento que busca os direitos iguais para homens e mulheres. Não é ummovimento de revanche.

A Greve Feminista aconteceu pela primeira vez em 2018,mas em 2019 busca mais adeptos. São cerca de 10 núcleos organizados em Portugalque tenta o apoio de movimentos sindicais para visibilizar que se as mulherespararem seus trabalhos remunerados por um dia e também suas atividadesdomésticas a sociedade irá ser impactada. “Nós mulheres somos as mais pobres,recebemos os menores salários, as menores aposentadorias, fazemos os trabalhosdomésticos, somo as responsáveis pelo cuidado das crianças, idosos e doentesnas famílias, faltamos ao trabalho, tudo isso reflete na nossa previdênciasocial. Sem falar nas mulheres que abandonam o trabalho remunerado para cuidarde alguém da família, complementa Andrea. A greve também se foca no eixoestudantil e no apelo simbólico do não consumo.

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Tags: Paraná

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