Segundo a última atualização do Painel Mpox do Ministério da Saúde, o Brasil conta com 88 casos confirmados, desses, 1 no Paraná. São Paulo concentra o maior número de confirmações (63). A situação da infecção viral no país não é considerada alarmante, já que são poucos contágios confirmados e nenhum episódio grave nos pacientes já conhecidos. Até o momento, não há registro de mortes associadas à doença em 2026, como destaca o infectologista e epidemiologista, Moacir Pires Ramos: “a transmissibilidade não é alta e esse comportamento [surtos da doença] tem acontecido assim, historicamente, desde 2022, aqui no Brasil e fora do Brasil. Embora muito reconhecida, não é um risco potencial.”
Um dos motivos apontados pelo infectologista desse “surto” do Mpox é o maior contato físico entre a população durante o período de Carnaval. Embora não seja motivo para histeria coletiva, o infectologista defende que conhecer mais sobre o estágio atual da doença e os sinais apresentados é primordial para identificar o mais breve possível que algo está errado e interromper uma eventual cadeia de transmissão.
O que é a Mpox
Com sintomas iniciais parecidos com demais viroses, como cansaço, febre, calafrios, dor de cabeça, dor no corpo, ínguas, bolhas ou feridas na pele, é uma doença causada por um vírus que pertence à família dos Ortopoxvirus, do mesmo grupo da varíola. Em casos mais graves, as lesões podem causar desfiguração, perda da capacidade de se alimentar e infecções secundárias devido às feridas.
A transmissão ocorre, principalmente, por contato prolongado (beijos, abraços, relação sexual) com secreções infectadas das vias respiratórias, feridas ou bolhas na pele da pessoa infectada; e também, porém mais raramente, com o compartilhamento de objetos contaminados recentemente com fluidos do paciente ou materiais da lesão, desde o início dos sintomas até que todas as crostas tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado.
Para casos suspeitos, o médico recomenda evitar o contato próximo com outras pessoas até o desaparecimento dos sintomas, principalmente das bolhas, e procurar uma unidade de saúde para confirmação da doença por meio de exame laboratorial e para o tratamento adequado.
Nos surtos anteriores, houve associação discriminatória da Mpox a grupos específicos, como homens que fazem sexo com homens. No entanto, o epidemiologista afirma que qualquer pessoa está suscetível ao vírus, principalmente imunossuprimidos, e que o cuidado é a principal forma de prevenção. Em 2025, foram registrados no país 1.045 casos e 3 óbitos. Os dados são do Ministério da Saúde.
Tratamento
Até o momento, não existem medicamentos aprovados especificamente para o tratamento do Mpox. Na maior parte dos casos, a infecção não requer internação, e o tratamento é focado em aliviar os sintomas e prevenir complicações. Entre as principais medidas para o tratamento encontram-se uso de analgésicos para dor, hidratação adequada e cuidado com as feridas. Mesmo ainda um tabu, no momento da triagem, o médico recomenda ao paciente com suspeita informar à equipe médica seu comportamento sexual para facilitar o diagnóstico.
Desde 2023, O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacina contra mpox tanto para prevenção quanto para uso pós-exposição, quando há contato de médio ou alto risco com pessoa infectada, mas não para a população geral. Os grupos prioritários são: pessoas convivendo com HIV, imunossuprimidos e profissionais da áreas da saúde que trabalham diretamente com Orthopoxvírus. Na pós-exposição: pessoas que tiveram contato direto com fluidos ou secreções de casos suspeitos, prováveis ou confirmados, desde que a exposição seja classificada como de médio ou alto risco.
Mudança de nome
Anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”, em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) designou o uso do termo Mpox, no lugar do antigo termo. A necessidade de mudança do nome ficou ainda mais evidente quando, em algumas regiões do Brasil, a população, preocupada com o contágio, associou a doença ao animal, entendendo que o primata era o transmissor do vírus. Foram registrados ataques aos animais, como agressões, afugentamento e até mortes.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), apesar do vírus receber a nomenclatura de varíola dos macacos, a doença não tem a participação de macacos na transmissão para seres humanos. Todas as transmissões identificadas pelas agências de saúde foram atribuídas à contaminação por transmissão entre pessoas.
Nova variante
Na última semana, a OMS identificou dois casos de uma nova variante de vírus que causa o Mpox, um da Índia e outro no Reino Unido. O Brasil não possui casos dessa nova cepa, no entanto, mesmo que já haja circulação, Ramos ressalta que a recombinação do vírus é um processo natural e os quadros observados até o momento não sugerem um problema mais grave do que aquele causado pelas variantes já conhecidas.
Como se proteger
A principal medida preventiva é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Isso inclui não tocar nas lesões nem compartilhar objetos de uso pessoal. Quando o contato é necessário – como no caso de cuidadores ou profissionais de saúde – o médico recomenda o uso de luvas, máscara, avental e proteção ocular. Pessoas infectadas devem manter isolamento imediato e não compartilhar toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente ou talheres até o fim do período de transmissão. Em perspectiva, o médico defende que a doença passará por uma cadeia curta, ou seja, proporcionalmente não deverão ser notificados muitos casos e esses não deverão ser graves.