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Oposição pede retirada do sigilo no processo do TCE que avalia a privatização da Celepar

Conselheiro Fábio Camargo pediu explicações sobre compartilhamento de dados com fundação privada do Mato Grosso do Sul

Oposição pede retirada do sigilo no processo do TCE que avalia a privatização da Celepar
A Celepar, próxima estatal que pode ser privatizada por Ratinho Júnior. Foto: Divulgação/Celepar
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A bancada de oposição na Assembleia Legislativa solicitou ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PE) a retirada do sigilo no processo sobre a privatização a Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná). O sigilo foi determinado pelo conselheiro Durval Amaral, relator da ação. O requerimento protocolado pelos deputados da oposição pede que o caso seja apreciado pelo Plenário do TCE e que a representação seja pública, mantendo em sigilo apenas informações que representem risco à segurança do Estado e da população.

A oposição argumenta que o processo de privatização exige transparência e que o caso deve ser apreciado pelo Pleno para derrubada do sigilo. “Sem o acesso a informação não há como existir uma participação qualificada da população e da sociedade civil na condução do Estado. É direito da população, legítimos destinatários da coisa pública, terem o conhecimento necessário para que possam opinar sobre a desestatização, ou não, de um ativo estatal de suma importância”, diz a representação.

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Os deputados lembraram que a Celepar presta cerca de 5 mil serviços ao governo federal, o que poderia gerar uma investigação por parte do Ministério Público Federal (MPF). Só na área da saúde, há sistemas conjuntos como o SIM (Sistema de Informação de Mortalidade), o Sinasc (Sistema de Nascidos Vivos), o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e o GAL (Gestão de Ambiente Laboratorial). Eles foram desenvolvidos pelo Ministério da Saúde e estão hospedados na Celepar.

A privatização da Celepar será debatida em duas audiências públicas neste mês. A primeira, convocada pela oposição, será na segunda-feira (15), na Assembleia. No dia 23 a venda da estatal será debatida na Câmara dos Deputados a pedido do deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR), por meio da Comissão de Direitos Humanos. O objetivo do governador Ratinho Júnior (PSD) é privatizar a companhia até o fim do ano.

Dados compartilhados com fundação privada

Na semana passada, o conselheiro do TCE-PR Fábio Camargo exigiu que o presidente da Celepar, André Gustavo Garbosa, informe quais bancos de dados foram compartilhados pela companhia com a Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura), que tinha um contrato firmado com a Casa Civil do governo de Ratinho Júnior.

Em abril, a oposição a Ratinho na Assembleia pediu a anulação da norma que autorizou o acesso da Fapec aos dados armazenados pela Celepar. Os questionamentos sobre o contrato, feito com dispensa de licitação, geraram mal-estar no governo e na base de apoio ao governador. O contrato no valor de R$ 38 milhões foi suspenso em junho.

A Fapec também tem um contrato com Secretaria de Estado da Educação (Seed) e atuou na distribuição irregular do vídeo disparado pelo governo para tentar esvaziar a greve dos professores da rede estadual, em junho do ano passado.

Na Tomada de Contas Extraordinária, Camargo determinou que a Celepar "apresente manifestação informando qual banco de dados do Estado do Paraná foi disponibilizado à Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura – FAPEC, e esclareça se a autorização dessa disponibilidade de dados foi feita pela Procuradoria Geral do Estado de responsabilidade do Sr. Luciano Borges, especificando a quem foram efetivamente fornecidos os referidos dados e com qual finalidade foi disponibilizado dados de tamanha relevância e alguns, inclusive, sigilosos”.

Leia o que já foi publicado sobre a privatização da Celepar

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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