Todos os anos, o Carnaval atrai milhões de foliões às ruas de todo o país. São semanas de festas populares, bloquinhos e desfiles espalhados de norte a sul do país, cada uma com suas características, tradições e histórias próprias. Este ano, ele acontece de 13 a 17 de Fevereiro. O Ministério do Turismo estima que as atividades devem atrair mais de 65 milhões de pessoas, dentre residentes e turistas estrangeiros, e que chegue a movimentar cerca de 18,6 bilhões de reais em todo o país.
No entanto, confetes e brilho não são as únicas coisas que o Carnaval traz. Neste período, há um aumento expressivo na disseminação de doenças e as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) tornam-se um desafio para a saúde pública.
Dados do último boletim epidemiológico do HIV/Aids mostram que o país registrou mais de 39 mil casos de infecção pelo HIV em 2024, com a maioria delas concentradas em população jovem, de 20 a 29 anos. No mesmo período, foram registrados mais de 250 mil casos de Sífilis, uma doença com tratamento simples e com cura. A Gonorreia, Clamídia, Hepatites virais, outras ISTs de alta incidência, trazem estatísticas similares: números crescentes de infecção, sendo jovens e homens representando a maioria dos casos.
O diagnóstico
Nos últimos dez anos, a onda de conservadorismo cresceu exponencialmente no Brasil e no mundo. A discussão sobre sexo é vista como tabu e a educação sexual torna-se um desafio. Os jovens iniciam sua vida sexual sem preparo, desconhecendo os perigos existentes, os recursos disponíveis para prevenção e os próprios corpos. Outros grupos de prevalência incluem mulheres trans e travestis, homens que fazem sexo com homens e pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas. Estas populações enfrentam grande estigmatização e têm dificuldade em acessar os equipamentos de saúde, sendo desproporcionalmente afetadas por HIV e outras ISTs.
Os índices epidemiológicos comprovam o que a bússola política aponta, os jovens e a comunidade LGBTI+ estão mais suscetíveis a Infecções Sexualmente Transmissíveis e não dispõem do conhecimento necessário para se prevenir e enfrentam barreiras ao buscar tratamento.
É importante lembrar que o Brasil já foi referência mundial no combate ao HIV, tendo sido o primeiro país no mundo a garantir acesso abrangente à toda a população aos Antirretrovirais, os medicamentos que tratam o HIV, além de ter campanhas firmes de prevenção, distribuição de preservativos e agulhas descartáveis. Essas políticas não afetaram apenas o combate ao HIV, mas às outras ISTs como um todo.
Hoje, o SUS (Sistema Único de Saúde), por meio do Ministério da Saúde e do DATHI (Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e ISTs), continua a oferecer o tratamento para todas as pessoas que vivem com HIV, além de articular a testagem e prevenção para ISTs.
Neste ano, a prevenção também invade os bloquinhos de Curitiba
Para se proteger no Carnaval, e também no resto do ano, é importante usar preservativos em todas as relações sexuais, deixe ela sempre disponível no bolso ou na doleira. O gel lubrificante também é um aliado na proteção e pode ser usado junto ao preservativo. Realize o teste rápido das ISTs e a imunização para Hepatite A, B e HPV. Considere o uso da PrEP, a medicação preventiva para HIV, ela está disponível para toda a população.
Toda a população pode receber gratuitamente em unidades básicas de saúde (UBS e US) e em centros especializados (CTAs):
- Orientação e acompanhamento para pessoas que vivem com HIV
- Testagem para ISTs e distribuição autoteste para HIV.
- Preservativos internos e externos (comum, texturizado e sensitive)
- Gel lubrificante
- Vacinação para HPV, Hepatite A e Hepatite B
- PEP e PrEP
O COA (Centro de Orientação e Aconselhamento) é o centro especializado de referência em Curitiba e opera na Rua do Rosário, 144, no bairro São Francisco. Ele oferece orientação, testagem rápida, autoteste para HIV, preservativos, PEP e PrEP.
O Grupo Dignidade realiza ações de distribuição de material preventivo com o Blokin da Prevenção de sexta a domingo até o fim do Carnaval. A iniciativa atua em bloquinhos de rua de Curitiba, distribuindo preservativos e gel lubrificante. Em 2026, o Blokin da Prevenção conta com o apoio de dois projetos:
O Projeto Saúde Plena realiza ações de formação para prevenção de ISTs, incentivo à testagem, vacinação, distribuição de preservativos e autotestes à população jovem e comunidade LGBTI+ de Curitiba e Região Metropolitana.
O Aye Wa Ni Àlàáfià realiza ações de saúde sexual e prevenção a ISTs em terreiros em Curitiba e Região metropolitana, levando informação e diálogo à estas populações.
Precisamos falar sobre sexo
Quando falar de sexo se torna tabu, o silêncio passa a ser sintoma de uma sociedade disfuncional.
O combate ao HIV e outras ISTs exige uma articulação em várias frentes, que envolve governos e sociedade civil. Ações de conscientização, disseminação da informação e a educação sexual são fundamentais, mas é preciso ir além: combater estigmas e condições que contribuam para a vulnerabilidade de determinados grupos, como racismo, machismo e LGBTfobia. Falar sobre é o primeiro passo.