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Mulher descobre um amigo improvável em “Minhas férias com Patrick”

Atriz Laure Calamy é a razão de ser dessa comédia francesa que fala sobre a amizade inusitada entre uma mulher e um burro de carga

Mulher descobre um amigo improvável em “Minhas férias com Patrick”
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Em "Minhas férias com Patrick", Antoinette tem um amante. E ele é pai de uma menina que, para complicar, é uma de suas alunas. Na verdade, ela conheceu Vladimir, o amante, numa das vezes em que ele foi buscar a filha na escola. O caso parece estar rolando há algum tempo e os dois combinaram de fazer uma viagem de férias.

Acontece que Vladimir dá o cano em Antoinette. Porque ele tem de fazer uma viagem com a esposa e a filha pelas Cevenas. Uma região linda para quem gostar de caminhar, com trilhas de dezenas de quilômetros, o lugar é um ponto turístico concorrido e famoso também na literatura. No século 19, Robert Louis Stevenson, o autor de “O médico e o monstro”, encarou uma viagem pela região e depois escreveu “Viagem com um burro pelas Cavenas” (publicado no Brasil pela Carambaia).

Na época de Stevenson, a ajuda do burro era fundamental porque as traquitanas todas que precisam ser carregadas para sobreviver às trilhas pesavam muito. Hoje, roupas e equipamentos se tornaram muito mais leves e os caminhantes preferem colocar um mochilão nas costas e abrir mão do burro. Por um motivo simples: o burro é uma animal difícil.

Sim, ele carrega todo o peso. Mas, em compensação, parece caminhar no ritmo que bem entende e, quando resolve empacar, um abraço. Não há nada que faça o bicho sair do lugar.

Viagem com um burro pelas Cevenas

Indignada por ter sido preterida – mais uma vez –, Antoinette resolve fazer a pior coisa que ela podia fazer: fazer a sua viagem férias também para Cevenas. Sim, ela quer estar no mesmo lugar em que o amante estará com a família, nos mesmos dias em que ele estará lá com a família. É um desastre anunciado.

Como não entende rigorosamente nada sobre caminhadas, trilhas e Cevenas, a primeira coisa que Antoinette faz ao chegar no lugar é alugar um burro para carregar as suas coisas (depois ela descobre que ninguém – ou quase ninguém – faz isso em pleno século 21). Porém, essa decisão mal informada vai mudar a vida de Antoinette.

O nome do burro é Patrick e, tão certo quanto o dia vem depois da noite, o burro dificulta muito toda o lance de caminhar pelas trilhas. O amante ainda não chegou com a família – ele mentiu para Antoinette sobre a data da viagem – e isso dá um ou dois dias para ela se aclimatar, conhecer outros caminhantes e até contar sua história para eles durante um jantar bem constrangedor.

A atriz Laure Calamy, protagonista de "Minhas férias com Patrick". (Foto: Divulgação)

"Minhas férias com Patrick"

Isso tudo é a base que sustenta a ação de “Minhas férias com Patrick”. O mais importante na história é a amizade dela com o burro. Porém, é importante ter em mente que o filme não tem quase nada a ver com o típico filme de bicho. E o típico filme de bicho é quase sempre com cachorro e quase sempre feito nos Estados Unidos.

A diretora Caroline Vignal, que também escreveu o roteiro, não antropomorfiza o burro, não trata o bicho como se ele fosse gente. Assim como Antoinette também não (embora ela goste de falar com o burro). Essa é uma grande qualidade do filme. Além disso, burros não são cachorros e as possibilidades de interação com humanos são bem menos numerosas.

“Minhas férias com Patrick” tem uma arma secreta e o nome dela é Laure Calamy, a atriz que interpreta Antoinette Lapouge. Carismática e bem-humorada, ela é mais conhecida talvez pela série “Dix pour cent”, na Netflix. Calamy dá leveza ao filme e, imagine, consegue contracenar com um burro e sair com a dignidade intacta. Não é para qualquer uma, nem para qualquer um.

Onde assistir

“Minhas férias com Patrick” acabou de estrear na MUBI.

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