O Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral, instaurou uma notícia de fato que poderá levar a uma investigação mais profunda das denúncias de supostas irregularidades na Sanepar, a Companhia de Saneamento do Paraná. Áudios divulgados desde dezembro mostram a suposta prática de "rachadinha" na empresa que teriam como objetivo cobrir um rombo da campanha à reeleição do governador Ratinho Júnior (PSD) em 2022.
A denúncia ao MPF foi feita pelos deputados estaduais Arison Chiorato, presidente do PT-PR, e Requião Filho (PDT). As gravações, que circularam nas redes sociais e em sites de notícias do Paraná, mostram uma suposta arrecadação entre funcionários da companhia para cobrir um rombo de cerca de R$ 4 milhões na campanha de Ratinho Júnior. O valor coincide com o déficit na campanha de Ratinho, segundo o sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral TSE).

Em novo áudio divulgado no início deste mês, uma pessoa que supostamente trabalha na Casa Civil do governo diz que o presidente da Sanepar, Cláudio Stabile, chantageou Ratinho Junior para permanecer no cargo. Em outra gravação, uma pessoa não identificada diz que vai "chutar o pau da barraca" e denunciar casos de corrupção por não ter sido nomeado para um cargo, depois de contribuir para uma campanha eleitoral.
Chiorato e Requião Filho também protocolaram representações na Polícia Federal (PF), no Ministério Público do Paraná (MP-PR), no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os parlamentares também enviaram pedido de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Eles solicitaram dados sobre contratos, nomeações, exonerações e providências adotadas pelo governo estadual diante das denúncias.