Participantes dos concursos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros realizados no ano passado farão um ato no próximo domingo (3 de maio), a partir das 10 horas, na frente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para pedir que o Governo de Ratinho Jr (PSD) convoque cerca de 2,6 mil habilitados na Prova Objetiva e Discursiva. Em janeiro, o governo anunciou que dobraria o número de contratados em relação ao previsto nos editais, o que ainda não ocorreu.
O concurso da PM previa a contratação de 2 mil soldados e as provas foram realizadas em junho de 2025. Em janeiro deste ano, o governo informou que Ratinho Jr havia autorizado a ampliação e que seriam convocados 4.090 candidatos (4 mil soldados e 90 cadetes), mais que o dobro do previsto no edital publicado em março de 2025. Mas, no dia 27 de março, a PM divulgou o edital com a aprovação de apenas 2.583 candidatos.
Segundo a Comissão de Candidatos Aprovados na Prova Objetiva e Discursiva, 6.041 participantes foram qualificados no exame e 2.635 foram eliminados por um item quantitativo previsto no edital. Outros 3.148 foram aprovados no Exame de Capacidade Física (Ecafi) 3.052 na Avaliação Psicológica. Os habilitados pedem a revogação da cláusula de barreira, como já aconteceu em um concurso realizado no Ceará.
O déficit no quadro de pessoal da PM, de acordo com a Comissão, é de 15 mil policiais. "O efetivo previsto em legislação estadual é superior ao número de policiais atualmente em atividade, caracterizando insuficiência estrutural de recursos humanos, fato que compromete a eficiência do serviço público e o atendimento adequado das demandas sociais relacionadas à segurança pública", diz ofício enviado pela Comissão ao governo.
Já o concurso para o Corpo de Bombeiros previa a convocação de 600 profissionais. Em janeiro, o governo anunciou que seriam contratados 1,2 mil soldados e 30 oficiais, o que ainda não ocorreu. A Comissão informou que aproximadamente 3,3 mil candidatos tiveram suas redações corrigidas, mas não foram chamados para o Teste de Aptidão Física (TAF).
A Comissão pede a ampliação do quantitativo de candidatos convocados para o TAF, reavaliação administrativa das limitações quantitativas previstas no edital e a convocação dos candidatos remanescentes que tiveram as redações corrigidas, com respeito à ordem de classificação.
"O governo vai fazer um novo concurso, com mais gastos", afirmou ao Plural um participante do movimento que fez o concurso da PM. "Candidatos que tiveram a nota mínima na prova objetiva e conseguiram ter a redação corrigida ainda não foram chamados para o TAF. Foi prometido que seriam chamados 4 mil, mas isso não foi feito. O governo respondeu que poderia enfrentar processos. Agora vão assumir 2,5 mil soldados, mas o número deverá ser menor".
Procurada pelo Plural, a assessoria da PM afirmou que não há previsão para a realização de um novo concurso e que o assunto está sendo avaliado pelo governo.
Em janeiro, o governo se comprometeu ainda a aumentar de 400 para 1.726 o número de aprovados no concurso para a Polícia Civil (331% a mais em relação ao número inicialmente previsto); de 46 para 512 os profissionais da Polícia Científica (1.013% a mais em relação à previsão inicial); e de sete para 98 policias penais até o fim deste ano, com previsão total de 507 vagas.