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Motivos para ir ao cinema

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Sei que ir ao cinema pode ser difícil. Porque as pessoas ficam mexendo no celular, conversando alto, tossindo e… mexendo no celular. Se você considerar o valor do ingresso (quase sempre alto) e a crocância da pipoca (quase sempre baixa), melhor ficar em casa e ver alguma coisa no streaming.

Porém, de vez em quando, surge um filme na programação de cinema que faz você relevar os problemas e sair de casa. Ou, melhor ainda, surge um festival de filmes. Esse é o caso do ​Festival Varilux de Cinema Francês​, que exibe 20 filmes inéditos no circuito nacional a partir desta quarta-feira (7) e até o dia 20. O site do evento é bem organizado e você pode fazer pesquisas por cidade, cinema e filme, e descobrir os horários das sessões.

Em Curitiba, o festival ocupa salas do Cine Passeio, do Cineplex do Shopping Novo Batel e no Cinépolis do Pátio Batel.

Vinte filmes é bastante coisa e a seleção abarca desde produções que passaram pelo Festival de Cannes (como “A Favorita do Rei”) até o cinema mais comercial da França (“Mega Cena”). Tem até um filme feito para a tevê sobre o nascimento do impressionismo (“1874”) e uma animação (“Selvagens”).

Da impossibilidade de ver 20, fiz uma lista com 4 filmes que parecem valer a pena. A seguir, explico por que esses títulos merecem atenção.

1. “O Conde de Monte Cristo”

Se você tiver de escolher só um filme do festival, esse aqui é um bom candidato. Não só porque adapta o clássico de Alexandre Dumas, o pai, mas porque é escrito e dirigido pela dupla Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte. Os dois sabem criar diálogos como ninguém e têm talento para escolher as atrizes e os atores certos para cada papel.

Eles fizeram “Qual é o nome do bebê?” (2012), uma comédia genial sobre um sujeito que decide batizar o filho de Adolphe e causa a fúria do cunhado intelectual, que imediatamente vê no nome uma referência a Adolf Hitler.

De La Patellière e Delaporte também trabalham bem com astros franceses e, em 2019, colocaram Fabrice Luchini para contracenar com Patrick Bruel em outra comédia: “O melhor está por vir” (2019), sobre como dois amigos lidam com um diagnóstico terrível (se você ainda não viu, está disponível no Amazon Prime Video e é bem divertido).

Nessa nova versão de “O Conde de Monte Cristo”, o papel principal é de Pierre Niney, um daqueles atores que sempre aparecem creditados como “de la Comédie Française”, numa referência ao teatro estatal da França. Por questões contratuais, todos os atores que fazem parte da trupe, conhecida como “a companhia de Molière” e uma das mais importantes da França, precisam de autorização para fazer filmes – e as produções devem dar o devido crédito ao teatro.

Niney ficou famoso por interpretar o estilista Yves Saint-Laurent numa cinebiografia lançada em 2014.

2. "A História de Souleymane"

Exibido na mostra paralela do Festival de Cannes 2024, levou o prêmio do júri e o de melhor ator para Abou Sangaré.

Na história, Souleymane é um imigrante que busca asilo na França. Enquanto espera pela entrevista que pode definir seu futuro, ele tenta sobreviver como entregador em Paris, trabalhando de bicicleta.

Como curiosidade, junto de “O Conde de Monte Cristo”, “A História de Souleymane” é o filme mais bem avaliado pela crítica especializada em toda a lista do Festival Varilux.

3. "O Segundo Ato" e 4. “Daaaaaalí!”

Quentin Dupieux é uma das figuras mais divertidas do cinema francês atual. Ele tem uma queda por histórias que beiram o absurdo e quase sempre se concentram em uma situação específica – como uma apresentação de teatro ou um jantar. Seus filmes são esquisitos, simpáticos e relativamente curtos (os três últimos têm pouco mais de uma hora de duração cada um).

O Festival Varilux vai exibir seus dois trabalhos mais recentes. Em “Daaaaaalí!” (o título original usa a letra A seis vezes), um jornalista francês pretende fazer um documentário sobre Salvador Dalí e encontra o pintor várias vezes. Em cada uma delas, um ator diferente interpreta Dalí.

“O Segundo Ato” concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2024 e perdeu. Na história, quatro personagens ligados entre si se reúnem para jantar em um restaurante “no meio do nada”, como diz a sinopse. Já o elenco dá a medida do poder de fogo de Dupieux: Louis Garrel, Vincent Lindon e Léa Seydoux.

O quarto elemento do elenco é Raphaël Quenard, um ator ótimo que ainda não é muito conhecido fora da França. Com Dupieux, ele fez antes “Yannick” (2023), disponível na MUBI, que funciona como uma boa introdução ao estilo do diretor e tem uma premissa impagável: a certa altura de uma peça de teatro, um homem no meio do público interrompe a apresentação indignado com o fato de ter usado seu dia de folga e o pouco dinheiro que tinha para ver um espetáculo que julga ser extremamente chato.

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Outras informações sobre o Festival Varilux, inclusive os horários das sessões, no site do evento (​aqui​).

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Na foto que abre a newsletter: Abou Sangaré, em cena de “A História de Souleymane”. (Foto: Divulgação)

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Tags: Singular

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