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Marie-Pierre Kakoma, da banda Lous and the Yakuza, tem uma voz belíssima

Inspirada pela soul music, congolesa radicada na Bélgica canta em francês sobre as dificuldades da vida

Marie-Pierre Kakoma, da banda Lous and the Yakuza, tem uma voz belíssima
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Ela é uma congolesa radicada na Bélgica que canta em francês. Marie-Pierre Kakoma tem uma voz grave, quase rouca, ao mesmo tempo potente e suave. E ela tem um flow impressionante. O flow tem a ver com rimas meio faladas, meio cantadas, numa canção de hip-hop. Kakoma se apresenta com o nome artístico de Lous (anagrama de soul, alma, mas também uma referência à soul music, uma fonte de inspiração). E Yakuza, uma referência à máfia japonesa, é a banda de amigos que toca com ela. Daí: Lous and the Yakuza.

Lous tem uma articulação peculiar, que soa extremamente clara mesmo quando ela fala-canta muito rápido. Nunca o francês foi tão… sedutor. (E olha que francês tem fama de ser, por si só, bem sedutor.) Experimente ver/ouvir a apresentação que Lous and the Yakuza fez na National Public Radio (NPR), a rádio pública dos Estados Unidos (o vídeo, a seguir). O show é de janeiro do ano passado.

https://youtu.be/dzgEjZyN9ec

Lous and the Yakuza

Lous and the Yakuza apresentam cinco músicas, uma melhor do que a outra. Com um pé no R&B e outro no pop, eles começam com “Dilemme”, o primeiro sucesso da banda. O clima é tranquilo, com batida sutil e pianinho. Três cantoras cuidam dos backing vocals e elas sozinhas poderiam segurar a banda, mesmo que não houvesse instrumento nenhum.

As letras de “Dilemme”, assim como de outras canções, falam de experiências pessoais de Lous/Kakoma, que tem hoje 26 anos. Falam da falta de dinheiro, da vontade de se isolar do mundo para não se incomodar com os problemas que as pessoas criam, mesmo as mais próximas e mais amadas.

No mesmo show, “Solo” é linda. A impressão é de que você poderia passar muito tempo ouvindo Lous cantando, falando e cantando mais um pouco.

Biografia

A própria Kakoma diz, a certa altura da apresentação, que sua vida foi marcada pela pobreza. Alguns textos biográficos pela internet contam que ela teria vindo de uma família privilegiada, com pai e mãe médicos. Os mesmos pais que a teriam expulsado de casa aos 19 anos como castigo por ela querer ser artista em vez de médica.

Depois de anos enfrentando perrengues, ela conseguiu gravar dezenas de músicas e, eventualmente, foi descoberta por um agente. O primeiro ponto de virada na sua carreira foi “Dilemme”. O segundo veio quando o produtor El Guincho, o mesmo que trabalha com Rosalía, topou produzir o primeiro álbum de Lous and the Yakuza, “Gore”.

A banda Lous and the Yakuza, que acaba de lançar o single “Monsters”. (Foto: Reprodução/YouTube)

“Tiny Desk Concert”

Se você buscar as músicas de estúdio da banda, talvez tenha a impressão de que elas parecem ligeiramente mais eletrônicas, mais aceleradas e até dançantes. Bem diferente do que se ouve na NPR. Mas isso é algo típico do “Tiny Desk Concert”, o programa da NPR que registra as bandas ao vivo.

As apresentações ali são sempre muito boas e às vezes diferentes em relação aos trabalhos de estúdio. O espaço reduzido e o clima íntimo, os instrumentos acústicos (em alguns casos) acabam criando um ambiente favorável para versões únicas das canções.

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