Organizadores da 7ª Parada Cultural LGBTQIA+ de Londrina anunciaram hoje (29) o adiamento, por uma semana, do evento que aconteceria amanhã, após dias de negociações com órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Paraná, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Guarda Municipal e 20ª Promotoria de Justiça de Londrina. A produtora FLAPT!, organizadora do evento em parceria com a ONG D.O.C.Ê., também anunciou o retorno da Parada ao formato de passeata pelas ruas , no próximo dia 7 de dezembro.
A expectativa era realizar o evento, pela terceira vez, no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa, conhecido como Buracão. O local é considerado pela Promotoria de Justiça como "ambientalmente sensível". As exigências de segurança - dentre elas a contratação de 22 brigadistas - foram consideradas inatingíveis pela organização. A reportagem apurou que, em reunião ao longo da semana, forças de segurança teriam afirmado que não poderiam garantir a segurança dos 22 mil participantes esperados.
Na nota enviada à imprensa, a organização diz que o adiamento é uma medida necessária "pensando na segurança dos esperados 22 mil manifestantes esperados, além da preservação do local."
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CDH aponta cerceamento de direitos
Ao longo da semana, diante da polêmica sobre a realização do evento no CSU, o Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina emitiu nota no qual aponta cerceamento da liberdade da manifestação popular.
"O CDH expressa seu repúdio às tentativas de intimidação, opressão e cerceamento que a Parada vem enfrentando. Infelizmente, esse cenário não é novo: Londrina tem acumulado episódios preocupantes de restrição à cultura popular, principalmente quando organizada por pessoas LGBTQIAPN+ ou por coletivos periféricos.", aponta o Centro, que compara a situação ao fim do Carnaval de rua público na cidade.
"A cidade que tanto se autoproclama plural e universitária também é, ao mesmo tempo, a que cancela festas de carnaval, corta investimentos em políticas públicas, dificulta o acesso de artistas periféricos a equipamentos públicos e tenta silenciar manifestações culturais que não se encaixam em uma visão conservadora, elitista e excludente de cidade."
Parada cita direito constitucional
Na nota em que anunciou o adiamento, a organização da Parada Cultural LGBTQIA+ destaca que "A manifestação, além de ser uma celebração pela vida de pessoas LGBTQIA+, reforça a luta por direitos de uma comunidade que diariamente vive com o preconceito e a discriminação".
"O tema 'A diversidade faz a cidade!',reflete uma percepção importante para a cidade: a participação de pessoas LGBTQIA+ dentro da economia, cultural, saúde e política londrinense.", aponta a nota.
A opção por retomar o formato de passeata se baseia no Direito Constitucional à livre manifestação, mencionado pela organização: "todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente."
As informações sobre trajeto, horário e programação ainda serão divulgadas.