Pular para o conteúdo

Centro Cultural Kaingang sofre segundo incêndio em menos de 6 meses

Famílias pedem doação para reconstruir as sete moradias destruídas no último sábado; saiba como ajudar

Centro Cultural Kaingang sofre segundo incêndio em menos de 6 meses
Incêndio em Londrina destrói Centro Cultural de Indígenas Kaingang | Foto: Filipe Barbosa
Publicado:

Um incêndio destruiu moradias no Centro Cultural Kaingang Vãre, localizado às margens da Avenida Dez de Dezembro, em Londrina, no último sábado (19). Ninguém se feriu. A maior parte das famílias estava fora do local para acompanhar festividades alusivas ao Dia dos Povos Indígenas nos territórios. A perda material foi completa nas sete moradias.

Para reconstruí-las, os indígenas pedem madeira, tábuas, madeirites, caibros, ripas e um trator que possa fazer a limpeza da área. Quem quiser contribuir em dinheiro, pode fazer um PIX em nome do vice-cacique Renato Kriri pela chave 43996633942.

O cacique explica que comida é outra urgência no momento. “A gente precisa comer todo dia e eles perderam tudo”.

Não é a primeira vez

Esse foi o segundo incêndio no Centro Cultural Kaingang de Londrina em menos de seis meses. Em dezembro de 2025, duas moradias foram atingidas pelo fogo após um curto circuito. Desde 2021, ao menos outras três ocorrências semelhantes causaram perdas materiais: em agosto daquele ano, seis moradias foram destruídas; em julho de 2023, duas e em abril de 2024, outras duas casas.

As causas das ocorrências quase sempre passam por instalações elétricas improvisadas. Os barracos erguidos à beira de fundo de vale não contam com saneamento ou fornecimento de energia elétrica.

“A gente tem levantado os barracos, mas não com apoio do poder público, com companheiros de luta que sentem amor por essas pessoas, como humanos que precisam. Esse povo indígena que está aqui precisa de um atendimento melhor como povo originário do país, eles não vieram de outro país”, declara Kriri.

Centro Cultural foi inaugurado em 1999. Foto: Filipe Barbosa

Luta e permanência

Cerca de 35 famílias vivem, atualmente, no Centro Cultural Kaingang em Londrina. O local foi fundado em 1999, na gestão do prefeito Antonio Belinati, como um abrigo para os Kaingang nos períodos em que permaneciam na zona urbana para a venda de artesanato. Com o tempo, muitas famílias passaram a ficar de forma definitiva na cidade, erguendo os barracos para poder morar.

Quase 30 anos depois, a realidade dos povos indígenas é outra, conta o vice-cacique. “Aqui já tem gente indígena trabalhando em mercado, alguns em jardinagem, outros na construção, outros por diária, artesanato – a única fonte de renda pra alguns deles”, detalha.

“A sociedade pensa que os indígenas estão aqui e não faz nada, só fica pedindo, comendo coisa que ganham. Mas em vez de conhecer bem a comunidade, eles ficam falando sem saber, sem conhecer. A comunidade fica chateada, porque os indígenas conhecem também o direito deles e sabem que eles não estão vagabundeando”.

O local é alvo de um processo de reintegração de posse pelo município, mas Kriri defende que a melhor saída seria o reconhecimento como área indígena.

“Os Kaingang e os Guarani têm história na cidade de Londrina, mas não são reconhecidos como direito e como humano. Estão fazendo de conta que não tem indígena aí. Mas os indígenas respeitam. Estou há nove anos aqui e nunca veio um delegado dizer que tem indígena preso porque roubou. Então eu tiro o chapéu pra minha comunidade, pro meu povo, são um povo de respeito e querem ser respeitados também”, finaliza.

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

Todos os artigos

Mais em londrina

Ver todos

Mais de Cecília França

Ver todos

De nossos parceiros