Vários episódios do programa “Café Com Cristo”, um podcast produzido pela 1ª Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) de Paranaguá e comandado pela missionária Valdelice Lacerda, estão disponíveis em plataforma de vídeos online. De acordo com informações da própria página do programa, as transmissões ocorriam ao vivo pelas redes sociais, direto de um estúdio instalado na própria igreja, todas às quintas-feiras, às 8h.
Todo o material audiovisual já foi inserido e protocolado na denúncia já existente no MPPR em nome da funcionária pública e também da secretária da fazenda de Paranaguá.
Os programas disponíveis na plataforma são de 2025. Porém, as denúncias protocoladas no Ministério Público do Paraná (MPPR) citam um vídeo que mostra a servidora pública deixando a sede da 1ª IEQ em uma quinta-feira do mês passado, por volta das 10h, após uma edição matinal do podcast. O horário coincide com o expediente da Secretaria Municipal da Fazenda e Orçamento, órgão onde a servidora é lotada.
A denúncia
De acordo com a denúncia, toda quinta-feira a funcionária registra o ponto biométrico às 7h20 e deixa o local de trabalho para atuar na 1ª IEQ, no bairro Raia. A ausência duraria aproximadamente três horas, um período que deveria levantar desconfiança da sua gestora, a secretária da fazenda, Veronica Marodim Marques.
Em virtude disso, a secretária da fazenda pode ter dado anuência as irregularidades no controle de frequência da servidora da pasta. A avaliação consta em análise do caso que aponta falhas na fiscalização do ponto biométrico, já que o registro de ponto eletrônico exige a emissão de relatórios mensais. Para validar a folha de pagamento, a gestora da pasta precisa assinar os documentos.
A queixa protocolada aponta que a prática não é recente. O levantamento teve início quando a servidora participava de um programa ao vivo na Rádio Aliança, no bairro Alvorada, também em horário de expediente, e que se ausentava durante duas vezes na semana, às quartas e quintas-feiras.
Consequências
Se confirmada a omissão, Veronica Marodim Marques pode responder nas esferas administrativa, penal e de controle externo. A Lei de Improbidade Administrativa prevê sanções para agentes públicos que deixam de praticar ato de ofício. No âmbito penal, o pagamento de salário sem a devida contraprestação, com ciência da chefia, pode configurar peculato. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) também costuma responsabilizar gestores por dano ao erário em casos de negligência na fiscalização de frequência.
Sem resposta
A Prefeitura de Paranaguá foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o caso, e tão pouco tomou qualquer medida administrativa com relação a servidora pública Valdelice Lacerda ou a secretária da fazenda Veronica Marodim.
A reportagem também procurou o superintendente regional da 1ª IEQ, Rogério Palma, mas não obteve um posicionamento sobre o assunto.