Três pessoas morreram afogadas no litoral do Paraná em incidentes distintos, mas ligadas por um mesmo fator. Os óbitos nas praias paranaense nas últimas semanas ocorreram em locais sem a presença de guarda-vidas civis ou militares. A falta de profissionais em áreas de risco pode ter contribuído para o aumento do número de acidentes e vítimas fatais.
Luiz Carlos Desiombra, 43 anos, morador de Ponta Grossa, foi vítima de afogamento no dia 28 de fevereiro e socorrido por populares ainda no local. Ele foi levado com vida ao Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, mas não resistiu e faleceu no dia 08. O acidente ocorreu próximo ao posto de guarda-vidas no Balneário Leblon, em Pontal do Paraná.
Gabriel de Oliveira do Amaral, 17 anos, morador de Pontal do Paraná, foi levado pela correnteza na terça-feira (03) à tarde após entrar no mar. O corpo foi encontrado na sexta-feira (06) à noite, em Matinhos, quase em frente ao posto de guarda-vidas do Balneário Marissol.
Pamela Lenz Gottardi, 21 anos, estudante de Engenharia Civil na UFPR, surfava na região da Praia Grande, na Ilha do Mel, quando a correnteza arrastou ela e outro surfista, um adolescente de 17 anos. As equipes de resgate conseguiram localizar o rapaz, que foi retirado do mar com vida após uma ação que mobilizou guarda-vidas civis, equipes do Corpo de Bombeiros e a tripulação do helicóptero Arcanjo 01, do Comando de Aviação da Polícia Militar do Paraná. Apesar dos esforços, Pamela não resistiu.
Tragédia Anunciada
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) tinha conhecimento de que haveria um movimento atípico na Praia Grande, na Ilha do Mel, no final de semana em que ocorreu a tragédia com a estudante Pamela Lenz Gottardi. Um grupo de mensagens entre guarda-vidas civis e militares revelou que o comando solicitou reforço nas rondas no local.
"Neste final de semana, teremos evento na Praia Grande. A pedido do Comando, será necessário reforçar as rondas no local", dizia o aviso.
Os guarda-vidas questionaram sobre a disponibilidade de materiais, como placas e bandeiras, e o Major Éverton, um dos responsáveis pela distribuição dos postos, respondeu que os itens estavam no Posto Guarda-Vidas (PGV) Praia de Fora, mas que os da praia de Grajagan haviam sido recolhidos.
Após a confirmação do óbito de Pamela, o Cabo Marcelo lamentou o episódio e pediu reforço no efetivo para mais postos em eventos com grande público. "Seria interessante por parte do comando tentar conseguir um efetivo maior para que seja montado mais postos na ilha, principalmente quando já se tem o conhecimento de algum evento ou de algo que traga mais público do que o normal", disse o Cabo Marcelo.
Espectadores da tragédia
O incidente ocorrido na Praia Grande, na Ilha do Mel, que resultou na morte de uma pessoa, gerou revolta e questionamentos sobre a organização e distribuição das equipes de guarda-vidas na região.
De acordo com o dono de pousada local que não quis se identificar, o posto de guarda-vidas onde a estudante Pamela Lenz Gottardi foi vítima de afogamento estava fechado e sem profissionais de plantão.
De acordo com o empresário, a Praia Grande recebeu cerca de 200 pessoas no momento do acidente e permaneceu sem assistência, enquanto o posto da Praia de Fora, outro local da Ilha, contava com três ou quatro guarda-vidas. A situação é considerada inaceitável, especialmente em uma área com grande fluxo de pessoas. A comunidade espera respostas e ações efetivas para garantir a segurança na Praia Grande e evitar que incidentes como esse se repitam.
“Esperamos que esse episódio seja apurado com a devida seriedade e que providências sejam tomadas para garantir que todos os postos estejam minimamente atendidos, evitando que novas tragédias como tantas que infelizmente já presenciamos, voltem a ocorrer”, disse o empresário.