A Ilha do Mel, localizada no Litoral do Paraná, está se preparando para receber um aumento significativo de turistas em breve. Isso porque o novo marco regulatório da ilha, aprovado pelos deputados estaduais, define que o limite diário de visitantes de 5 para 11 mil.
No final do ano passado, o Governo do Estado realizou contrato com uma empresa especializada no ramo de ingressos, a Consórcio Ilha do Mel, representada pela Imply Rental, vencedora do processo licitatório. De acordo com o governo, o investimento será de R$ 9,9 milhões com a implantação de um sistema de monitoramento e ordenamento de fluxo dos turistas na região.
Além disso, há o compromisso para a implantação de plataforma digital de acesso e bilhetagem, equipamentos de controle físico, painéis informativos, Infraestrutura de monitoramento e operação contínua. Hoje, o controle ainda é feito de forma manual, mas com o novo sistema, o compromisso é que essa gestão fique mais precisa.
Porém, os moradores da ilha expressam preocupações sobre os impactos desse aumento na infraestrutura e no meio ambiente da região. Um morador nativo que não quis se identificar, considera o aumento uma boa notícia, desde que sejam feitas melhorias significativas na infraestrutura. “Tendo estrutura, acho uma boa ideia, mas precisa melhorar bastante coisa na nossa região”, disse ele.
Entre as principais preocupações do morador estão saneamento básico, coleta seletiva, segurança e infraestrutura para atender esse aumento de turistas. “O saneamento básico até já está sendo implantado, mas precisa melhor muito na coleta seletiva e banheiros para os turistas, assim como a segurança”, afirmou.
No entanto, o morador que também é dono de pousada, é contrária ao excesso de iluminação na ilha, pois acredita que isso pode prejudicar a experiência natural e a escuridão das trilhas. “A Iluminação precisa ser feita com moderação, pois a essência da ilha é as trilhas escuras ou com a própria luz dos comércios”, explicou.
O morador alertou para a importância dos turistas respeitarem a comunidade local e o meio ambiente. De acordo com ele, alguns visitantes se comportam de forma inadequada, ignorando os princípios e costumes da ilha. “É preciso ter respeito com a comunidade local, às vezes sinto que os turistas chegam na Ilha e acham que ali é terra de ninguém, se comportam como se pudessem fazer o que quiser”, afirmou o morador.
Para a microempresária Juliana Tavares, que mora e trabalha na Ilha do Mel, acredita que a medida pode ser benéfica para o comércio local, desde que as regulamentações acordadas com os órgãos estaduais sejam seguidas à risca. "A Ilha do Mel não é o nosso lugar de veraneio, é a nossa casa. É preciso que as pessoas que visitam a região tenham a consciência que este ainda é um lugar nativo e que precisa ser preservado", declarou.
Para Juliana, é fundamental que os turistas sejam conscientes do impacto que suas ações podem ter na ilha e que respeitem as regras estabelecidas para preservar a beleza natural e a tranquilidade do local. "Queremos que os visitantes se sintam bem, mas também queremos que respeitem nosso lar", acrescentou.
As declarações dos moradores refletem as preocupações da comunidade em relação ao aumento do turismo na ilha e os impactos que isso pode ter na qualidade de vida dos residentes e no meio ambiente. A Ilha do Mel é um destino turístico popular, conhecido por suas praias, trilhas e vida noturna, mas os moradores buscam equilibrar o desenvolvimento turístico com a preservação da cultura e do meio ambiente local.
Barca para a Ilha do Mel
O acesso até a Ilha do Mel continuará inalterado, apesar do novo sistema de gestão. Os turistas podem chegar à ilha por meio de embarcações que partem de Paranaguá e do balneário Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.
De acordo com a Associação de Barqueiros do Litoral Norte (Abaline), 383.162 passageiros embarcaram para a ilha no ano passado. A Abaline é a empresa oficial que realiza o há décadas.
Para atender a esta demanda, a Abaline aumentou a frequência das barcas em dezembro e seguirá assim até o carnaval, principalmente durante o verão, quando o fluxo de passageiros é maior. As embarcações fazem o trajeto até as praias de Encantadas e Nova Brasília.