O montanhista parnanguara Cristiano Cardoso Júnior foi um dos três voluntários que participaram das equipes de busca ao jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, no Pico Paraná. No sábado (03), Cristiano, além de Jonathan Ubiratan Santos da Paixão e Cleverson Cunha Scardueli, juntou-se às equipes táticas e iniciaram as tentativas de encontrar Roberto, que já estava no terceiro dia desaparecido.
Para Cristiano, a principal motivação que levou os três montanhistas profissionais a contribuir nas buscas foi a empatia. “Assim que soubemos da situação, veio aquele sentimento de poder fazer alguma coisa, ter o recurso necessário, ter o conhecimento necessário e usá-lo para o bem. Saber que estamos ajudando o próximo e foi o que nos motivou. Fizemos a nossa parte, conseguimos colaborar com o pessoal, não achamos ele no mesmo dia da incursão, mas, felizmente, o rapaz foi encontrado com vida, o que todo mundo estava torcendo”, declarou.
O trabalho dos três voluntários se uniu ao Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), equipe de elite do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), além de brigadas terrestres, apoio de aeronaves e aplicação de recursos de imagem térmica. Os montanhistas profissionais de Paranaguá se juntaram às equipes de busca para dar apoio aos militares que trabalharam no local sem interrupção por cinco dias.
“Quem conhece essa região, sabe que é uma trilha de nível difícil, bem complicada. Nós que temos um pouco de experiência levamos em torno de 3 a 4 horas, porém no dia da busca, fizemos em 5 horas e meia pra chegar até a região. Durante o percurso, verificamos todo lugar que tivesse a possibilidade de haver alguém”, contou o montanhista.
E para quem ainda pensa em se aventurar nas trilhas do Pico Paraná, o montanhista profissional alerta para os perigos que existem ao longo do percurso. E que é preciso experiência e cautela para realizar o trajeto.
“O grande diferencial daquela região é que ela não se mantém com um único tipo de vegetação. O parte inicial até o Morro do Getúlio, é basicamente uma subida bem íngreme com algumas pedras, mas não tem muita dificuldade. Já logo mais a frente, existe uma bifurcação, onde se tem trilhas de difícil acesso, com raízes, vegetação um pouco mais alta, árvores altas também e muitas pedras. Não é apenas caminhada, há trechos em que é necessário um material de escalada pra quem tem experiência mesmo”, recomendou o montanhista.
Resumo do caso
Roberto Farias Thomaz subiu no pico na última quarta-feira (31) com uma amiga. Ainda durante a subida, o rapaz teve um mal, mas conseguiu chegar ao cume. De acordo com a versão da amiga repassadas ao Corpo de Bombeiros, já na descida, Roberto perdendo-se do grupo em que estava, ficando sem celular, sem pertences pessoais e com pouca comida.
Roberto ficou perdido nas trilhas do Pico Paraná por cinco dias. Após andar por 20km, o jovem conseguiu chegar a uma fazenda em Antonina e pedir ajuda na manhã desta segunda-feira (05), apenas desidratado e com escoriações leves.