Existe um tipo de programa que a gente não admite para todo mundo, mas que pratica com uma certa frequência: a catarse planejada. É aquele momento em que a semana foi pesada, o coração está meio apertado e a única solução parece ser se entregar a uma boa "sofrência" no conforto do sofá. Para essas ocasiões, nada supera a eficácia de um bom drama romântico. Se você está em busca dos filmes de romance para chorar perfeitos para essa missão, vai se surpreender ao saber que o Mercado Play, a nova plataforma de streaming gratuita do Mercado Livre, tem um acervo que parece ter sido pensado para isso.

Longe de ser apenas um passatempo dramático, mergulhar nessas histórias é uma forma de processar emoções de forma segura. Para te ajudar a planejar sua próxima sessão de desabafo cinematográfico, montamos um guia com diferentes tipos de "sofrência" que você encontra por lá.
A sofrência clássica: O amor que a morte não separa
Para começar, vamos ao básico, ao prato principal do choro cinematográfico. São aqueles filmes que se tornaram ícones culturais justamente por sua capacidade de nos fazer desidratar.
Ghost - Do Outro Lado da Vida é, sem dúvida, o campeão dessa categoria. A história do casal Sam e Molly, cujo amor é brutalmente interrompido por um assassinato, transcende o melodrama. A premissa de um fantasma tentando proteger a mulher que ama com a ajuda de uma médium excêntrica (a genial Whoopi Goldberg) é o veículo perfeito para uma reflexão sobre luto e a persistência do afeto. A cena da cerâmica ao som de "Unchained Melody" é um gatilho emocional que funciona até hoje. É a escolha para quem quer chorar sem erro.
A sofrência realista: O peso das expectativas
Nem todo coração partido vem de uma tragédia. Às vezes, a dor mais profunda nasce da frustração, dos sonhos não realizados e da dura realidade de que o amor, por si só, nem sempre é suficiente.
Foi Apenas um Sonho é o filme que destrói a fantasia do "felizes para sempre". Reunindo Leonardo DiCaprio e Kate Winslet anos depois de Titanic, o filme faz exatamente o oposto: mostra um casal suburbano dos anos 50 sufocado pela rotina e pelas convenções sociais. A performance dos dois é tão visceral que sentimos na pele o peso de cada discussão, de cada olhar de decepção. É um retrato ácido e doloroso de como um grande amor pode se desintegrar sob o peso da vida real. A sofrência aqui é adulta, amarga e incrivelmente bem construída.
A sofrência agridoce: Encontrando amor na imperfeição
Existe também aquele choro que vem misturado com um sorriso. São filmes que nos mostram personagens quebrados encontrando consolo um no outro, provando que a beleza pode florescer mesmo nos terrenos mais áridos.
O Lado Bom da Vida é o exemplo perfeito. Pat (Bradley Cooper) e Tiffany (Jennifer Lawrence) são duas pessoas lidando com seus próprios transtornos mentais e traumas recentes. A forma como eles se conectam, através de uma honestidade brutal e uma dança desajeitada, é o que torna o filme tão especial. O choro aqui não é de tristeza, mas de empatia. É a emoção de ver duas almas perdidas encontrando um rumo, mesmo que torto, juntas. É um filme que nos lembra que todos temos nossas bagagens, e tudo bem.
A sofrência fantástica: O amor impossível
Para fechar, temos a dor que vem do puramente poético, do amor que é lindo justamente por ser inalcançável. É a beleza melancólica de uma história de contos de fadas que não termina com um final feliz convencional.
Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton, é uma das mais belas fábulas sobre isso. A história do jovem artificial com tesouras no lugar das mãos, que se apaixona pela garota do subúrbio, é uma poderosa alegoria sobre solidão e a dificuldade de se conectar. Edward pode criar esculturas magníficas, mas não pode abraçar a pessoa que ama sem machucá-la. A beleza trágica dessa condição é o que torna o romance tão tocante e inesquecível, garantindo um choro silencioso e reflexivo no final.