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Na reta final, candidatos ao governo e ao Senado do Paraná travam uma guerra de processos

Levantamento da Plural mostra 213 candidatos réus em 570 processos no Paraná. Moro processa o PSD, Sandro Alex acusa de calúnia e o PDT mira abuso de poder. Veja quem processa quem

Por Robô
Na reta final, candidatos ao governo e ao Senado do Paraná travam uma guerra de processos
Publicado em:

A campanha eleitoral de 2026 virou também uma batalha nos tribunais. A duas semanas e meia da votação, um levantamento da Plural nos dados processuais do TSE mostra que 213 candidatos do Paraná já são réus em 570 processos que vão além do registro de rotina — e a disputa pelo governo é, de longe, a mais judicializada do estado. Só os três nomes no centro da briga somam mais de 150 ações: Sandro Alex (PSD) responde a 65 processos, seu vice Rafael Greca (MDB) a 48 e Sergio Moro (PL) a 42.

Boa parte é o feijão com arroz da eleição — representações por propaganda irregular, que qualquer campanha move contra a adversária. Mas, no meio delas, aparecem acusações pesadas: calúnia, abuso de poder econômico e conduta vedada. E, cruzando quem processa quem, dá para ver as trincheiras da eleição paranaense com precisão.

A guerra pelo governo: Moro contra o PSD, e a artilharia do PDT

O duelo central é entre as duas chapas mais fortes na largada. Sergio Moro (PL) processa a chapa de Sandro Alex em 24 ações — 12 contra o próprio Sandro Alex e 12 contra o vice Rafael Greca —, quase todas sobre propaganda na TV e no horário eleitoral gratuito, com decisões saindo nos últimos dias. A resposta do PSD vem em outro tom: Sandro Alex move 8 ações contra Moro, todas por calúnia — a acusação mais grave da lista, que trata o adversário como autor de ofensa criminal.

Mas quem dispara a artilharia mais pesada é a chapa do PDT. Requião Filho e o vice Michele Caputo (Solidariedade) processam Sandro Alex e Greca por abuso de poder econômico, conduta vedada ao agente público e propaganda irregular — Requião Filho com 6 ações contra Sandro Alex e 4 contra Greca; Michele Caputo com 4 e 4. São justamente os tipos de representação que, se julgadas procedentes, podem levar à cassação do registro ou à inelegibilidade, e não apenas à retirada de uma peça de propaganda.

A mesma chapa do PDT também abre frente contra Alexandre Curi (Republicanos), candidato ao Senado, por conduta vedada e propaganda irregular — sinal de que enxerga o senador no mesmo campo do PSD. Já Alexandre Salomão (Mobiliza) entra na disputa mirando Moro, com ações por propaganda antecipada e abuso de poder econômico. No total, quase todos os que disputam o Palácio Iguaçu estão, ao mesmo tempo, processando e sendo processados.

No Senado, esquerda contra direita — e a direita dividida

Na corrida pelas duas vagas ao Senado, o eixo é ideológico. Gleisi Hoffmann (PT) é a maior autora de processos: são 11 ações contra Filipe Barros (PL) — por propaganda antecipada, impulsionamento pago e divulgação de conteúdo —, 8 contra Deltan Dallagnol (NOVO) e 3 contra Cristina Graeml (PSD), estas por direito de resposta e propaganda na TV. Barros e Deltan revidam, cada um com ações contra a petista.

O dado mais revelador, porém, é o fogo amigo na direita: Cristina Graeml (PSD) processa Filipe Barros (PL) em 5 ações — TV, internet e redes sociais. Dois nomes que disputam o mesmo eleitorado conservador e, em vez de poupar munição para a esquerda, gastam energia se enfrentando na Justiça Eleitoral. Dr. Rosinha (PT) também move uma ação contra Barros. É o retrato de uma disputa fragmentada, em que aliados de véspera viram adversários no tribunal.

É preciso cautela na leitura. A imensa maioria dessas ações são representações por propaganda — acusações de uma campanha contra a outra, de baixa gravidade, movidas às centenas em toda eleição, e sob presunção de inocência. O fato de um candidato ser réu não significa que cometeu irregularidade, e a maior parte dos processos se resolve com a simples retirada de um conteúdo ou é arquivada.

O que merece atenção especial são as poucas ações de abuso de poder econômico, conduta vedada e calúnia — as que têm potencial real de afetar a eleição. Nenhuma delas tem, até agora, decisão de mérito definitiva: os processos seguem em tramitação, com despachos e decisões que dizem respeito à fase, não ao resultado. Até a votação, em 4 de outubro, a Justiça Eleitoral ainda vai proferir dezenas de decisões — e é nelas que estará o desfecho dessa guerra paralela.

Robô

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