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Grupo xinga e tenta agredir bombeiros em rodovia bloqueada no Sul do Paraná

Caso foi da BR-476, em União da Vitória, na tarde desta terça, mesmo depois das determinações do STF. Cenas ocorreram mesmo com presença de PM e PRF

Grupo xinga e tenta agredir bombeiros em rodovia bloqueada no Sul do Paraná
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Bombeiros militares acionados para apoiar na liberação de uma rodovia do Paraná na tarde desta terça-feira (1) foram hostilizados e agredidos pelo grupo. Vídeos compartilhados na internet mostram que, mesmo com a presença das polícias Militar e Rodoviária Federal, os manifestantes não hesitaram em xingar e ameaçar os agentes.

F*** da p*** e lazarentos foram alguns dos insultos proferidos a gritos. Apesar disso, em nenhum momento PM ou PRF fizeram uso de táticas de dispersão “comuns”, como uso de gás lacrimogêneo, por exemplo.

O caso ocorreu em um trecho da BR-476 em União da Vitória, no Sul do estado, um dos diversos pontos de rodovia ainda fechados no Paraná por uma manifestação antidemocrática organizada nacionalmente para não reconhecer a derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições do último domingo (30). A ocorrência foi durante a tarde, já depois das decisões da Suprema Corte de mandar as PMs dos estados agirem para liberar os bloqueios, diante de uma suposta omissão da PRF.

No Paraná, o comando-geral da PM afirmou ter acatado a determinação do Supremo Tribunal Federal e enviado policiais para os pontos de bloqueio. A orientação não foi para dispersar os manifestantes golpistas, mas apenas para liberar - primeiramente em tentativas pacíficas - os trechos interditados.

https://youtube.com/shorts/FTWpN0cJCQc?feature=share

Segundo o Corpo de Bombeiros do Paraná, os agentes que aparecem nos vídeos foram acionados justamente para acompanhar uma liberação que já havia sido negociada pelos policiais militares. Nesses casos, informa, o trabalho da guarnição é de combate aos focos de incêndio e limpeza da pista.

O mais longo dos registros mostra quando um dos integrantes do piquete toma a mangueira de incêndio das mãos de um bombeiro. Ele é logo contido, e a mangueira retirada. O jato então é direcionado a dois homens que empurram outro agente da corporação.

Dois policiais militares acompanham a cena. Um deles tenta afastar um dos manifestantes, mas os três bombeiros que parecem no vídeo acabam sendo encurralados por dezenas de manifestantes, vários deles enrolados na bandeira do Brasil. Enquanto os agentes são cercados, ouvem-se barulho de fogos de artificio e um coro de “fora, fora, fora...”.

https://youtu.be/nJYYQbjOZSc

O registro termina antes do desfecho – não é possível saber se os militares entram no caminhão e saem do local depois disso. Do alto de um dos caminhões, alguém se refere a um dos agentes como “petista”.

Outro vídeo mostra a mesma cena de outro ângulo. De novo é possível ver quando um dos supostos caminhoneiros parte para cima de um bombeiro e tenta continuar a agredi-lo, mas logo é afastado por outro homem. Em meio à confusão, um dos dois policiais rodoviários federais que aparecem gesticula um gesto de “calma” ao grupo enquanto um PM puxa a mangueira de incêndio que estava com os manifestantes.

Em um terceiro registro aparece um homem de moletom branco empurrando um dos bombeiros em direção ao caminhão. Como nas outras cenas, os bombeiros são xingados por várias pessoas ao mesmo tempo.

https://youtu.be/tytMH6MO2Uc

Conforme os bombeiros, a confusão começou quando, durante o trabalho da guarnição, alguns dos integrantes do ato tentaram impedir a continuidade da limpeza das pistas, puxando a mangueira de combate a incêndio e direcionando jato de água e restos na direção de algumas pessoas. "Tal situação fez com que houvesse um posicionamento mais enérgico de militares presentes, no sentido de impedir o dano ao patrimônio e a terceiros".

A nota não informa se algum dos bombeiros ficou ferido - não há sequer menção à agressão, embora apareça uma ação deste tipo no vídeo. Procurada, a PM não havia respondido, até a publicação desta matéria, se alguma prisão foi efetuada.

Tática pacífica

Mais cedo, a Polícia Militar respondeu ao Plural que permanece afastado o uso de força nas intervenções da corporação no Paraná, para desbloqueio dos trechos, porque há presença de mulheres e crianças em muitos locais de manifestação.

Nas cenas de União da Vitória, não aparecem mulheres e crianças, mas esta tem sido uma tática comum dos atos Brasil afora. A estratégia obrigou a PM de São Paulo a deixar de usar a força em trechos da Castelo Branco porque muitos caminhoneiros posicionaram na linha de frente dos piquetes crianças de várias idades, inclusive bebês.

Em coletiva na tarde desta terça, comando-geral da PM no Paraná disse que prevê para esta quarta, dia do feriado de Finados, a liberação de todos os trechos ainda bloqueados.

O Ministério Público estadual (MPPR) criou um comitê de crise para acompanhar o cumprimento das determinações do STF a respeito das manifestações antidemocráticas que bloqueiam as estradas. No início da noite, o órgão disse ter enviado ofício ao governador Ratinho Jr. para que, como chefe das forças policiais, tome todas as providências necessárias para a liberação das estradas paranaenses.

Mais cedo, o Plural mostrou que até mesmo interlocutores do Palácio Iguaçu chegaram a esperar posicionamento mais firme do governador reeleito em relação ao movimento. Ratinho Jr. só se manifestou sobre o caso no fim da manhã desta terça, em uma curta e concisa nota em que afirmou ter acionado a PM para garantir o direito constitucional de ir e vir. A nota circulou sem ir para as redes sociais do governador.

Tags: Gastronomia

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