Markenson Marques dos Santos, dono da Cargolift, doou R$ 24 mil para a campanha eleitoral de Deltan Dallagnol (Podemos), agora candidato ao Congresso. A empresa Cargolift, especializada em transporte de cargas com caminhões, ficou famosa entre 2016 e 2017 por ter manifestado seu apoio à operação Lava Jato, que em Curitiba era coordenada por Deltan Dallagnol, à época procurador da República.
Alguns caminhões da empresa foram pintados com as cores da bandeira brasileira e foi adicionada a escrita: 'Todo apoio à operação Lava Jato'. Durante a manifestação anticorrupção de 26 de março de 2017, ocorrida na praça Santos Andrade, em Curitiba, os caminhões da Cargolift foram modificados para apoiar as 10 medidas contra a corrupção, o projeto de lei idealizado pelo MPF de Curitiba e que foi assinado por 2 milhões de cidadãos para pedir ao Congresso de aprovar uma série de medidas que podiam agilizar as investigações da força-tarefa da Lava Jato.
A Cargolift dedicou uma página do seu site à mesma operação. “Acreditamos que mais do que nunca, o Brasil precisa se posicionar contra toda e qualquer forma de corrupção”, escreveu Markeson Marques Dos Santos no site da empresa. A campanha de apoio à Lava Jato foi relançada pelo próprio Dallagnol em seu perfil no Twitter em 3 de março de 2016, ou seja, a véspera da condução coercitiva do ex-Presidente Lula. Mais tarde, também o senador do Paraná Alvaro Dias (Podemos) postou a foto do caminhão Cargolift em seu perfil do Facebook informando que “a empresa incluiu no seu site as artes para que outras empresas possam fazer o mesmo”.
Nos anos seguintes, o empresário Markenson participou de diversos eventos organizados pela República de Curitiba, movimento fundado para apoiar a operação Lava Jato e que para as eleições de 2022 apoia a candidatura de Paulo Martins ao Senado no Paraná. O próprio empresário tem se aproximado as posições do presidente Jair Bolsonaro e também participou de várias manifestações em apoio ao governo durante a pandemia.
Além do ex-procurador da Lava Jato, Markenson já financiou a campanha de Oduwaldo Calixto, candidato ao Congresso pelo PL que no passado já teve problemas na justiça beneficiando-se também de uma prescrição em um caso; e do Coronel Malucelli (PP). Malucelli foi candidato a vice-governador do Paraná em 2018 na chapa da então governadora Cida Borghetti. De acordo com a planilha apresentada aos procuradores da Lava Jato pelo ex-executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Junior, a então vice-governadora do estado teria recebido R$ 50 mil da empreiteira baiana em 2010, quando foi eleita no Congresso. Cida negou ter recebido esse dinheiro e a força-tarefa de Curitiba não começou nenhuma investigação para encontrar novas provas que pudessem confirmar essa acusação.