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Fiep emite 'nota política' para não elogiar plano de enfrentamento ao tarifaço

Posicionamento de Federação Paranaense destoa de avaliação da FIESP e CNI , que avaliaram positivamente 'Plano Brasil Soberano'

Fiep emite 'nota política' para não elogiar plano de enfrentamento ao tarifaço
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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No lugar de uma nota de uma nota técnica, um posicionamento político. Federações e Confederações ligadas à indústria e ao setor produtivo se manifestaram com relação ao "Plano Brasil Soberano" anunciado pelo presidente Lula (PT) para enfrentar a taxação de produtos brasileiros imposta pelo presidente dos EUA Donald Trump. FIESP e CNI elogiaram a medida do Governo Federal. Já a FIEP adotou narrativa da direita, cobrando mais diplomacia e poupando a chantagem e o boicote promovido por Eduardo Bolsonaro de suas críticas.

O “Plano Brasil Soberano” é a resposta adotada pelo Governo Lula à taxação econômica imposta por Donald Trump, que busca interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. No lugar de retaliar com taxas, o governo federal optou por direcionar R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com taxas acessíveis, além de outros incentivos. De acordo com o anúncio, o plano foca no “fortalecimento do setor produtivo; proteção aos trabalhadores; e diplomacia comercial e multilateralismo”.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) que participou da cerimônia do Palácio do Planalto, as medidas para combater tarifaço dão fôlego à indústria e mantêm negociação aberta com os EUA. “Recebemos positivamente pelo fato de contemplar muitas das demandas feitas pelas indústrias, federações e associações setoriais, e também porque englobou dois conceitos básicos: continuar negociando como prioridade e, o segundo, se novas medidas forem necessárias elas serão tomadas”, enfatizou Ricardo Alban, presidente da CNI.

A visão é diferente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, a FIEP. A entidade paraense disse que o anúncio trouxe soluções “paliativas” e cobrou negociação efetiva com os EUA. “Sem recuperar o mercado norte-americano, essas empresas não conseguirão sobreviver. Seus problemas, portanto, só serão resolvidos com a reversão das tarifas, o que depende de uma negociação baseada em critérios técnicos e diplomáticos, que infelizmente não vem sendo buscada por parte do governo brasileiro”, disse o presidente da FIEP, Edson Vasconcelos.

A visão política do presidente paranaense não encontra aliado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que, pelo contrário, manifestou apoio ao plano. A Fiesp adotou o discurso da soberania nacional e multilateralismo. “Medidas para preservar empregos, diversificar mercados e assegurar condições justas de comércio internacional são importantes e demonstram compromisso com a defesa dos setores produtivos nacionais. (A FIESP) seguirá trabalhando para minimizar os efeitos dessas tarifas em ambos os países e fortalecer a relação comercial histórica que ao longo de décadas têm construído parcerias relevantes para o desenvolvimento econômico e o bem estar de nossas populações”, diz a nota.

Poupando o bolsonarismo

A nota da FIEP repercute a narrativa da extrema-direita de que o Governo Federal não quer negociar diplomaticamente e não cita a atuação do deputado federal auto exilado, Eduardo Bolsonaro (PL-PR), que admite estar atuando para boicotar o Brasil. Por outro lado, para o presidente da Federação do Paraná, o governo federal tem colocado questões ideológicas e políticas acima dos interesses da economia e do setor produtivo brasileiros. “Enquanto outros países já negociaram reduções de tarifas com a administração dos EUA, o governo brasileiro segue adotando atitudes contrárias a um diálogo técnico, que fazem com que, a cada semana, vejamos reduzidas nossas chances de se chegar a um acordo que preserve os negócios e os empregos nas indústrias exportadoras”, conclui Vasconcelos.

Prejuízo localizado

De acordo com a FIEP, as exportações aos EUA totalizaram quase US$ 1,6 bilhão em 2024 e a tarifa de 50% afeta oito dos dez principais produtos comercializados pelas empresas do estado ao mercado norte-americano. A nova tarifa atinge com intensidade principalmente os produtos madeireiros, que representam quase 40% de tudo o que o estado exporta aos EUA. Contra o tarifaço, o Governo do Paraná liberou R$ 300 milhões em créditos de ICMS para apoiar empresas exportadoras após tarifaço.

Por outro lado, fora do estado do Paraná, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados entendeu que as medidas apresentadas por Lula são benéficas. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, avaliou que o pacote contemplou, em parte, as solicitações da indústria calçadista nacional. “Além das medidas já anunciadas, tratando-se de um setor intensivo em mão de obra, seguimos na expectativa de novas medidas voltadas à manutenção dos empregos”, pontuou.

Manoel Ramires

Manoel Ramires

Jornalista, redator, produtor, assessor de imprensa e assessor político, desenvolvendo a identidade e linha editorial de veículos de comunicação e mídias sociais

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