Uma iniciativa da Fundação Luterana de Diaconia em parceria com a Itaipu Binacional vai instalar 64 galinheiros comunitários na região oeste do Estado, para aumentar o grau de segurança alimentar de territórios indígenas. Apesar disso, a Federação de Agricultura do Paraná (FAEP), vê com preocupação a medida.
De acordo com a Itaipu, 32 comunidades indígenas serão beneficiadas no Oeste e no litoral do Paraná. A construção dos primeiros galinheiros começou no território Tekoha Nhemboete e deve ser concluída ainda no primeiro semestre, beneficiando mais de 500 indígenas.
A previsão é que 6,4 mil aves sejam criadas nas instalações até o fim da execução e eles servirão tanto para a produção de carne, quanto para ovos, que serão fontes de proteínas para as comunidades tradicionais.

A FAEP, por sua vez, diz que os galinheiros comunitários podem disseminar doenças e prejudicar a economia do Estado, que lidera a produção e exportação de frango. “Permitir esse tipo de iniciativa coloca em risco todo o investimento de décadas”, diz Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.
O incômodo da Federação da Agricultura foi tanto, que um ofício foi envaido para a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) solicitando providência “imediata e contundente”.
Uma nota publicada no site da instituição fiz que “se essas unidades não forem devidamente fiscalizadas, aumenta o risco de contaminação, principalmente por aves silvestres migratórias, que podem transmitir a gripe aviária”.
Todavia, o projeto da Itaipu prevê que após a chegada dos animais, as comunidades receberão acompanhamento técnico “com orientações sobre manejo sustentável, reprodução e alimentação das aves”.
A iniciativa está alinhada ao projeto “Chão Índígena”, que atua em consonância com os Sistemas Indígenas de Produção Agroecológica (SIPAs), que incluem, além da criação de aves e suínos, tanques de piscicultura, roçados e quintais produtivos.
Saúde
No fim do mês passado, por causa do risco de contaminação e ingresso da influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) suspendeu a criação de aves ao ar livre, com acesso a piquetes sem telas na parte superior. A determinação faz parte da Portaria nº 782.
As suspensões terão duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogadas e se aplicam a quaisquer espécies de aves de produção, ornamentais, passeriformes, aves silvestres ou exóticas em cativeiro e demais aves criadas para outras finalidades.