O empresário Otávio Oscar Fakhoury, que foi investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por divulgação de notícias falsas durante a pandemia do coronavírus, já doou R$ 50 mil à campanha da candidata do PMB à prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml. No último dia 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a doação de R$ 30 mil à campanha da bolsonarista, que disputa o segundo turno das eleições municipais com Eduardo Pimentel (PSD). Outros R$ 20 mil haviam sido registrados no dia 30 de setembro.
Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, Fakhoury foi vice-presidente de uma entidade chamada Instituto Força Brasil. Em depoimento na CPI da Covid, em setembro de 2021, ele admitiu que financiou a entidade, que tentou intermediar a venda de 400 milhões de doses ao governo de Bolsonaro por meio da empresa norte-americana Davati Medical Supply. Luiz Paulo Dominghetti, policial militar que atuava como lobista da Savati, disse à CPI que o diretor de logística do Ministério da Saúde durante o governo de Bolsonaro, Roberto Dias, pediu propina no valor de US$ 1 por dose de vacina.
Em seu depoimento na CPI, Fakhoury disse que as vacinas se encontravam em "estágio experimental" (quando na verdade já tinham sido aprovadas pela Anvisa) e que as máscaras não tinham eficácia para conter a disseminação do vírus. Ele negou ter relação pessoal com Bolsonaro, mas foi tesoureiro do PSL (partido pelo qual o ex-presidente foi eleito) em São Paulo a pedido de Eduardo Bolsonaro, que presidia a legenda no estado.

O empresário também foi investigado por financiar sites extremistas como Terça Livre e Crítica Nacional, que pregavam o fechamento do STF (o criador do Terça Livre, Allan dos Santos, teve a prisão decretada e está foragido). Além disso, a Polícia Federal encontrou uma troca de mensagens entre Fakhoury e o ex-deputado Roberto Jefferson, em que o empresário defendia o fechamento do STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Jefferson, ex-presidente do PTB e apoiador de Bolsonaro, foi preso em outubro de 2022 por jogar granadas e atirar em policiais federais.
Nos últimos dias, Cristina Graeml vem dizendo que foi vítima de “fake news” por causa de matérias a respeito de seu candidato a vice, Jairo Ferreira Filho. O Plural publicou duas matérias, uma sobre uma ação de cobrança no valor de R$ 1 milhão, e outra sobre uma ação em que ele foi acusado de vender o mesmo terreno duas vezes (já encerrada). As reportagens, no entanto, são baseadas no processo e nas ações protocoladas, que não tiveram sua veracidade contestada pelo próprio Ferreira Filho.

Extremismo e mentiras
Nas eleições deste ano, Otávio Fakhoury financiou candidaturas de extremistas de direita em São Paulo. O candidato a prefeito da capital paulista pelo PRTB, Pablo Marçal, recebeu R$ 100 mil do empresário no dia 1º de outubro. Marçal ficou conhecido pelas mentiras em série, calúnias, difamações, divulgação de documentos falsos e por tomar uma cadeirada de José Luiz Datena, o ponto alto de sua campanha.
No dia 30 de setembro, Fakhoury doou R$ 200 mil (duas doações de R$ 100 mil) para o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), membro do MBL (Movimento Brasil Livre) que chegou a propor uma CPI para investigar o padre Júlio Lancellotti na Câmara Municipal de São Paulo, por ele distribuir comida para os pobres. Nunes foi reeleito.
Adrilles Jorge (União Brasil), ex-participante do Big Brother Brasil que ficou conhecido como comentarista da Jovem Pan News, também recebeu dinheiro de Fakhoury: R$ 20 mil no dia 23 de agosto e R$ 30 mil em 2 de outubro. Um total de R$ 50 mil em duas vezes, como Cristina Graeml. Adrilles chegou a ser demitido da Jovem Pan por fazer um gesto interpretado como uma saudação nazista, logo após comentar sobre o nazismo, mas foi readmitido. Ele foi eleito vereador em São Paulo.

Outra campanha financiada pelo investigado foi a de Paulo Kogos, youtuber monarquista, bolsonarista e anti-vacina que recebeu R$ 50 mil de Fakhoury no dia 27 de setembro. Ele não conseguiu se eleger vereador em São Paulo. Kogos chegou a pedir a morte do ex-governador de São Paulo João Dória durante a pandemia e nos últimos meses tem tentado se apresentar com um visual semelhante ao de Javier Milei, o presidente de direita que se veste de palhaço e colocou 52% da população argentina na pobreza.

Nota enviada pela assessoria de Otávio Fakhoury
Em nota enviada ao Plural no dia 10 de outubro, a assessoria de Otávio Fakhoury ressaltou que ele nunca respondeu a ações criminais. Confira a íntegra:
São Paulo, 09 de outubro de 2024
Otávio Fakhoury jamais sofreu ação penal contra si derivada de qualquer investigação em inquéritos – incluindo a CPI da Covid -, sendo que o inquérito dos atos antidemocráticos foi arquivado sem indiciamento. O empresário reitera seu compromisso com a verdade e a legalidade, repudiando quaisquer tentativas de associá-lo indevidamente a práticas criminosas.
Otávio Fakhoury apoia a campanha de Cristina Graeml à prefeitura de Curitiba pois ela é amiga pessoal dele e representa, na integridade, todos os valores e princípios que o empresário defende na política e vida pública.
Fakhoury acredita na importância do processo democrático e na liberdade de expressão, valores que sempre nortearam sua atuação pública e privada.
Assessoria de Imprensa de Otávio Fakhoury