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Na MUBI, em vez de assistir ao filme “Drive My Car”, procure conviver com ele

MUBI exibe com exclusividade o longa-metragem de Ryûsuke Hamaguchi que venceu o Oscar de filme estrangeiro

Na MUBI, em vez de assistir ao filme “Drive My Car”, procure conviver com ele
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Alguns filmes são bons de ver e difíceis de resenhar. E “Drive My Car” é particularmente bom e difícil.

A dificuldade de escrever sobre “Drive My Car” – em cartaz, com exclusividade, na MUBI – é que, na aparência, pouca coisa acontece no filme. Os eventos mais importantes da história são íntimos. Eles ocorrem na maneira como os personagens lidam com a vida. E você precisa ser sagaz ou sensível – ou ambos – para perceber as consequências desses eventos. Seja na maneira como alguém reage a uma informação, seja no modo como escolhe fumar um cigarro.

Tchekhov

Muito diferente do tipo de filme que hoje atrai multidões (coisas da Marvel e derivados), “Drive My Car” não é agitado. Os personagens nem sequer erguem a voz um para o outro – quando isso acontece, é porque estão encenando uma peça de Tchekhov – no caso, “Tio Vânia”.

Na verdade, os sentimentos são escancarados apenas na peça de teatro dentro do filme. Fora do palco, há um clima de tranquilidade. Assim as pessoas mantêm a compostura, mostram urbanidade mesmo em situações estressantes.

A história é simples e, ao mesmo tempo, não é. Yûsuke Kaduku (Hidetoshi Nishijima), ator e diretor de teatro casado com uma roteirista de televisão aceita uma bolsa em Hiroshima para adaptar a peça “Tio Vânia”.

Há uma peculiaridade nas adaptações de Kaduku: ele escolhe atrizes e atores de línguas distintas e coloca todos para contracenar no palco. Então as cenas transcorrem numa mistura de japonês, mandarim, coreano, libras…

Morte

Um ano antes, numa situação inesperada, prestes a viajar para Hiroshima, Kaduku flagra a esposa em casa com outro homem. Porém, ele entra e sai de casa sem que ela e o amante percebam. Quando volta de viagem, ele a encontra no chão, inconsciente. A esposa, chamada Oto (Reika Kirishima), está morta.

Isso tudo acontece nos primeiros 20 minutos de um filme com três horas de duração.

Em Hiroshima, Kafuku tem que lidar com um luto mal-resolvido e com o fato de ter uma motorista, Misaki Watari (Tôko Miura), imposta pela fundação que banca a montagem da peça. Anos atrás, um acidente de trânsito envolvendo um colaborador fez a motorista se tornar obrigatória para todos os participantes.

De certa forma, a trama é um detalhe. Em vez de assistir ao “Drive My Car”, procure conviver com ele.

Onde assistir

 “Drive My Car” estreia nesta sexta-feira (1º), com exclusividade, na MUBI.

Tags: filmes

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