Nesta segunda-feira (6), uma manifestação reuniu estudantes, ex-alunos, professores, funcionários e pessoas da comunidade local sensibilizados com a perda do Instituto Estadual de Educação (IEE) Dr. Caetano Munhoz da Rocha – referência no ensino em Paranaguá e toda a região do litoral paranaense. O prédio da instituição, que foi consumido em incêndio no último sábado (4), era tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná desde 1991.
Falta de manutenção
De acordo com funcionários do colégio, a estrutura antiga não passava por manutenção constante. Diversas vezes, partes internas do prédio foram interditadas por falta de reparos, coincidindo com o período letivo. A escadaria de madeira na entrada principal, por exemplo, esteve interditada por anos devido ao risco de a estrutura desabar por falta de cuidados apropriados.
O telhado era outro ponto crítico. Segundo a pedagoga e historiadora Vera Lúcia Andrade, que por mais de quinze anos trabalhou no IEE, “houve um momento na história recente do Instituto em que o teto mostrava toda a sua fragilidade nos dias de chuva com goteiras, infiltrações e colocando em risco a segurança de alunos e funcionários. Era um descaso com uma construção que fazia parte da história do Paraná”, declarou.
Com a pouca manutenção ao longo dos anos e falta de modernização nas instalações e estruturas, a rede elétrica também se tornou um problema. Em dezembro de 2012, o Governo do Estado comprou para o colégio 15 aparelhos de ar-condicionado com recursos do Fundo Nacional de Educação (FDE), do Ministério da Educação. Em seguida, o governo garantiu R$ 5,8 milhões para a instalação de nova rede elétrica em 86 escolas, inclusive no Litoral. Porém, o IEE não foi contemplado. Reformas e alterações em imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico necessitam de projeto prévio cumprindo exigências específicas, o que não foi feito. Sem as instalações adequadas, os equipamentos ficaram parados no porão do prédio por anos e terminaram devolvidos à Secretaria de Estado da Educação (Seed).
Os trabalhos continuam
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) mantêm vigilância no local desde sábado, para impedir propagação de novos focos de incêndio, garantindo a segurança de áreas vizinhas.
O Tel. Cel. Douglas Martim Konflanz esteve no local hoje pela manhã coordenando as equipes dos bombeiros e da Defesa Civil de Paranaguá. Ele explicou que as equipes seguem outras linhas de trabalho a partir de agora.
“A Polícia Científica iniciou os trabalhos de apuração, estão realizando um levantamento preliminar e outras equipes ainda estão chegando para compor os trabalhos em conjunto com a Polícia Civil. Uma das frentes é apurar qual foi a causa, uma sobrecarga na rede elétrica não está descartada. Além disso, preparar um relatório sobre a estrutura, se está condenada e em qual a fase recuperativa se encontra”, disse o comandante Douglas.
Questionamentos
Após o desastre, a população local questionou o comandante se medidas alternativas poderiam ter sido tomadas para evitar a destruição do prédio pelas chamas e fez críticas sobre a atuação do CBMPR.
“Como na frente tinha grades e não tínhamos acesso à parte inferior, nos concentramos em entrar com todas as equipes na retaguarda da edificação, onde havia as portas das salas de aulas e conseguíamos mais amplitude e efetividade no combate às chamas. Porém, nessa situação, temos que levar em conta a quantidade de material combustível”, disse ele.
Outra questão foi a respeito da pronta resposta das guarnições ao incêndio. “Além da celeridade da ligação ao 193, que infelizmente ou felizmente, esse evento ocorreu em um final de semana, quando não havia ninguém no monitoramento. Então, essa visualização ocorreu no instante em que a biblioteca já estava tomada pelo fogo. Ao lado da biblioteca também havia um depósito de livros com muitos papéis e eletrônicos, como impressoras, computadores, tudo contribuiu para um agravamento da situação”, afirmou Konflanz.