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Inovação é fundamental para a escola hoje. Mas talvez não do tipo que você esteja imaginando

Para diretor acadêmico do Colégio Medianeira, inovação não se restringe ao emprego de ferramentas digitais, mas se manifesta na construção de práticas pedagógicas significativas e transformadoras

Inovação é fundamental para a escola hoje. Mas talvez não do tipo que você esteja imaginando
Carlos Torra, diretor acadêmico do Colégio Medianeira. Foto. Divulgação
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O mundo muda cada vez mais rápido, com inúmeras tecnologias que surgem a cada ano e que conquistam corações e mentes das nossas crianças. E não é só a tecnologia: as novas gerações convivem com novos costumes e valores, e caso a escola não esteja disposta a aprender como se conectar com os mais novos, o processo de aprendizagem pode ficar cada vez mais difícil.

Uma das mais tradicionais e importantes organizações educacionais do mundo decidiu que é hora de pensar nisso.

A rede de colégios jesuítas, de que faz parte o Colégio Medianeira, de Curitiba, fez uma discussão sobre como unir tradição e inovação e tomou um caminho novo.

Inovar, mas não só pensando em tecnologia, e às vezes até pensando em momentos não-tecnológicos para os alunos e alunas.

Diretor acadêmico do Colégio Medianeira, Carlos Torra deu uma entrevista ao Plural sobre o assunto.

  1. Por que os colégios jesuítas decidiram fazer essa aposta na inovação? Por que isso é importante neste momento e neste contexto?

Com uma trajetória educacional de 500 anos, a Rede Global de Colégios da Companhia de Jesus, da qual o Colégio Medianeira faz parte, reúne atualmente mais de 870 colégios de educação básica em todo o mundo. Desde os primeiros colégios jesuítas, a tradição pedagógica inaciana tem no seu DNA o equilíbrio entre tradição e inovação, refletindo um compromisso contínuo com a excelência acadêmica e a formação integral dos estudantes.

Sempre aberta ao discernimento e à renovação, a pedagogia inaciana busca responder aos desafios de cada época. Hoje, diante das rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais, essa postura inovadora é essencial para garantir que a educação jesuíta permaneça relevante, significativa e transformadora. 

A inovação nos colégios jesuítas não é um fim em si mesma, mas uma prática que fortalece a missão educativa para a excelência. O Paradigma Pedagógico Inaciano (PPI) destaca que o ensino deve partir da experiência, provocar a reflexão e levar à ação transformadora. Nesse sentido, a incorporação de práticas inovadoras permite que os estudantes compreendam o mundo, questionem suas realidades e se tornem agentes de mudança.

  1. Vi nos documentos que inovação para vocês não se refere apenas a avanços tecnológicos, é muito mais do que isso, certo? Pode explicar?

Sim. Na proposta formativa do Colégio Medianeira, a inovação pedagógica transcende a simples adoção de novas tecnologias. Embora os avanços digitais sejam recursos valiosos no processo de ensino-aprendizagem, a educação jesuíta os compreende como instrumentos para potencializar a formação integral dos estudantes, e não como um fim em si mesmos.

Por isso, nossos professores fazem uso da tecnologia para expandir as possibilidades de reflexão, aprofundamento e ação, promovendo experiências de aprendizagem mais ricas e transformadoras. Como ensina Santo Inácio de Loyola, os meios devem sempre estar a serviço de um propósito maior, que, no caso da educação jesuíta, é a formação de sujeitos conscientes, competentes, compassivos, críticos e comprometidos com a transformação social.

Assim, a inovação no Colégio Medianeira não se restringe ao emprego de ferramentas digitais, mas se manifesta na construção de práticas pedagógicas significativas, no estímulo ao pensamento crítico e no fortalecimento do discernimento.

Pode acontecer, inclusive, de uma inovação importante ser fazer momentos na escola que sejam justamente "anti-tecnológicos"? Ou seja, abandonar eletrônicos e coisas do gênero em troca de um outro tipo de convivência?

Sim, e essa também é uma inovação essencial no projeto educativo do Colégio Medianeira. A proposta de formação integral vai além do uso de ferramentas digitais, valorizando a convivência, o silêncio e a presença autêntica, elementos centrais da tradição inaciana. Nesse sentido, momentos “anti-tecnológicos”, em que os dispositivos eletrônicos são temporariamente deixados de lado, não apenas são possíveis, mas necessários. Esses espaços permitem que os estudantes:

No Colégio Medianeira, compreendemos que inovação não se resume à adoção de novas tecnologias, mas envolve o discernimento sobre quando utilizá-las e quando abrir espaço para outras formas de aprendizado e convivência. Assim, a desconexão temporária já possibilita que nossos estudantes:

Essa abordagem já se manifesta em diversas atividades pedagógicas como:

A verdadeira inovação, portanto, não está apenas no uso de novas ferramentas, mas na capacidade de equilibrar tecnologia e presença humana, garantindo que a educação permaneça significativa, transformadora e alinhada aos valores inacianos. 

Essa inovação, imagino, só faz sentido se conversar com os alunos da geração atual. Como vocês tentam essa aproximação com o universo deles, com o tipo de mundo em que eles vivem sem necessariamente se render a tendências mais imediatistas?

No Colégio Medianeira, o estudante ocupa o centro do processo de aprendizagem, o que exige um vínculo formativo baseado na tecnologia do afeto. A interação entre estudantes e professores se constrói a partir do cuidado, da empatia e da escuta ativa, criando um ambiente de aprendizado mais humano e sensível às necessidades de cada estudante. Valorizamos as experiências reais, o silêncio e a presença autêntica, pois acreditamos que são essenciais para o desenvolvimento da profundidade intelectual e da vivência plena. 

Por isso, a inovação educacional no Colégio Medianeira não se limita a acompanhar tendências tecnológicas ou imediatistas, mas busca dialogar profundamente com o universo dos estudantes, reconhecendo seus desafios, aspirações e a complexidade do mundo em que vivem. Nossa proposta educativa tem como eixo central o estudante e seu projeto de vida, fomentando o protagonismo, a autonomia e a capacidade de resolver problemas de maneira ética e criativa.

Com isso, acreditamos que cada estudante é sujeito ativo da própria aprendizagem, pois mobilizamos nossos estudantes para fazerem experiências formativas que os ajudem a construir um projeto de vida sólido, baseado em valores bem estabelecidos, o que significa promover uma educação que vá além do conteúdo, incentivando a reflexão sobre identidade, propósito e impacto no mundo; estimulando a capacidade de tomada de decisão e discernimento, permitindo que os estudantes se posicionem de forma crítica diante das tendências culturais e tecnológicas.

Além disso, o mundo contemporâneo exige pensamento crítico e soluções inovadoras para desafios complexos. No Medianeira, isso se traduz em:

Como processo da formação integral, a aproximação com o universo juvenil não acontece por imposição, mas pelo diálogo constante entre estudantes, professores e equipes pedagógicas. Criamos espaços onde os jovens têm voz ativa, podendo expressar suas ideias, dúvidas e inquietações, sempre em um ambiente de escuta e corresponsabilidade.

Dessa forma, o Colégio Medianeira se aproxima do universo dos estudantes sem perder de vista a profundidade, os valores e o sentido maior da educação jesuíta, garantindo que a inovação seja sustentável, transformadora e verdadeiramente relevante para as novas gerações.

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