Depois da campanha eleitoral mais agressiva em Curitiba desde a redemocratização, Eduardo Pimentel (PSD) foi eleito prefeito neste domingo (27) , vencendo a candidata do PMB, Cristina Graeml, que chegou ao segundo turno como a grande surpresa das eleições deste ano. Pimentel teve 531.029 mil votos (57,64%) contra 390.254 (42,36%).
No confronto entre direita e direita, o eleitorado bolsonarista de Curitiba parece ter batido no teto na cidade. A votação de Cristina cresceu em relação ao primeiro turno, quando ela teve 291.523 votos, mas as últimas pesquisas mostraram um crescimento sólido de Pimentel, enquanto a candidata parecia não ter capacidade de aumentar seu eleitorado a ponto de vencer a disputa.
Além de demonstrar desconhecimento sobre temas da cidade nos três debates realizados (na Band, na RIC e na RPC), a candidata da extrema direita perdeu votos ao propor que a tarifa do transporte público fosse cobrada quilômetro rodado – a passagem seria mais alta para moradores de bairros distantes, o que foi explorado pela campanha de Pimentel.
Ela propôs ainda “cobrar contrapartidas” pela utilização dos serviços do SUS na cidade, o que gerou uma reação negativa de 21 prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba. A candidata também se recusou, durante toda a campanha, a explicar sua posição crítica à vacinação contra a covid, exposta quando era comentarista da Jovem Pan, entre outros veículos alinhados à extrema direita.
A imagem de Cristina Graeml também foi atingida pelas denúncias contra integrantes de sua campanha. O vice na chapa, Jairo Ferreira Filho, teve expostos processos e uma condenação. O eleitorado também descobriu que Fabiano dos Santos, presidente estadual do PMB, já foi condenado a três anos de prisão e preso com um carro roubado em janeiro deste ano, dois dias após lançar a pré-candidatura de Cristina.
Do outro lado, a campanha de Pimentel foi reformulada para enfrentar Graeml. Abalada pelo escândalo da pressão sobre servidores no primeiro turno, a campanha tentou passar a ideia de que a adversária no segundo turno pregava ódio e divisão, não tem experiência e desconhece a administração da cidade. Pimentel explorou esse ponto nos três debates, ao questionar a candidata do PMB sobre o orçamento da educação e locais da cidade que deveriam ter o VLT, o veículo leve sobre trilhos.
Quem ganha e quem perde
O resultado da eleição em Curitiba fortalece o governador Ratinho Júnior (PSD), que apoiou Pimentel e teve grande peso na indicação do vice na chapa, o ex-deputado federal Paulo Martins (PL). Ratinho tenta consolidar sua pré-candidatura à presidência em 2026 e teve que lidar com a traição do ex-presidente Jair Bolsonaro, que na véspera do primeiro turno disse que torcia por Cristina Graeml.
A tática de Bolsonaro foi tentar desgastar possíveis adversários da direita na eleição presidencial de 2026 (apesar de ele estar inelegível). Além de acenar para Cristina em Curitiba, o ex-presidente apoiou Fred Rodrigues (PL) em Goiânia, contra Sandro Mabel (União Brasil), apoiado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
A grande derrotada na eleição de Curitiba, mais uma vez, foi a esquerda. Imposta pela direção nacional do PT em função da aliança nacional, a candidatura do deputado federal Luciano Ducci (PSB) não empolgou a militância do partido. A campanha tentou esconder o PT e levar a disputa para o segundo turno com Eduardo Pimentel. Só não contava com a migração do eleitorado bolsonarista, que poucas horas antes do primeiro turno migrou do candidato oficial para Cristina Graeml.
Eduardo Pimentel Slaviero tem 40 anos e é vice-prefeito de Curitiba desde 2017. Formado em Administração, com pós-graduação em Agronegócios Foi secretário municipal de Obras de 2017 a 2018 e secretário estadual das Cidades de janeiro de 2023 a maio deste ano. É neto do ex-governador do Paraná Paulo Pimentel e irmão do presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero.