Ao chegar à última série do Ensino Fundamental II, o adolescente alcança notável capacidade de articular os saberes construídos ao longo da vida escolar, desenvolvendo uma visão crítica, consistente e própria do mundo. A linguagem ganha sofisticação, e é tempo de testar o alcance da palavra na defesa de ideias e valores. No Colégio Medianeira, esse exercício é promovido em um ambiente de responsabilidade, liberdade e pluralidade.
A seguir, em artigos com pontos de vista distintos, duas alunas do 9º ano refletem sobre a proibição do uso de celulares em nossa escola. Nina, 14 anos, é apaixonada por cinema, música e esportes. Rafaela Maki, também de 14 anos, encanta-se com os livros de fantasia, com os videogames e com as múltiplas formas de se expressar por meio de traços e cores.

Entre desafios e conquistas, os primeiros nove meses sem celular na minha escola
Por Nina de Souza Silva
No dia 13 de janeiro de 2025, foi sancionada a Lei 15.100/25, a qual determinou a proibição do uso de aparelhos eletrônicos portáteis - incluindo celulares - no espaço escolar. Nove meses depois, a Lei pegou? Como estão as salas de aula?
No Colégio Medianeira, uma instituição privada de ensino localizada em Curitiba, com cerca de 1500 alunos, é possível ver grandes mudanças no dia a dia. Além da melhora nas interações sociais, os estudantes são ensinados a viver a realidade e a guardar os momentos na memória ao invés de em fotos e vídeos no celular. Apesar de ser uma missão difícil para alguns alunos, a grande maioria deles vê a lei como uma oportunidade de conhecer pessoas novas e de praticar esportes nos intervalos.
Além dos benefícios físicos, houve também uma melhora no desempenho acadêmico. Muitos estudantes relatam que os eletrônicos eram a principal distração nas aulas e, com sua proibição, o foco e atenção tomaram o lugar das brincadeiras e redes sociais. Os professores também se mostram satisfeitos com a Lei e observam um crescimento expressivo no desenvolvimento dos alunos.
Apesar de extremamente criticada pelos estudantes, a resolução legal foi, portanto, benéfica para a escola.Uma das coisas mais importantes para a espécie humana é a socialização, portanto é de extrema importância que nós saibamos respeitar os limites do outro e trocar ideias com outras pessoas. A geração atual vive em uma comunidade online, na qual pensam que podem falar o que quiserem de forma anônima. O espaço escolar deveria ser um local em que os estudantes interagem uns com os outros fora das redes, porém com as distrações dos celulares, isso não vinha ocorrendo.
Em 2024, o Dicionário Oxford elegeu o termo “Brain Rot” como a expressão do ano devido à importância dessa discussão. Esse efeito de “cérebro cansado” é muito comum nos adolescentes, pois se dá após muito tempo de telas e recepção de conteúdos repetitivos e de baixa qualidade. Tais ações causam impactos negativos, como a atrofia da capacidade de concentração, memória e criatividade.Num futuro próximo, o uso excessivo de smartphones vai dar origem a uma sociedade passiva, ignorante e alienada. Por isso, o uso desses aparelhos nas escolas foi corretamente proibido. E se você também passasse suas manhãs sem o celular?

Possibilidades e desafios na implementação da Lei 15.100/25 nas escolas do Brasil
Por Rafaela Maki
No dia 13 de janeiro, foi sancionada a Lei 15.100/25, que determina a proibição do uso de aparelhos eletrônicos portáteis para estudantes do ensino básico. Após quatro meses, como está a vida nas escolas?
No Colégio Medianeira, uma instituição privada de ensino localizada em Curitiba, com cerca de 1500 alunos, as mudanças não são tão perceptíveis quanto o esperado. Apesar da aplicação da Lei, nem todos a respeitam. Ainda há o uso dos aparelhos eletrônicos - mais controlado e menos recorrente -, porém mais ansioso e desesperado pelo longo tempo sem acesso a eles.
O objetivo da Lei 15.100 é sim positivo para a vida acadêmica dos jovens, mas não é o caminho mais correto e muito menos o ideal.A Revista Superinteressante, de fevereiro de 2025, em sua matéria “Tirar ou não tirar, eis a questão”, destaca a importância da convivência online, como ela é uma habilidade essencial para a formação de adultos funcionais na sociedade atual. Ensinar os alunos a usarem o celular de uma forma responsável e consciente dentro das salas de aula é tão importante quanto ensiná-los a se comportar ou a estudar.
Além disso, o celular pode ser uma ferramenta pedagógica valiosa quando seu uso é bem orientado. A própria BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento que serve de referência para o currículo escolar brasileiro de escolas públicas e privadas, traz isso como garantia. Proibir totalmente os eletrônicos nas escolas desconsidera as vantagens que esses dispositivos podem trazer ao aprendizado, como o acesso rápido à informação, o desenvolvimento da autonomia e a diversificação das formas de estudo.
Portanto, embora a intenção da Lei 15.100 seja promover um ambiente mais focado em estudos, proibir não é o melhor caminho. Em vez disso, é mais sensato educar para o uso responsável e preparar os jovens para a realidade atual.