A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cajuru, em Curitiba, fechada desde agosto de 2025, reabriu nesta quarta-feira (28). A readequação custou R$ 1 milhão em verbas públicas, contudo, o atendimento é terceirizado por meio da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).
A prefeitura investiu R$ 607 mil, além de R$ 404 mil de emenda do deputado federal Luizão Goulart e R$ 30 mil de emenda do vereador Pastor Marciano Alves.
Durante a reforma, muitos trabalhadores do local foram realocados sem serem consultados sobre os destinos. Ademais, médicos ouvidos pelo Plural também alertaram sobre o modelo de Circuito Direcionado de Atendimento (CDA), projeto já implantado em Curitiba em outras três UPAs (Pinheirinho, Fazendinha e Boqueirão).
Este modelo CDA previa substituir os consultórios de alvenaria – que têm privacidade, por baias abertas . A alteração preocupou médicos que trabalham na UPA porque isso pode impactar na queda de produtividade tanto pelo constrangimento dos pacientes, quanto pelo deslocamento dos médicos até as macas, em caso de pacientes que não têm mobilidade. No Cajuru, no entanto, o modelo adotado manteve os CDAs fechados.
“Nas outras três UPAs, que já utilizam essa estrutura de atendimento, os pacientes ficam em boxes separados por divisórias, o que foi aperfeiçoado agora”, explicou a prefeitura em um texto publicado no site.
Com a reinauguração também serão retomados os atendimentos odontológicos e o plantão com atendimento 24 horas, todos os dias da semana.
Todo este atendimento é feito por 283 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas, técnicos de saúde bucal, técnicos administrativos e equipes das ambulâncias. Muitos deles são terceirizados da Feas, o que não foi mencionado pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD) durante a inauguração.
Em dezembro do ano passado servidores públicos da área da saúde, organizados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc), realizaram protesto contra a terceirização, e afirmaram que não houve diálogo entre servidores e gestão para adoção da Feas como contratante dos trabalhadores, que são responsáveis por cerca de 15 mil atendimentos mensais na unidade, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde.
