Trabalhadores e trabalhadoras realizaram, nesta segunda-feira (03), assembleia no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) e aprovaram estado de greve, após rejeitarem proposta da prefeitura, que não prevê ganho real. No próximo dia 10 de novembro a categoria vota a deflagração da greve geral, caso não haja avanço nas negociações.
Para quinta-feira (6) o Sindicato fará mobilização nos locais de trabalho para falar sobre a proposta de Eduardo Pimentel (PSD). Aos servidores, ele apresentou 5,17%, que recompõe a inflação dos últimos, ou seja: sem ganho real. Além disso, o pagamento seria feito apenas em janeiro sem retroatividade.

Para o sindicato a proposta representa uma perda acumulada de cerca de 17% nos salários de servidoras e servidores ativos e aposentados, ou seja, em média de 2 a 2,5 mil por trabalhador. De 2016 a 2024, o índice de defasagem salarial ficou em 6,99%, e agora, com o adiamento do reajuste, o impacto representa mais 17% de um salário perdido.
Discussão
A aprovação do indicativo de estado de greve foi unânime e busca pressionar Pimentel para que pague o retroativo da data-base. Por enquanto, porém, não há mudança no atendimento da população, isso será deliberado apenas na próxima semana.
Segundo o Sismuc, uma das justificativas dadas pela prefeitura ao apresentar a proposta sem ganho real é a falta de recursos que pode ocorrer por conta do corte dos impostos do IPVA no Paraná, estratégia política de Ratinho Jr. (PSD) de olho nas eleições. A Prefeitura nega que essa relação exista (veja a nota oficial do município abaixo).
Contudo, dados apresentados pela prefeitura à Câmara Municipal no mês passado demonstram superávit primário de R$ 775 milhões nos primeiros oito meses de 2025, conforme levantamento feito pelo Sismuc.
Prefeitura
A Prefeitura de Curitiba emitiu uma nota oficial negando que haja vínculo entre a decisão relativa ao reajuste dos servidores e o corte do IPVA. Veja a nota abaixo:
A Prefeitura de Curitiba afirma que não procede a informação de que os descontos do IPVA concedidos pelo Governo do Estado impactaram o orçamento municipal e que isso teria relação com o reajuste concedido aos servidores.
A política de reajuste do funcionalismo é definida com base em critérios técnicos e de responsabilidade fiscal, por isso, foi apresentada proposta de recomposição salarial de 5,17%, correspondente à inflação medida pelo IPCA/IBGE entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Além disso, foi anunciado o complemento referente ao piso nacional dos professores da Educação Infantil, retroativo a janeiro de 2025. Também foi autorizado o pagamento da licença-prêmio para servidores ativos e aposentados que atendem aos critérios e também o crescimento vertical, procedimento de carreira dos servidores estatutários, será iniciado em 2025, com pagamento após a conclusão da última etapa.
Há um esforço permanente de valorizar os servidores e manter um caixa equilibrado que permita, além de cumprir com todas as obrigações, promover investimentos necessários para a cidade.