Após uma queda brusca durante os anos de restrições da pandemia de Covid, a arrecadação com multas de trânsito em Curitiba entrou em um ciclo acelerado de crescimento e atingiu níveis históricos entre 2023 e 2024. Os dados oficiais mostram, no entanto, que esse movimento perdeu força em 2025, quando tanto o número de infrações quanto o valor arrecadado voltaram a cair, interrompendo a sequência de altas registrada no pós-pandemia.
Desde o início de 2025 a prefeitura vem aumentando a sinalização dos radares de velocidade, um tema que ganhou importância durante as eleições de 2024, quando outros candidatos começaram a prometer a reduzir o número de multas.
Multas de trânsito e arrecadação em Curitiba (2017–2025)
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Entre 2017 e 2019, antes da covid-19, a capital paranaense mantinha um padrão relativamente estável de fiscalização. Nesse período, a arrecadação anual com multas variava entre R$ 105 milhões e R$ 150 milhões, com superávits recorrentes: o dinheiro arrecadado superava os gastos e repasses obrigatórios. Esse cenário mudou radicalmente em 2020, primeiro ano da pandemia, quando o volume de multas caiu cerca de um terço e a arrecadação despencou para menos de R$ 90 milhões. Mesmo com menos infrações, os gastos permaneceram elevados, e o sistema entrou em déficit.
A recuperação começou em 2021, mas foi a partir de 2022 que os números passaram a superar, com folga, os níveis pré-pandemia. Em 2023, Curitiba aplicou mais de 1,27 milhão de multas e arrecadou cerca de R$ 220 milhões — o maior valor da série histórica. Em 2024, o recorde foi renovado, com quase R$ 236 milhões em multas, impulsionado por alta fiscalização e pelo retorno pleno da circulação de veículos na cidade.
O ano de 2025, porém, marca uma inflexão. Apesar de manter um patamar elevado, a arrecadação caiu para cerca de R$ 212 milhões, e o número de multas recuou em torno de 12% em relação ao ano anterior. O movimento sugere que o crescimento acelerado observado no pós-pandemia pode ter atingido um limite, abrindo espaço para um período de estabilização ou até de retração.
A destinação dos recursos também revela mudanças importantes ao longo do tempo. Os gastos com policiamento e fiscalização sempre concentraram a maior fatia do dinheiro das multas e cresceram fortemente após 2022, acompanhando o aumento da arrecadação. Já investimentos em educação para o trânsito, que eram mais expressivos em 2017, permaneceram baixos na maior parte do período, com exceções pontuais. Outra parcela relevante dos valores arrecadados foi transferida ao Tesouro Municipal por meio da DREM, mecanismo que desvincula parte das receitas e cresceu proporcionalmente nos anos de maior arrecadação.
No balanço geral, os dados indicam três fases distintas: estabilidade antes da pandemia, colapso e déficit em 2020 e 2021, e expansão acelerada entre 2022 e 2024. A queda registrada em 2025 levanta a dúvida sobre os próximos anos: se a cidade entrou em um novo patamar estável de arrecadação ou se o ciclo de alta das multas começa, agora, a dar sinais de esgotamento.