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Justiça autoriza continuidade de operação em aterro sanitário no CIC

Possibilidade de renovação da licença de operação para empresa Solví Essencis havia sido suspensa no mês passado

Justiça autoriza continuidade de operação em aterro sanitário no CIC
Plano de encerramento das atividades estava previsto para 2021, segundo o Instituto Democracia Popular / Foto: Câmara Municipal de Curitiba/Divulgação
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A juíza Diele Denardin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública, concedeu parcialmente liminar à empresa Solví Essencis Ambiental S.A. e autorizou a continuidade da operação no aterro sanitário na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A renovação da licença havia sido suspensa no mês passado pela 5ª Vara a pedido do Instituto Democracia Popular (IDP), em ação civil pública contra o município de Curitiba e a Essencis.

Em decisão deste mês, a juíza Diele Denardin Zydek considerou que, no caso de a suspensão ser mantida, “a situação fática poderá ser irreversível, visto que já terá ocorrido a demissão de colaboradores e remanejada a entrega dos resíduos industriais e perigosos, com claro prejuízo à impetrante”.

A última renovação de operação dada Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba (SMMA) foi em setembro de 2023 e valia até o dia 9 deste mês. A juíza afirmou em seu despacho que o pedido de renovação foi feito em 28 de abril e que sua análise ocorreu às vésperas do encerramento da licença, "razão pela qual entendo razoável que se conceda efeito suspensivo ao recurso até a prestação de informações pela autoridade coatora (...), oportunidade em que será reavaliada a necessidade de manutenção do efeito suspensivo ao recurso administrativo, a fim de evitar prejuízo irreversível à impetrante e à prestação de serviço público".

O pedido da empresa foi apenas parcialmente deferido pela SMMA no dia 26 de abril, para conceder a renovação parcial da Licença de Operação, que contemplava parte das atividades desempenhadas pela Solví Essencis. A renovação das atividades de aterro sanitário classes I e II foi negada. O aterro classe I é para resíduos considerados perigosos. O aterro classe II recebe resíduos como embalagens, restos de alimentos, metais, vidro e entulho.

Entenda o caso

O IDP ajuizou ação em 2024 para suspender a concessão de licenças à empresa. Para o Instituto, a nova solicitação de licença realizada junto à Secretaria do Meio Ambiente, em junho deste ano, indicou que a empresa não pretendia cumprir o prazo estabelecido para encerramento de suas atividades, segundo matéria publicada pelo Plural no mês passado.

Possibilidade de renovação de licença do aterro sanitário do CIC é suspensa pela Justiça
A juíza Diele Denardin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública, reconheceu indícios de danos ambientais graves

O plano de encerramento das atividades estava previsto para 2021. Além disso, segundo o IDP, havia o projeto expansão sem novo estudo de impacto ambiental, licenciamento irregular e proximidade com áreas habitadas e recursos hídricos. A decisão que impedia a renovação foi dada em 6 de agosto pela 5ª Vara da Fazenda Pública.

A licença renovada em 2023 autorizou a Essencis a atuar no tratamento de resíduos (blendagem para coprocessamento; blendagem orgânica; encapsulamento, estabilização e solidificação de resíduos), laboratório de análises físico-químicas, disposição final em aterros de resíduos Classes I e II, Estação de tratamento de efluentes (próprios e proveniente de terceiros) e tratamento de solo contaminado via biopilha proveniente da Refinaria Getúlio Vargas (Repar).

Em comunicado, a Essencis afirmou que, em razão da liminar, as atividades da empresa “encontram-se devidamente autorizadas e regularizadas para continuidade das operações nos aterros classe I e II”. “As atividades de destinação de resíduos seguem em plena normalidade, sem qualquer prejuízo ao atendimento de nossos clientes e parceiros”, afirmou a empresa. 

Despejo

No ano passado, mais de 60 famílias foram despejadas de uma área de ocupação no CIC, conhecida como Tiradentes II. O local, ocupado por membros do Movimento Popular por Moradia (MPM), foi desocupado após a Justiça permitir reintegração de posse para a Essencis.

Em agosto do ano passado, a juíza substituta Franciele Cit, da 17ª Vara Cível de Curitiba, determinou que somente 19 das 67 famílias desalojadas da ocupação fossem ressarcidas em R$ 600 pela Essencis, proprietária da área. As famílias foram retiradas do local na manhã do dia 9 de julho, sob chuva e com uma temperatura de 7° graus. A ordem de reintegração de posse, cumprida pela Polícia Militar, também foi assinada pela juíza Franciele Cit.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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