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Deputado cobra informações da Sesp sobre morte de jovem no Parolin

Vídeo mostra policiais carregando Yago Pires, de 20 anos, ainda com vida

Deputado cobra informações da Sesp sobre morte de jovem no Parolin
Jovem foi arrastado por escada antes de morrer. Imagem: Reprodução
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O deputado estadual Goura (PDT) encaminhou um ofício ao secretário da Segurança Pública, Hudson Teixeira, solicitando informações sobre a morte de Yago Gabriel Pires de Oliveira, de 20 anos, ocorrida durante uma ação de forças policiais no Parolin, em Curitiba, nesta terça-feira (7). 

Um vídeo mostra Yago sendo arrastado por policiais militares, sangrando e ainda com vida, dentro de um barracão de materiais recicláveis no Parolin. Uma foto feita em seguida mostra o rapaz morto. Segundo a Polícia Civil, Yago Pires respondia por furto, reagiu à abordagem e estava armado com uma pistola de uso restrito. Familiares do jovem negam e dizem que ele estava dormindo e foi retirado de casa pelos policiais.

No ofício, Goura questiona quais órgãos participaram da operação e sob qual comando; a identidade da vítima e a circunstância da morte; se houve perícia técnica no local e se foi instaurado inquérito policial militar ou civil; qual o procedimento adotado pelos policiais que aparecem nos vídeos, e se a Corregedoria da Polícia Militar instaurou apuração disciplinar; quais medidas foram ou serão adotadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) para garantir a integridade das investigações e a comunicação à família da vítima.

Segundo o mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT), familiares de Yago foram ameaçados e tiveram celulares, computadores e outros bens recolhidos após a ação, que teria começado por volta das 5h5o da manhã, com policiais da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas).

De acordo com Freitas, familiares relataram que o jovem dormia no sofá junto com o irmão de 9 anos quando foi abordado e arrastado pelas escadas para o barracão de recicláveis anexo à casa. Eles teriam ouvido pelo menos dez tiros.

Em entrevista a portais de notícias, um coronel da PM afirmou que Yago foi retirado do local porque tentava pegar novamente a arma que portava e para que fosse prestado atendimento médico.

O Plural entrou em contato com a PM e a Sesp na tarde desta terça-feira, mas não houve posicionamento oficial.

Tiros no TRE

A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e foi o desdobramento de uma investigação sobre uma troca de tiros ocorrida no dia 21 de maio deste anos. Disparos atingiram a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no dia 21 maio deste ano e uma funcionária ferida.

O site da Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que as buscas foram feitas em endereços previamente identificados e tiveram apoio da PM e da Guarda Municipal de Curitiba, além de suporte técnico da Copel para a remoção de câmeras de segurança instaladas irregularmente em vias públicas. Segundo a PCPR, foram apreendidas porções de drogas, sistemas de videomonitoramento, celulares, munições, carregadores e uma arma de fogo adaptada para disparar em rajadas.

Ao site da PCPR, o delegado Osmar Antônio Dechiche os tiros que atingiram o TRE foram trocados durante uma disputa entre grupos criminosos pelo controle de pontos de tráfico na região. “Esta não foi a primeira ação e não será a última", disse Dechiche.

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Ato contra a violência

No dia 26 de setembro, moradores do Parolin fizeram uma manifestação contra a violência policial, que segundo eles tem se intensificado no bairro. O ato foi organizado pela comunidade e pela Rede Nenhuma Vida a Menos. Viaturas da PM acompanharam a ação e a casa de um morador foi revistada, mesmo sem apresentação de mandado judicial. Pelo menos seis mortes foram registradas neste ano no Parolin em ações da PM.

De 2019 até o fim do ano passado, as ações das forças de segurança do Paraná deixaram 2.371 mortos, segundo levantamento divulgado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) em janeiro. Em 2024, foram registradas 413 mortes. Os dados incluem ações da PM, da Polícia Civil e das Guardas Municipais, mas a maioria envolve a PM. Dos 433 casos registrados como confrontos no ano passado, a Polícia Militar esteve envolvida em 424 (97,7% do total), a Polícia Civil em cinco (1,2%) e guardas municipais em quatro (0,9%).

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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