A vereadora Professora Angela (PSOL) afirmou nesta quinta-feira (16) à Comissão Processante que poderá recomendar a cassação de seu mandato que a repercussão de uma cartilha sobre redução de danos no uso de drogas, distribuída durante audiência convocada por ela no dia 5 de agosto, ganhou proporção após divulgação de outros parlamentares, críticos do evento. Vários vereadores criticaram e expuseram o material. Ela foi denunciada pelos vereadores Bruno Secco (PMB) e Da Costa (União).
“Tivemos todo o cuidado, quem fez com que chegasse onde não deveria essa cartilha não fomos nós. Nos inclusive interrompemos a distribuição da cartilha assim que constatamos que ela poderia gerar mais problemas do que acertos”, disse Professora Angela em depoimento à Comissão, na manhã esta quinta.
“Quem fez chegar no Brasil inteiro, em diversas faixas etárias, e mais, fora do contexto, foi quem fez cortes para redes sociais ou para responder para sua base, de forma irresponsável. Quando você usa levianamente um material, tirando ele do contexto, mostrando só uma parte dele e já criminalizando o material, sai do meu controle”.
Professora Angela (PSOL), vereadora
Os integrantes da Comissão Processante são Renan Ceschin (Podemos), presidente; Olimpio Araujo Junior (PL), relator; e Zezinho Sabará (PSD). Segundo Bruno Secco e Da Costa, houve apologia ao uso de drogas. O caso foi levado ao corregedor da Câmara, Sidnei Toaldo (PRD), que concluiu que havia indícios de descumprimento do Código de Ética e Decoro Parlamentar.
Questionada por Olimpio Araujo Junior sobre publicações em seu perfil a respeito da Marcha da Maconha (onde o material seria distribuído, o que poderia aumentar o alcance do material), Professora Angela afirmou que os perfis dos denunciantes têm mais seguidores – e mesmo assim divulgaram a cartilha sobre redução de danos, elaborada pela equipe de seu gabinete.
"O nosso alcance nas redes sociais não é uma coisa estrondosa. Quem assiste ao Youtube da Câmara, se você for comparar com as redes sociais de quem divulgou de forma leviana esse material, é uma discrepância enorme".
Professora Angela (PSOL), vereadora
O presidente da Comissão Processante, Renan Ceschin, explicou que a vereadora terá cinco dias para apresentar sua defesa, que prazo termina na próxima terça-feira (21). A Comissão terá até o fim de novembro para apresentar seu relatório. "A Comissão Processante está tratando do processo com total imparcialidade e respeito, garantindo a ampla defesa. Após esses cinco dias, a comissão vai se debruçar sobre todas as oitivas para apresentar um relatório", disse Ceschin.
Na última segunda-feira, Professora Angela reuniu apoiadores e lideranças nacionais em defesa de seu mandato, em um ato na Praça Santos Andrade.
Dois vereadores envolvidos no processo têm seus mandatos na Câmara de Curitiba ameaçados. O corregedor da Câmara, Sidnei Toaldo, teve seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral por fraude na cota de gênero que teria sido cometida pelo seu partido, o PRD, nas eleições ano passado. Ele pode recorrer da decisão no cargo. Bruno Secco, que denunciou Professora Angela, enfrenta um processo pelo mesmo motivo. A fraude teria sido cometida pelo PMB nas eleições de 2024.