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Após doação de camisa do Corinthians, Museu do Holocausto faz exposição sobre futebol e Direitos Humanos

Exposição gratuita inicia nesta segunda-feira e tem camisas de diversos clubes com mensagens em defesa dos Direitos Humanos

Após doação de camisa do Corinthians, Museu do Holocausto faz exposição sobre futebol e Direitos Humanos
Exposição é gratuita em Curitiba | Foto: TripAdvisor
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Na segunda-feira (13) o Museu do Holocausto de Curitiba inaugura a exposição “Camisas Contra o Ódio”, que reúne camisas de futebol de seleções e clubes que têm mensagens em defesa dos Direitos Humanos. A entrada é gratuita.

A mostra é inédita e reúne 36 camisas. Dividida em seis módulos temáticos, a mostra reúne peças de clubes como Athletico, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Vasco, Santos, Fluminense, Atlético Mineiro e as seleções masculina e feminina do Brasil, ao lado de times internacionais.

As camisas foram usadas por Vinícius Júnior, Hulk e Germán Cano, e Geyse Ferreira, os uniformes estampam desde mensagens em memória às vítimas do Holocausto e campanhas contra a intolerância, destacando o papel do futebol como agente de mobilização social.

A primeira peça a integrar o acervo foi uma camisa do Corinthians usada no jogo contra o Fortaleza, em novembro de 2019. O uniforme, que estampa uma estrela de David, faz parte da campanha pioneira “Uma estrela para não esquecer”.

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A camiseta foi adquirida por Amnon Czerny, sobrevivente do Holocausto que vivia em Curitiba, e doada ao Museu durante a  cerimônia do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, em 27 de janeiro de 2020. Amnon faleceu em setembro daquele ano, aos 84 anos.

A mostra conta com o apoio do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, do Grupo de Estudos e Pesquisas Aplicadas ao Futebol (GEPAF), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. A concepção de arte é do designer Michel Neuhaus.

Discriminação em campo

Embora seja um espaço de celebração e pertencimento, o futebol ainda reflete as estruturas de preconceito da sociedade. Nos últimos anos, os casos de discriminação no esporte têm crescido, seja pelo aumento real dos incidentes ou pela maior consciência da população em denunciá-los.

De acordo com o último Relatório da Discriminação Racial no Futebol, divulgado em 2024, foram registrados 250 incidentes discriminatórios, sendo 222 no Brasil e 28 envolvendo atletas brasileiros no exterior. O racismo predominou, representando 75% das denúncias (184 casos), seguido da LGBTfobia (16%), xenofobia (6%) e machismo (4%).

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O cenário é ainda mais preocupante quando analisado ao longo do tempo. Desde 2016, os casos de racismo crescem ano a ano e, em comparação com 2014, primeiro ano do monitoramento realizado pelo Observatório, os incidentes aumentaram em 444%, passando de 25 para 136 registros. O relatório é desenvolvido em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Grupo de Estudos sobre Esporte e Discriminação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em Curitiba, em janeiro de 2025, o zagueiro Léo Pelé, do Athletico, foi vítima de racismo por parte de um torcedor adversário durante o jogo contra o Coritiba, pelo Campeonato Paranaense. O caso foi registrado na Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe) e um torcedor de 18 anos foi identificado. Ele deve responder por injúria racial, crime equiparado ao racismo, com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição de frequentar estádios.

A resposta dos clubes veio em campo. Três dias depois, o Athletico entrou em jogo com uma camisa estampando “Não ao racismo”. Logo após, o Coritiba vestiu um uniforme com a frase “Racistas não são bem-vindos no Couto”. As duas camisas foram doadas ao Museu e integram a exposição.

Para agendar a visita, basta clicar aqui.

Endereço: R. Cel. Agostinho Macedo, 248 - Bom Retiro

Telefone(41) 3093-746

 

 

Tags: curitiba

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