O livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia, 2019), foi o mais emprestado aos leitores da Biblioteca Pública do Paraná (BBP), em Curitiba, em 2025. Além desse, também figuram na lista outros autores brasileiros como Conceição Evaristo e Raphael Montes.
Metade dos autores no top 10 da BBP são brasileiros, o que, para a especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens, Ana Mira, tem influência das redes sociais. O fenômeno, para ela, perpassa pela possibilidade de os leitores interagirem com os autores das obras e também pela ação de influenciadores digitais.
“Acredito que o movimento das redes sociais é importante para tentar explicar esse fenômeno. Booktokers, canais no Youtube dedicados à leitura, são gigantes com vários seguidores e uma audiência fiel. De uma maneira geral, essa relação entre influenciadores de leitura e escritores tem sido extremamente útil para essa valorização de escritores brasileiros. Importa muito também se ver nas histórias, nomes brasileiros, realidades conhecidas, lugares que as pessoas reconhecem. É mais fácil se ver numa história que passa em uma metrópole brasileira do que numa cidade da Europa, dos EUA”, explica Mira, que também é diretora-geral da Toda Letra, consultoria em Língua Portuguesa.
“O fato de os leitores poderem ter contato direto com os escritores também muda essa relação. O Raphael Montes por exemplo, de Jantar Secreto, é super ativo, vive conversando com os seguidores, coloca enquetes. Isso estimula a leitura de outras obras e de outros brasileiros”, diz.



Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. | Fotos: Tami Taketani/Plural.
Além disso, livros que figuraram na lista de leituras obrigatórias de vestibulares como o da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também estão ranqueados, como é o caso de O drible, de Sérgio Rodrigues (Companhia das Letras, 2013). “Existe uma diferença entre uma leitura de fruição e uma leitura de estudo, o que não desabona os livros”, observa o professor do curso de Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marcio Matiassi Cantarin, doutor em literatura.
O Top 10 da BBP
1. Torto Arado - Itamar Vieira Junior. Todavia, 2019. 165 empréstimos.
2. Hábitos atômicos: um método fácil e comprovado de criar bons hábitos e se livrar dos maus - James Clear. Alta Life, 2019. 105 empréstimos.
3. O drible - Sérgio Rodrigues. Companhia das Letras, 2013. 104 empréstimos.
4. Diário de um banana: as memórias de Greg Heffley: um romance em quadrinhos - Jeff Kinney. V&R Editoras, 2008. 102 empréstimos.
5. A amiga genial: infância, adolescência - Elena Ferrante. Biblioteca Azul, 2015. 93 empréstimos.
6. Olhos d'água - Conceição Evaristo. Pallas, Biblioteca Nacional, 2023. 89 empréstimos.
7. A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Quintana Arantes. Sextante, 2019. 85 empréstimos.
8. A sutil arte de ligar o foda-se - Mark Manson. Intrínseca, 2019. 84 empréstimos.
9. Jantar secreto - Raphael Montes. Companhia das Letras, 2016. 79 empréstimos.
9. Os irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski. Editora 34, 2008. 79 empréstimos.
10. A empregada: bem-vinda à família - Freida McFadden. Arqueiro, 223. 77 empréstimos.
Consumo de literatura
O setor editorial e livreiro no Brasil registrou, em 2025, mais de 54 mil empresas e estabelecimentos ativos em todas as etapas da cadeia, como editoras de livros, livreiros, distribuidores e gráficas e empresas de edição integrada. O número representa uma expansão em relação ao ano anterior, quando eram 51 mil empresas e estabelecimentos ativos.
Os dados são de levantamento divulgado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), produzido em parceria com a Analytics Valuation Reporting Insights (AVRI).

Além disso, como no caso da BPP, também existem leitores que preferem emprestar os livros em bibliotecas. Neste caso, é possível ficar com o título por 14 dias (veja o passo a passo de como fazer empréstimo no fim do texto).
Os empréstimos democratizam o acesso aos livros, já que em bibliotecas públicas ou de universidades, por exemplo, não há custo. Para Ana Mira, a leitura permite “imaginação verdadeira” na era da tecnologia.
“Para mim, a leitura nunca foi apenas um hábito. Foi casa, foi mapa, foi salvação. Foi o jeito que encontrei de compreender o mundo e, talvez, de me manter humana em meio a ele. Em tempos de velocidade, produtividade e inteligência artificial, acredito que a leitura é um dos últimos espaços de profundidade, silêncio e imaginação verdadeira”.
Como emprestar livros na BBP?
A Biblioteca Pública do Paraná tem mais de 700 mil volumes, entre livros, periódicos, fotografias e materiais multimídia. Alguns estão disponíveis apenas para consulta local, então é preciso ficar atento.
Qualquer pessoa com mais de dez anos pode fazer empréstimos de livros. No caso das crianças é preciso ter autorização dos pais. Para isso, basta ir até a BBP com algum documento de identificação (RG, certidão de nascimento, CNH, etc.), comprovante de endereço e pagar a taxa de inscrição (R$ 2,50). Veja aqui os detalhes.
A BBP fica na rua Cândido Lopes, 133, centro. Consulte os horários de funcionamento aqui.
