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Lênin Palhano alça voo solo em bar de tapas com cozinha autoral

Restaurante tem balcão para quatro pessoas dentro da cozinha

Lênin Palhano alça voo solo em bar de tapas com cozinha autoral
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No ano em que o mundo parou, a carreira de Lênin Palhano sofreu uma aceleração súbita. Após sete anos no comando da cozinha do Nomade, o premiado restaurante do Nomaa Hotel, o chef natural de Londrina alçou voo solo. 

Em janeiro, ele inaugurou o Obst. (pronuncia-se óbsti), abreviação de “obstinação por fazer algo novo”, segundo o manifesto da nova casa, que fica na Alameda Prudente de Moraes, no Centro de Curitiba. A região tem atraído cada vez mais restaurantes, cafés, sorveteria e bares descolados. 

“Não planejei abrir tão cedo. Era um projeto que ia levar pelo menos mais um ano, mas daí veio a pandemia…”, conta o chef. Com mais tempo à disposição, Lênin tirou a ideia do papel, alugou o ponto e arrumou um sócio, o empresário Marcelo Muggiati Vaz. 

A obstinação por fazer algo novo se traduziu em inovações que fogem dos padrões da gastronomia curitibana. A mais visível é a cozinha completamente exposta para o salão, uma forma de aproximar o cliente da brigada de cozinheiros e da (cri)atividade do chef. 

A segunda é o balcão para quatro pessoas instalado dentro da cozinha, uma solução que Lênin define como “ousada”. Ali o chef conduz e serve o menu degustação (apenas com reserva) que não tem um número fixo de pratos. “Tudo depende da fome do cliente”, afirma o chef.

O preço do menu confiança é de R$ 350 sem bebidas ou de R$ 550 com harmonização com cervejas especiais, vinhos e drinks preparados pelo bartender Zé Augusto Swaiger, ex-Officina Restô e Nomade, que aos 28 anos é um nome de ponta da coquetelaria curitibana.

No salão, o menu é à la carte e se divide em snacks, que são sempre servidos em duplas e são feitos para comer com as mãos, e em pratos pensados para usar talheres. As opções mudam todos os dias de acordo com a disponibilidade dos ingredientes, sempre frescos e sazonais. 

No dia que a reportagem conversou com o chef, o cardápio contemplava atum do Rio Grande do Norte, pirarucu de cativeiro criado de forma sustentável, batata assada com ovo perfeito e entranha com caldo de cebola e maionese de mandioquinha. 

“É um menu que não tem amarras e traz influências de tudo que já vi e vivi. Os produtos são brasileiros, a influência é mundial com traços asiáticos e a forma de servir é próxima da espanhola”, resume Lênin, que divide a cozinha com Julia Schwabe, que foi sua sub-chef no Nomade.

Lênin já trabalhou na Espanha e de lá traz a inspiração para um serviço mais informal e descolado, típico de um bar de tapas, mas sem perder o cuidado com os detalhes. Suas referências são o famoso Tickets, dos irmãos Albert e Ferran Adrià, em Barcelona, o Nit, do chef catalão Oscar Bosch, e A Casa do Porco, do casal Jefferson e Janaína Rueda, ambos em São Paulo.

Os preços dos snacks variam muito: de R$ 30 para a dupla de niguiri com missô e beterraba, a R$ 200 para uma tapa com vieira e caviar beluga, uma das iguarias mais caras do mundo.

Punch clarificado. Foto: Munir Bucair Filho/Divulgação

Defensor da cozinha brasileira e de seus insumos, Lênin diz não querer se prender ao “quilômetro zero”, conceito que ganhou o mundo nas últimas décadas e, segundo o qual, tudo que é consumido deve ser produzido num raio limitado. 

Seus fornecedores estão espalhados pelo país: do interior de São Paulo vem as carnes da nobre raça Wagyu, do Pernambuco ele importa o presunto feito a partir de porcos criados soltos, de Santa Catarina as riquezas do mar e, do Paraná, hortifruti e queijos.

Aos 34 anos - antes do Nomade ele trabalhou sete anos no Grupo Vinho onde comandou as cozinhas do Terra Madre e do C La Vie - Palhano diz ter chegado ao “melhor momento” da sua carreira. “Me preparei 15 anos para isso”, garante.

Bateta sapecada. Foto: Munir Bucair Filho/Divulgação

A casa tem capacidade para 55 lugares, mesas na calçada e um balcão do bar para quem quiser simplesmente tomar um drink. A carta conta com coquetéis autorais que o mixologista Zé Augusto define "mais limpos" e sóbrios.

Alguns exemplos são o delicado Pomar, servido com uvas verdes maceradas com fatias de pepino, um toque de vodka de pera e licor de flor de sabugueiro; ou o Punch Clarificado, seu drink assinatura, à base de creme de leite e frutas tropicais e servido totalmente translúcido.   

Serviço

Alameda Prudente de Moraes 983, Centro - 41 98822 2667. Terça a sexta-feira, das 18 às 22h, e aos sábados, das 14 às 22h.

Tags: cultura

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