A mostra "Partida de Arnaque", individual de Mário de Alencar, tem abertura neste sábado (28), às 14h, na Galeria Asa Basa. O acervo reúne 16 obras criadas durante uma residência artística, em que ele trabalhou com a técnica da colagem para pintar telas a óleo. A exposição fica em cartaz até 10 de agosto.
Com duração de cerca de seis meses, o processo criativo do artista resultou em retratos com a fragmentação de rostos, identidades e figuras históricas. Ao longo do período, o curador Lucas Velloso esteve ao lado do artista, trazendo questões que impulsionaram o estudo da fusão entre as técnicas.
"Foi uma experiência excelente, um aprendizado e uma troca. O desafio de combinar técnicas tão tradicionais e distintas, ampliou minha perspectiva sobre a linguagem da arte", diz De Alencar.
O curador Lucas Velloso conta que nessas novas obras, a colagem é parte do processo, mas o resultado final traz unicamente óleo sobre tela. “A colagem orienta o artista a fazer formas e contornos, mas o impacto cromático e os desencontros compositivos nos levam para um outro tipo de ilusão. Suas discussões, pintadas em cores vibrantes, ganharam um sentido de urgência um tanto absurdo", diz Lucas.
Influência de Rosalind Krauss
A pesquisa para as obras tem proposta originalmente criada pela crítica e teórica americana, Rosalind Krauss. Em 1979, ela trabalhou com possibilidades da escultura em conjunção com outros materiais, espaços e linguagens artísticas.
“Comecei a explorar o conceito de Colagem em Campo Expandido há alguns anos, que basicamente é uma intersecção de várias linguagens", fala ele. "Como artista, passei a vislumbrar o potencial de uma técnica que funciona através da apropriação de outras técnicas, materiais e mecanismos, assim como uma transformação na própria linguagem da colagem."
De Alencar também diz que na aspiração pela pintura, encontrou dificuldades por esta técnica já ser instituída nas artes. “Exatamente por ser uma técnica tão convencional e uma linguagem tão estabelecida, a pintura propõe um desafio muito maior a um colagista", explica. O artista ainda explica que sua ambição não era apenas direcionada ao intercâmbio de materiais, a ideia sempre foi "ir além e propor uma discussão sobre a apropriação e ressignificação das próprias técnicas envolvidas no experimento."
Na mostra, ele ressignifica o retrato clássico e aplica camadas de tinta a óleo como papel colado sobre papel para transformar figuras humanas em símbolos através de formas geométricas, cores chapadas e stencil, criando narrativas que questionam a representação do indivíduo e a cultura de imagem.
Mário de Alencar
O artista nasceu no norte do Paraná, filho de nordestinos migrantes, mudou-se para Curitiba ainda jovem, onde cursou Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná.
Atualmente, Mário de Alencar trabalha com conceitos de colagem em campo expandido e mantém contato com a contracultura local e nacional, desenvolvendo projetos musicais e oferecendo material gráfico e artístico para bandas, coletivos e movimentos sociais.
Sua pesquisa envolve o Détournement dos situacionistas franceses, com apropriação de elementos existentes, como imagens, textos e símbolos, para criar novos trabalhos críticos à sociedade de consumo e ao espetáculo. Nas criações, De Alencar assume graficamente a estética punk, buscando ressignificar noções das vanguardas modernistas do século passado, através de processos contemporâneos.
Ele também é um dos fundadores do Clube da Colagem de Curitiba, coletivo que busca promover uma cena de colagistas locais por meio da curadoria e organização de exposições investigando aspectos conceituais da linguagem.
Exposição "Partida de Arnaque", de Mário de Alencar
Data de abertura: 28 de junho, das 14h às 18h.
Local: Asa BASA I R. Voluntários da Pátria 475 I 1° andar I sala 5
Período de Visitação: De 28 de Junho a 10 de Agosto / Quintas das 17h às 20h e Sábados das 15h às 18h.