A artista Caroline Lemes apresenta, a partir desta quinta-feira (13), às 18, na Barleria, sua exposição individual “Travessia”, com curadoria de Michele Micheletto. A mostra reúne cerca de 20 obras produzidas a partir de diferentes técnicas, apresentando a maternidade, não apenas como experiência, mas como território de transformação, dor e potência.
Entre pinturas sobre tela, nanquim, serigrafias, desenhos e ilustrações digitais, a exposição parte de uma experiência pessoal da artista. Para Caroline, viver a maternidade significou confrontar uma intensidade que já buscava em sua produção e que ganhou outras dimensões. “Sempre busquei intensidade na arte, e viver a maternidade foi a coisa mais intensa que eu poderia abraçar para a vida pessoal e nas obras", comenta.
Também, a artista afirma que após se tornar mãe, teve sua pesquisa artística profundamente transformada. “A maternidade escancarou a dualidade ambivalente que está presente no meu fazer artístico, porque é um amor que dói e uma mãe vive ferida por julgamentos sociais, culpa e também, por amor", completa.

O título da exposição parte de uma metáfora: a travessia como o caminho percorrido por uma mulher até se tornar mãe e, a partir daí, a artista investiga as complexidades desta experiência e aproxima maternidade, natureza, vida e morte, construindo imagens que refletem sobre o feminino e sobre os corpos que transformam e criam.
Reconhecida por sua atuação no grafite e no muralismo, Caroline já desenvolve uma pesquisa artística voltada a essas temáticas em trabalhos realizados no espaço urbano. Em “Travessia,” pela primeira vez, diferentes frentes de sua produção se concentram em uma única exposição, permitindo ao público acompanhar o percurso de suas investigações.

Para a curadora Michele Micheletto, a exposição reúne uma pesquisa que vem sendo construída ao longo dos anos e evidencia os principais elementos do trabalho da artista. “Nesta mostra, a artista reúne investigações que atravessam anos de prática. Encontramos seus principais temas: a natureza deixa de ser apenas paisagem para tornar-se espelho da experiência humana", diz. “A maternidade passa a ser compreendida como potência criadora, gesto de cuidado, transformação e permanência. A morte e a vida”, completa Michele.
A artista também direciona seu olhar para a dimensão social da maternidade e para a forma como mães e crianças ocupam os espaços públicos. Para ela, pensar a experiência materna também significa pensar acessibilidade, pertencimento e as estruturas sociais que tornam invisível o trabalho do cuidado. “O sacrifício da mãe é invisibilizado, as crianças são excluídas dos ambientes públicos e a cidade não é acessível para ambas. Se o ambiente não comporta um corpo, esse corpo sofre para pertencer; é um corpo que resiste.”
Dessa forma, “Travessia” se propõe a ampliar a discussão sobre maternidade para além de uma experiência individual. A exposição propõe olhar para o cuidado como uma prática fundamental para a própria existência coletiva. “Penso que, se estamos aqui, adultos, trabalhadores, tocando nossas vidas, é porque alguém fez o sacrifício do ofício sagrado do cuidado", completa Lemes.
Serviço
Abertura: quinta-feira, 13 de agosto, às 18h
Local: Barleria, Al. Júlia da Costa, 252, São Francisco, Curitiba.
Visitação: de 13.08 a 13.09
Quartas e Quintas, das 18 à 00h
Sextas e Sábados, das 18h à 01h
Domingo, das 18h às 23h