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Compra de terras por Itaipu divide opiniões de indígenas

Possibilidade de aquisição de terras como “compensação” aos Avá Guarani do Oeste do Paraná pela construção da hidrelétrica vem sendo debatida há mais de um ano

Por Admin
Compra de terras por Itaipu divide opiniões de indígenas
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Publicado originalmente pela Rede Lume

No dia 9 de janeiro, um grupo de indígenas, liderados pela Amior (Associação das Mulheres Indígenas Organizadas em Rede), protestou em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, contra os ataques sofridos pelos indígenas Avá Guarani na retomadas da TI Guasu Guavirá, no Oeste do Estado. Eles empunhavam uma faixa onde lia-se: “Itaipu 50 anos de genocídio dos povos indígenas Avá Guarani”.

A manifestação cobrou responsabilização da Itaipu pela expulsão dos povos ancestrais de seus territórios em Guaíra e Terra Roxa, durante a ditadura militar, para construção da hidrelétrica. Locais sagrados para os indígenas, como as Sete Quedas, foram inundados e na década de 1990 eles iniciaram a retomada das terras que não foram submersas.

Há pouco mais de um ano, Itaipu apresentou a proposta de aquisição de terras de particulares, a serem doadas para a União e, posteriormente, demarcadas, como “compensação” para os indígenas. As lideranças das aldeias que compõem a Terra Indígena, porém, estão divididas.

“Tem metade das lideranças que está aceitando, mas tem metade que não, porque são só 3 mil hectares, divididos em 21 Tekoha (aldeias), incluindo o nosso aqui. Ontem (16) teve reunião para repassar esse valor e, principalmente no município de Terra Roxa, os proprietários aceitaram vender parte da terra, mas em Guaíra está dividido (as lideranças) e os fazendeiros não querem vender”, relata à Rede Lume uma liderança que, por motivos de segurança, não será identificada.

Moradora do território que inclui o sítio arqueológico da Cidade Real do Guairá, em Terra Roxa, ela diz que a proposta de compra foi aceita por eles, que, para além das terras, buscam preservar os vestígios arqueológicos da presença dos Guarani naquele território.

“Como a gente trabalha também na parte da arqueologia a gente tem muitas peças cerâmicas espalhadas na nossa Tekoha e ao mesmo tempo está tudo plantando eucalipto. Não estamos conseguindo impedir essa plantação, guardar essas peças cerâmicas da nossa ancestralidade”, explica.

Em 2018 foi escavada na região uma canoa datada de cerca de 500 anos atrás, um documento que atesta a presença ancestral dos Guarani na região. O documentário Ygá Mirî – Resgate emergencial de canoa localizada no sítio arqueológico Ciudad Real del Guayrá registrou o fato. Saiba mais aqui.

Leia a reportagem completa aqui.


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