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Abraji, Ajor e outras entidades reagem à censura contra o Plural, Globo e RPC

População é a maior prejudicada pela censura, dizem entidades em nota de apoio aos veículos e pela revogação da liminar

Abraji, Ajor e outras entidades reagem à censura contra o Plural, Globo e RPC
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O Plural, Globo e RPC receberam mais uma manifestação de solidariedade e repúdio à censura decretada pela Justiça do Paraná contra os veículos. Em nota assinada em conjunto, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado do Paraná (SindijorPR), o Instituto Palavra Aberta, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e o Instituto Tornavoz condenaram a decisão liminar que proíbe os três veículos de noticiarem informações sobre uma investigação contra o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (União).

"A população é a mais prejudicada, perdendo o direito de acesso a informações de interesse público", afirmaram as instituições na nota. O Plural é associado a Ajor desde a fundação da entidade.

Confira a íntegra da manifestação:

Organizações de defesa da liberdade de imprensa repudiam censura judicial obtida por presidente da Assembleia Legislativa do Paraná

As organizações abaixo assinadas consideram lamentável a decisão judicial que impede a publicação de reportagens e determina a retirada de conteúdo referente a uma denúncia lastreada em delação premiada. O pedido de censura partiu do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSD).

A juíza Giani Maria Moreschi, da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, concedeu liminar favorável, no plantão judicial de sábado (2.dez.2023), censurando o Jornal Plural e o Grupo Globo, incluindo o portal G1, a GloboNews, a afiliada RPC e demais emissoras. A magistrada foi além, promovendo censura prévia ao proibir que a imprensa trate da delação sobre o parlamentar. A multa diária imposta pela magistrada é de R$ 50 mil.

A alegação foi de que as produções jornalísticas se baseiam em documentos que estão sob sigilo. As informações contidas nas reportagens estão inseridas no processo de cassação do deputado Renato Freitas (PT) movido por Traiano, no comitê de ética da Assembleia. Em suas alegações finais, Freitas juntou delação premiada em que são feitas acusações de corrupção contra o presidente da Assembleia. As reportagens foram feitas com base nesses documentos.

A imprensa tem o dever de trazer a público informações de interesse coletivo, o que justifica a divulgação. A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 220, que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”, vedando a prática da censura.

Toda vez que a Justiça concede uma liminar como essa não é só a imprensa que é atingida. A população é a mais prejudicada, perdendo o direito de acesso a informações de interesse público. Desse modo, as organizações que subscrevem essa nota espera que a decisão seja reformada e o conteúdo censurado passe a estar disponível para a população.

 4 de dezembro de 2023


Abraji - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Repórteres Sem Fronteiras - RSF
SindijorPR - Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado do Paraná
Instituto Palavra Aberta
Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ
Associação de Jornalismo Digital - Ajor
Instituto Tornavoz

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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