Há 35 anos, em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Essa decisão histórica marcou um passo essencial na luta contra a patologização de pessoas LGBTI+ e deu origem ao Dia Internacional Contra a LGBTIfobia, celebrado desde então como símbolo de resistência e visibilidade.
Apesar de importantes conquistas do movimento LGBTI+ ao longo das últimas décadas, o Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas LGBTI+ no mundo. Em 2024, foram registradas 291 mortes violentas — um aumento de 34 casos em relação ao ano anterior. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), organização pioneira na defesa dos direitos LGBTI+ na América Latina, que realiza esse levantamento há 45 anos, em meio à ausência persistente de dados oficiais.
Ataques legislativos e o avanço da extrema direita
O avanço da extrema direita no Brasil tem agravado esse cenário. Neste projeto político desenhado para atacar a democracia e suprimir os direitos de populações historicamente marginalizadas, a comunidade LGBTI+ é alvo recorrente — especialmente a população trans. Entre 2019 e outubro de 2024, 39,6% dos projetos de lei anti-LGBTI+ apresentados no país tiveram como alvo direto pessoas trans, propondo desde a proibição do uso de banheiros e a restrição à participação esportiva até o cerceamento da transição de gênero e do debate sobre identidade de gênero nas escolas. Esses dados são da plataforma Observatória, da Agência Diadorim, que monitorou 1.012 proposições legislativas nesse período — das quais 437 foram consideradas prejudiciais à população LGBTI+.
Educação, leis e denúncia: estratégias para enfrentar a LGBTIfobia
Diante desse panorama, é urgente fortalecer estratégias de enfrentamento à violência LGBTIfóbica. A implementação de uma educação inclusiva, que enfrente o bullying contra a comunidade LGBTI+ em todos os níveis escolares, é fundamental para promover o respeito aos direitos humanos e à cidadania plena. Visto que 86% de estudantes LGBTI+ sentem insegurança nas escolas, conforme a Pesquisa Nacional sobre o Bullying no Ambiente Educacional Brasileiro (2024-2025), realizada pelo Aliança Nacional LGBTI+ em conjunto com o Instituto Unibanco e o Plano CDE.
Do mesmo modo, é imprescindível garantir a aplicação rigorosa da legislação existente — como a decisão do Supremo Tribunal Federal que equipara a LGBTIfobia ao crime de racismo. Outra ferramenta fundamental é a denúncia. Casos de LGBTIfobia devem ser registrados nas delegacias, sempre que possível acompanhados de provas, como documentos, gravações e testemunhas. Se o crime for cometido pela internet, é essencial reunir prints, links do conteúdo e, se possível, o perfil de quem o publicou. Também é possível denunciar violações de direitos humanos, inclusive LGBTIfobia, pelo Disque 100.
Atendimento jurídico gratuito: Grupo Dignidade está ao seu lado
O Grupo Dignidade oferece atendimento jurídico gratuito para vítimas de LGBTIfobia e outras violações de direitos. Se você precisa de orientação ou apoio, acesse o link: https://bit.ly/SolicitacaoAtendimento. Garantir o acesso à justiça é parte fundamental da nossa luta pela cidadania da nossa comunidade.
A Marcha pela Diversidade é nossa resposta coletiva
É nesse contexto que realizaremos, no dia 29 de junho, a 8ª Marcha pela Diversidade de Curitiba. Mais do que uma celebração, a Marcha é um ato político de resistência, denúncia e afirmação de direitos. Marchamos para afirmar que diversidade e democracia caminham juntas. Para dar visibilidade a quem resiste. Para lembrar àqueles que insistem em nos silenciar que não voltaremos para o armário, que nossas conquistas não serão anuladas, que não aceitaremos viver com medo.
Curitiba, o Brasil e o mundo precisam nos enxergar — e reconhecer que existimos, resistimos e persistimos. Ainda estamos aqui. E seguiremos em marcha, até que todas as pessoas possam viver com liberdade e dignidade. Acompanhe nossas ações pelas redes sociais e venha ocupar as ruas com a gente: https://www.instagram.com/marchacwb/